Marlon Freitas quebrou o silêncio. Pouco após publicar vídeo curto de um pedido de desculpas do volante do Palmeiras ao Botafogo, o “GE” divulgou um corte de oito minutos. Nele, o jogador pede a palavra para se desculpar.
Após declarações que pegaram mal, como dizer que “2026 é o melhor ano da vida” e que o título favorito é o “Paulistão”, Marlon Freitas se abriu e garantiu ter carinho enorme pelo Botafogo.
Leia a primeira parte da explanação:
“Eu acho que é uma oportunidade boa também de eu pedir desculpas, assumir o meu erro da minha última entrevista e das outras coisas também que os torcedores de Botafogo se sentiram ofendidos de alguma forma. Cara, eu tentei trazer uma coisa do presente, mas eu acho que eu poderia falar de uma outra forma. Ali a pergunta é ‘melhor ano’, eu falei ‘2026’, cara, porque eu creio, eu tenho muita fé que esse ano vai ser o melhor ano. E é assim na vida de todo mundo, só que eu poderia deixar uma coisa mais guardada pra mim, sabe?”
“Então assim, quero pedir desculpas a todos os torcedores que se sentiram ofendidos. 2024 está na minha história, está na história de todo botafoguense. Eu tenho um carinho, um respeito, uma admiração muito grande pelo Botafogo, isso ninguém vai tirar. Ninguém vai tirar. O Botafogo faz parte da minha história. Se hoje eu estou aqui no Palmeiras, o Botafogo faz parte disso, que me deu a oportunidade de viver muitas coisas ali, coisas boas, momentos difíceis também. Então assim, eu tenho um carinho muito grande pelo clube, pelos torcedores, pelas pessoas que trabalham no dia a dia. Até hoje eu tenho esse carinho, até hoje eu tenho contato com jogadores, com as pessoas que fazem o dia a dia, torcedores também. Eu sei que tem muita gente que gosta de mim, que me admira. Houve dois episódios assim que pessoas colocaram o nome dos filhos de Marlon em homenagem. Você vê o carinho, o respeito, então está aqui meu pedido de desculpas, eu sei que eu errei e reconheço isso”.
Marlon Freitas deu detalhes de sua saída do Botafogo para o Palmeiras e contou sua versão da história, dizendo que foi um desejo do clube.
“É claro também que assim, tem muita coisa a ver com a minha saída. Pegou muita gente de surpresa essa minha saída, porque era muito difícil. Só que eu acho que o meu erro também não foi ter falado de como foi a saída do clube, porque ficou uma coisa tipo assim, que eu cheguei lá, bati na porta, quero ir embora. Não foi assim. O clube recebeu duas propostas bem consideráveis para o clube, fez sentido para o clube financeiramente. E eu ia entrar no meu último ano de contrato também, então assim, eu acho que vale a pena falar isso, porque eu acho que foi o meu erro. Porque ficou uma coisa tipo assim, ‘pô, mercenário, não sei o quê’, e as pessoas não sabem realmente o que aconteceu. Até entendo as pessoas falarem isso, porque eu não falei sobre. É uma oportunidade de eu falar que o clube recebeu duas propostas boas financeiramente para o clube. E depois o jogador tinha que tomar uma decisão. Mas eu já sabia que o clube tinha interesse em me negociar”.
“E eu tomei a decisão de vir para o Palmeiras, que financeiramente era muito melhor pro clube também e de projeto muito melhor para mim também. Eu não preciso esconder isso, uma coisa acompanha a outra. E a confiança que o Palmeiras depositou em mim, essa conversa, esse primeiro contato foi uma coisa muito positiva, foi uma coisa muito clara e verdadeira, então foram pontos positivos também para eu poder estar aqui, a confiança que o Palmeiras tem em mim e o esforço eles fizeram”.
E Marlon Freitas abriu mão de percentual ou recebeu proposta para seguir no Botafogo? Ele explicou.
“Teve uma reunião com a diretoria do Botafogo. Essa reunião saiu na imprensa, que ia ter uma reunião para definir, não sei se vocês lembram. E nessa reunião saiu que o clube fez uma proposta irrecusável. Não, não teve proposta irrecusável, mas fica bem claro isso, que não teve nenhum momento de proposta. A gente não conversou sobre proposta nessa reunião. Não teve conversa de proposta. Ali já estava alinhado e também não teve uma coisa assim ‘ah, a reunião vai ser para o Marlon decidir’. Não, já estava decidido. A reunião foi o quê, cara? Uma forma de agradecimento. Foi um momento que eu me emocionei também, porque acho que ali caiu a minha ficha de que, cara, estava saindo. De um clube que me deu todo o suporte, me apoiou nos momentos difíceis. Fiz grandes amizades, conquistei grandes coisas. Fiz uma história, não só eu, mas eu falo coletivamente, uma história muito linda. E ali naquele momento a minha ficha caiu que eu iria sair do clube. E a parte mais difícil, eu me emocionei, e quem estava naquela reunião pode falar que eu me emocionei mesmo, de verdade. Porque, eu vivi muitas coisas ali, entendeu? Por isso que eu tenho esse carinho e esse respeito e gratidão pelo clube. Então, como falei, fica aqui a minha desculpa. Fica aqui um pouco do que foi dessa reunião. Muitas inverdades, questão de proposta. Que ali foi uma reunião pra definir o Marlon que vai escolher e tal”.
“E teve a situação também da porcentagem depois. ‘Ele abriu mão, não sei o quê’. Não, eu não tive escolha. Eu tive que abrir mão porque o que foi passado para mim foi ‘ou você abre mão ou você não vai’. Então, como que eu vou ficar num ambiente que… Eu não sou mercenário. Se eu fosse mercenário, eu brigava. Então, eu abri mão e falei, cara, eu quero que o clube seja feliz. Estou ajudando o clube de alguma forma, financeiramente. Consegui ajudar o clube, acredito eu, dentro de campo. A ter grandes conquistas. Eu tenho um carinho, uma gratidão e um respeito imenso pelo Botafogo. Então, por isso que eu venho aqui. Por isso que eu acho que é o momento de eu pedir desculpa. De esclarecer um pouco. É claro que é uma história muito grande, mas resumindo um pouco do que aconteceu, e eu entendo o clube também. Era uma oportunidade muito boa para o clube financeiramente. De deixar tudo organizado ali e tal. Mas, assim, claro que pegou muita gente de surpresa. Tanto as pessoas internamente como os torcedores. E acredito que até a mídia também”.
Marlon Freitas, por fim, falou sobre o bandeirão dos ídolos e afirmou que 2024 foi seu melhor ano, não mais 2026.
“Fica aqui meu agradecimento, meu respeito e a minha gratidão pelo Botafogo. Por tudo que eles me proporcionaram. Estar ali no bandeirão de ídolos também. Para mim, cara, foi algo marcante. Naquele momento a minha ficha não caiu, mas depois dessa conversa, dessa reunião, eu deitei a minha cabeça num travesseiro e falei, ‘cara, foi uma história que eu vivi intensamente’. Aquele clube eu vivi intensamente. Fica aqui meu agradecimento. Meu pedido de desculpa bem sincero mesmo, porque eu sei que tem muita gente que se identifica com a minha história. Que tem um carinho e um respeito muito grande por mim. E acredito que muita gente se sentiu desrespeitada, ofendida com a minha fala. E depois que eu vi que saiu e tal, eu falei, ‘cara, fui mal’. Claro que eu tentei trazer uma coisa do presente, mas, cara, não tem como esquecer. 2024 foi o melhor ano da minha história profissionalmente. E por isso que eu falei de 26, porque eu acredito também que vai ser o meu melhor ano. Mas eu acho que naquele momento eu deveria me falar das conquistas do ano de 24, o ano coletivo que foi feito. O ano anterior também, do que a gente passou. O que nós passamos ali coletivamente. Os jogadores que ficaram de 23 para 24 também., que nós passamos ali. E vivenciar aquilo tudo ali, cara, foi assim, eu falo que foi um ano preparado por Deus mesmo. Por isso que eu falo que foi o ano da Terra Prometida. Por tudo que a gente passou“, encerrou.