Usamos cookies para anúncios e para melhorar sua experiência. Ao continuar no site você concorda com a Política de Privacidade .
Jogos

Campeonato Carioca

15/01/26 às 19:00 - Luso-Brasileiro

Escudo Portuguesa
POR

X

Escudo Botafogo
BOT

Campeonato Brasileiro

07/12/25 às 16:00 - Nilton Santos

Escudo Botafogo
BOT

4

X

2

Escudo Fortaleza
FOR
Ler a crônica

Campeonato Brasileiro

04/12/25 às 19:30 - Mineirão

Escudo Cruzeiro
CRU

2

X

2

Escudo Botafogo
BOT
Ler a crônica

Lucio Flavio nega haver ‘panela’ no Botafogo e cita dois fatores que atrapalharam: apagão no Nilton Santos e time não fazer ‘faltas táticas’

Por: FogãoNET

- Atualizado em

Lucio Flavio, ex-Botafogo
YouTube/Charla Podcast

Qual o real problema do Botafogo? Com o título brasileiro perdido na reta final, surgem diversas teorias. Uma delas é de “panela” no elenco, o que foi descartado pelo ex-treinador interino Lucio Flavio, em entrevista ao “Charla Podcast”.

– É difícil falar em panela, as pessoas acham que estamos há 20, 30 anos atrás. Hoje, principalmente com questão de rede social e celular, se criar sempre um vai soltar, alguém vai estar insatisfeito. Nos dois últimos meses ninguém falou nada disso. É um grupo unido, chegou porque é o grupo. Tiquinho se destacou, mas Eduardo, Perri, Adryelson também, é um elenco, existe uma espinha. Às vezes, quando um não ia bem outros carregavam. Quando três ou quatro não vão bem, pesa. Não faltou em momento algum, poderiam não ser respeitosos comigo, era o treinador vindo do sub-23, eles já eram os líderes. Nenhum deles foi desrespeitoso. Tudo aquilo que eu tinha que definir eu defini. Quando tive que tirar alguém, chamei e conversei, expliquei o motivo. Em sequência de dois dias seria pesado para eles. Como fui jogador, queria fazer o que entendia que era bom para mim lá atrás. Era um grupo humilde, a ponto de entender os processos, mas futebol é nos 97, 98 minutos. Não adianta depois do jogo chutar porta ou lixo, não muda resultado. É lá dentro do campo. Quando não temos a maturidade para estar ganhando e segurar, desencadeia a falta de segurança. Você se retrai, não arrisca, é com qualquer um – disse Lucio Flavio, que negou a informação de “falta de pulso”, dado em reportagem do “GE”.

– Não aconteceu. É inverídica essa questão da matéria. Na questão do campo, com todo respeito a cada profissional, ter um estádio com público razoável para bom quase ninguém escuta um treinador. Não existe esse negócio. Vi até pessoas falando que eu era muito quieto. O trabalho é desenvolvido durante a semana, no jogo tem uma ou outra instrução, cada pessoa tem uma característica. O time já tinha uma estrutura, um jeito de jogar, era automático. As pessoas querem justificar uma coisa injustificável. Se forem conversar com os jogadores, a mesma forma de conduta de respeito que tenho com vocês tenho com eles. Há coisas que são necessárias cobrar. No futebol tem coisas que você não vai conseguir explicar mesmo – acrescentou.

O treinador, demitido em novembro, falou sobre os jogos do Botafogo com ele no comando e citou problemas, como apagão no Estádio Nilton Santos diante do Athletico-PR e o time não cometer “faltas táticas” para segurar resultados.

Leia abaixo:

Recuperação de Júnior Santos

– Quando entrei, vi alguns jogadores estavam meio que se entregando. Um deles era o Júnior. Ele é um cara fantástico, tem o mesmo nível de simplicidade do Tiquinho, faz o grupo sorrir. Falei “vamos aproveitar que você não está jogando muito, vamos treinar finalização, tirar do goleiro”. Começamos a fazer isso. Ele tem muita força, alguma dificuldade nas finalizações. Tinha dia que às vezes ele mesmo me chamava para fazer. “Se não estiver cansado, faz, vai ser bom para você”. Quando Bruno (Lage) é desligado, vi esse grupo jogar de uma forma, falei “vou trazer para o time original”. O jogo era contra o Fluminense, ia sair jogando, se entrassem no nosso campo dariam espaço, precisaríamos ter dois caras rápidos. Falei para o Júnior que ele era importante e que ia jogar. Chamei o Di Placido também. O time fez baita jogo, em um clássico. Minha preocupação era o jogo com o América-MG, uma equipe lá embaixo, mobilizar não é simples. O Botafogo faz um gol, entra em nível de jogo que não era o nosso, pouco combativo, avisei “não podemos permitir, temos que entrar lá e vencer o jogo”. Júnior já tinha feito um gol, faz um golaço depois. Ganhamos o jogo, é natural a pressão no final. Acaba o jogo, mais uma vitória.

Falta de luz

– Vem o terceiro jogo, com o Athletico-PR, acontecem dois ou três apagões. Na parada de 30 minutos, os jogadores do Athletico falaram “o jogo não pode voltar, não vamos aguentar vocês. O time de vocês é bom demais”. Para o gente, tinha que terminar. No dia seguinte, foi jogo atípico, teve jogador que foi dormir 4 horas da manhã, não tinha espaço no hotel para todo mundo, jogador indo jantar 2h30 da manhã, jogar sem torcida, mudou tudo. Sai do seu controle. Passaram que teve um apagão na região, mas o estádio tem que ter um preparo. Sabemos que esse jogo nos prejudicou muito, quebrou a sequência, adiou jogo com Fortaleza, tentamos ainda. Olha o prejuízo que trouxe, na continuidade.

Duelo com o Palmeiras e papo no intervalo

– Sabia que o Abel (Ferreira) ia deslocar o Gustavo Gómez para a lateral e adiantar o Mayke. O que falei no vestiário, damos uns quatro minutos para os jogadores darem descansada, falei “vocês estão fazendo primeiro tempo fantástico, mas o jogo não termina no primeiro tempo. O que temos que fazer? A única possibilidade de darmos uma brecha é se perdemos jogador expulso. Temos que nos cuidar em relação a isso”. O único com cartão era o Cuesta, falei com ele que poderia ser obrigado a tirá-lo. Outra forma era voltarmos sonolentos, desligados. “Volta atento, ligado, vamos ter percepção de como vão vir no jogo”. Tomamos gol com seis minutos, em lance que Endrick entra no meio, faltou saber fazer falta tática. Em um dos jogos fizemos vídeo, quando recuperávamos a bola o adversário matava jogada, nós não fizemos, levamos o gol. O jogador brasileiro tem um pouco desse relaxamento, “não vou fazer falta, não vou levar amarelo”. Foi um erro. Controla-se o jogo até sair a expulsão, cartão vermelho direto. Sabíamos que um dos pontos fortes do Palmeiras era a bola aérea, Adryelson não perdia uma. Fizemos alteração de mais um zagueiro, fica momento de apreensão, reajustou, pênalti a favor. Olhei no relógio, 37 minutos, chamei dois jogadores, “vamos fazer o gol, vocês vão entrar, vamos nos posicionar e jogar na transição”. Não só a questão do erro do pênalti, em um minuto levamos o gol. Aí entra questão emocional, não é só o Botafogo, qualquer time sente. Entra questão de reta final, colocaram bolas na área, em uma delas empataram. Teve uma falta no meio do campo para nós, falei “bota nas costas da linha defensiva, a bola saia na lateral, segurávamos”. O empate não era ruim. Tentamos uma bola curta, eles antecipam, fazemos a falta, sai o gol. Foi uma falta lateral, nem acompanhamos o jogador, nossa linha trava, foi o último lance do jogo. Era momento de estar mais atento.

– Esse jogo foi muito forte na questão emocional. A partir dali foi muito trabalhado, os jogadores têm consciência de onde deixaram de fazer. Vem o jogo com o Vasco, os dois não podiam perder. Era jogo de um erro, aconteceu mais uma vez, não fizemos falta, podíamos ter feito. Eu falava para eles “quando vocês recuperam todo mundo faz falta contra vocês”. Foram raras as vezes que o Botafogo fez mais falta que o adversário. E geralmente ganhou. Optamos por não fazer, teve peso absurdo. Os jogos foram sequenciais, estava na batida, vem o jogo do Grêmio. Acabamos fazendo um bom jogo até o terceiro gol, depois a mesma coisa. Podíamos ter feito falta tática, perdemos os confrontos. Teve peso absurdo. Em campeonato de pontos corridos tem que pontuar.

Duelos com Cuiabá e Red Bull Bragantino

– A maturidade nessa questão que falei de fazer falta tática, parar a jogada, ter percepção, é maturidade de time que quer ser campeão. Fizemos um jogo aqui, contra o Cuiabá, se pegar nos jogos do Brasileiro foi o que o Botafogo teve mais chances de gol, umas 30 finalizações, só que naquele dia o Walter além de estar bem perdeu uns sete ou oito minutos do jogo. No final, falei com o Wilton (Pereira Sampaio) que ele chamou a atenção três vezes no primeiro tempo e foi dar cartão aos 39 do segundo tempo. No jogo com o Bragantino, um calor absurdo, eles fizeram 1 a 0, o goleiro ia de forma mais vagarosa, falei com o quarto árbitro, beleza. Quando fizemos o gol, levantaram placa de nove minutos no primeiro tempo. Ele que está fazendo cera, vão beneficiar ele? No segundo tempo não teve nada de absurdo, deu mais 11. Levamos o empate. Nem parada técnica teve. Era isso que eu falava para os atletas, sabermos administrar o que tínhamos de vantagem, não só no campeonato, mas no próprio jogo. Mostramos em vídeos, infelizmente não aconteceu. Acabei saindo e o time passando pela mesma situação.

Fonte: Redação FogãoNET e Charla Podcast

Comentários