Jornalista cita modelo dos EUA e levanta debate sobre possível ‘tentação’ de levar Botafogo para Brasília com SAF

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Por FogãoNET

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Tim Vickery, jornalista do SporTV
Reprodução/SporTV

Com a venda da SAF do Botafogo para John Textor cada vez mais próxima de ser sacramentada, começam a surgir dúvidas e questionamentos. Durante debate no “Redação SporTV” desta sexta-feira, o jornalista Tim Vickery afirmou que há pessoas no ambiente interno do clube que “estão doidas” para tirar o Alvinegro do Estádio Nilton Santos, sugerindo uma possível transferência para Brasília, reduto de botafoguenses.

Tim Vickery citou o modelo de franquias dos Estados Unidos e o caso mais recente de mudança de cidade no beisebol – o Brooklyn Dodgers, que foi para Los Angeles. O jornalista reforçou diversas vezes ser contra essa ideia no futebol brasileiro, mas colocou o tema na mesa.

– Não estou a favor da ideia que vou lançar agora. Mas é normal no modelo de franquias dos Estados Unidos e acontece no Brasil também, por meio das prefeituras. No caso do Botafogo, friso que não sou a favor disso, sei que tem pessoas lá que são doidas para tirar o clube do Engenhão. Eles não entendem como dá para ser viável financeiramente com o Engenhão, sei que isso é uma briga lá. Tem um estádio dando sopa em Brasília. Brasília nunca conseguiu amar seu próprio time, há uma relutância muito grande de se descolar do futebol do Rio. O Botafogo, como terceira ou quarta força em torcida, será que no futuro seguindo esse modelo de negócios haveria uma tentação de levá-lo para Brasília? – perguntou Vickery.

Rodrigo Capelo, especialista em negócios do esporte e também presente no programa, respondeu dizendo que tal mudança seria impopular. E lembrou que, por contrato, a concessão do Estádio Nilton Santos – recentemente renovada até 2051 – será transferida do Botafogo associação para a nova SAF a ser negociada com a Eagle Holdings, de John Textor.

– Como estratégia de levar alguns poucos jogos para aproveitar que existe uma torcida do Botafogo lá, pode fazer sentido. De maneira definitiva, de maneira nenhuma. Não faz sentido tirar o futebol tão de perto da comunidade. Como negócio seria questionável, mas do ponto de vista de identificação com o torcedor, da imagem que o dono tem, seria muito impopular. Se você manda embora o goleiro que é ídolo e a torcida vai ao CT xingar o proprietário (referindo-se ao Cruzeiro), imagina se anunciar alguma coisa dessas? – respondeu Capelo, completando:

– Nesse modelo de SAF do Botafogo, a receita de matchday é importante, mas tem uma participação menor. Tem uma parte de mídia, de direitos de transmissão, e o Textor vem do mercado de mídia, e tem a parte dos atletas. Como o Botafogo vai fazer parte de uma multinacional que está sendo desenhada agora? Que já em 18% do Crystal Palace, que pode ter um percentual do Benfica. Como será o intercâmbio que o Botafogo pode ter com esses outros clubes? São assuntos que vão mexer mais e movimentam mais dinheiro do que pensar em que estádio vai jogar.

Fonte: Redação FogãoNET e SporTV

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