O técnico Martín Anselmi fez uma longa reflexão ao falar sobre se sente pressionado no cargo de técnico do Botafogo, depois da eliminação precoce na Libertadores e da derrota para o Flamengo neste sábado por 3 a 0, dentro do Estádio Nilton Santos. O argentino citou o astro do basquete de seu país, Luis Scola, se disse “privilegiado” por trabalhar no Glorioso e disse que só pode resolver a situação com muito trabalho.
– Primeiro, como mencionei antes, tem que listar as coisas, o que estamos fazendo bem, o que estamos fazendo errado, o que precisamos mudar, etc. Em dias como hoje é inútil, isso não têm significado para mim. Haverá um momento para falar sobre tudo isso mais tarde, um momento para olhar para trás e ver aonde este momento nos levou. Porque, no fim das contas, acredito que todo processo tem seus altos e baixos, e muitos processos terminaram com resultados muito positivos e muito bons. Isso faz parte do processo, não é linear. Explicar tudo o que temos passado, tudo em que temos trabalhado, tudo o que temos feito, não faz sentido para mim agora – iniciou Anselmi.
– Quanto à pressão… Se eu já treinei crianças em um parque… Obviamente, veja bem, hoje é um momento desconfortável, e peguei isso emprestado de um jogador de basquete argentino, Luis Scola. Para mim, atletas de elite, técnicos de elite, nós que fazemos parte da elite, somos privilegiados. Porque fazer parte de um clube como o Botafogo e poder trabalhar aqui. E não estou dizendo isso para promover o clube, não, é a realidade, é algo para poucos. Sou um privilegiado por ter esse trabalho. E esse trabalho, como o meu, como o dos outros técnicos do Brasileirão, é desconfortável, porque estamos constantemente sob pressão, sob escrutínio, expostos, sujeitos à opinião pública – continuou.
– O segredo é se sentir confortável dentro do desconforto, e para isso você precisa viver sob pressão. E se você não consegue viver sob pressão e não consegue lidar com a pressão, você não consegue trabalhar aqui. Para lutar contra essa pressão você precisa ser muito forte mentalmente, e o único foco é, certamente as primeiras cinco horas do meu dia, especialmente se eu estiver sozinho, serão um desastre, entende? Mas a única maneira que encontrei para mudar as coisas é através de muito trabalho.
– Então, é assistir ao jogo, ver o que aconteceu, como podemos corrigir, conversar com os jogadores, preparar os treinos, assistir aos jogos do Palmeiras, me preparar para a partida contra o Palmeiras, assistir aos meus analistas, assistir aos jogos do Red Bull e assim por diante, porque a única coisa que controlamos é levantar amanhã e voltar ao trabalho. E focar em tentar ser melhor sempre. Isso é a única coisa que posso fazer. No dia em que não consigo fazer isso, ligo para a diretoria e digo: “Não tenho mais energia, não consigo, peço desculpas”, e vou para casa – encerrou Anselmi.