Dois clássicos, cinco expulsões, nervosismo, discussão com árbitros e derrotas. O Botafogo teve problemas nos jogos contra Vasco e Flamengo, pelo Campeonato Carioca-2023. Em entrevista coletiva, o técnico Luís Castro admitiu que a parte mental do time tem que evoluir.
– Minha equipe é culta taticamente. Quando chegamos ao gol e foi invalidado, estávamos a jogar com linha de três, com dois jogadores abertos, com Gabriel e Tchê (no meio), Lucas na posição dez, dois na frente. Estávamos a pressionar. Ao longo do jogo, tivemos o domínio, as ocasiões mais claras, muito perto de igualar. Não conseguimos porque não fomos eficazes. A equipe consegue construir com linha de três e linha de quatro. Onde temos que refletir de forma profunda é no lado emocional, o lado mental. Porque a nível técnico, tático, estratégico e mesmo físico, estivemos bem. É o lado mental. Também associar. Nós não podemos olhar só uma parte como se fosse o todo. A equipe vinha equilibrada, queria muito ganhar esses jogos – explicou Luís Castro, que prosseguiu.
– Prefiro que aconteça agora no início da temporada para retificarmos ao longo do caminho. Tenho equipe que quer e que joga. Não olho como “perdi, estivemos mal”, “ganhei, estivemos bem”. Podem analisar como quiserem. Parabéns ao Flamengo por ter ganho o jogo, foi mais eficaz. Mas hoje a minha perspectiva é que estivemos mais perto da baliza deles, tivemos mais possibilidade de gols, eles conseguiram ser eficazes. Ter que correr atrás é um fator que influencia, mas é um fator de correção. Hoje estivemos desequilibrados emocionalmente – admitiu.
O treinador ressaltou ainda que houve influência do árbitro Tarcizo Pinheiro Caetano nos ânimos do clássico.
– O Brasil é um país fantástico, de alegria, samba, emoção, sentimentos. É fantástico trabalhar no futebol brasileiro. Mas é uma paixão que sentimos no estádio, torcidas muito ligadas às equipes. Essa emoção leva a algum destempero. Há um elemento fundamental para isso: o árbitro. É fundamental para acalmar o jogo. Não é um potencializador de problemas. Para tanta emoção tem que haver alguma razão. São os treinadores, mas não sou só eu, é também a equipe de arbitragem. A sensação que dá é que só o árbitro pode responder o que pode ter acontecido. Nós viemos de um clássico com problemas, com imagem que causamos problema, então de repente para ele a melhor forma seria mostrar conjunto de cartões para acalmar uma equipe. Não é. O poder do árbitro não está nos cartões, está na forma como dirige o jogo e o acalma nos momentos difíceis. Todo árbitro que se refugia no poder dos cartões não tem grande futuro – concluiu Castro.