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Montenegro celebra saída de John Textor do Botafogo: ‘Montanha-russa virou filme de terror. Ele nunca fala a verdade’

Por: FogãoNET

- Atualizado em

Carlos Augusto Montenegro, ex-presidente do Botafogo, em entrevista no Os Donos da Bola | Junho 2026
Reprodução/Band
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Ex-presidente do Botafogo, Carlos Augusto Montenegro concedeu longa entrevista ao programa “Os Donos da Bola“, da Band, nesta segunda-feira (8/6). O dirigente celebrou a saída de John Textor da SAF. Mesmo vendo alguns acertos, ele criticou a forma de gerir o clube na época do empresário norte-americano.

Montenegro exaltou o Botafogo social, que está prestes a ter a GDA Luma como nova acionista.

Pena que é dentro de uma situação muito difícil que nós estamos vivendo, foi um drama que eu não imaginava passar, depois do que nós fomos tão felizes em 2024. Eu não imaginava mais passar por isso. O Botafogo iria acabar porque nós temos que acabar com esse negócio de profissional e amador. Nós temos que acabar com esse negócio de que o Botafogo social é um perigo. O Botafogo social é tudo. É a vida do Botafogo. É a história do Botafogo nos últimos 134 anos.

O Botafogo social conseguiu o maior número de jogadores na Seleção Brasileira até hoje. Conseguiu Garrincha, Didi, Quarentinha, Amarildo, Zagallo, conseguiu Nilton Santos, conseguiu Jairzinho, Gerson, Roberto, Paulo Cezar. O Botafogo social é sempre de abnegados, apaixonados, que sofreram e deixaram às vezes a família de lado, a saúde de lado, o trabalho de lado para ajudar o Botafogo. Esse é o Botafogo social.

E graças a Deus nós tivemos nos últimos oito anos dois presidentes do quilate do Durcesio (Mello) e do João Paulo Magalhães (Lins). Graças a Deus. São a memória, o exemplo do que é Botafogo social. Pessoas abnegadas, pessoas que trabalharam. O Durcesio, por exemplo, lutou contra um câncer. Lutou contra uma segunda divisão. Lutou contra uma falta de dinheiro, porque tudo estava já adiantado. E levou o Botafogo de volta à glória, à primeira divisão. Aproveitou um trabalho todo feito por grandes botafoguenses já pensando em profissionalizar o Botafogo. E usou isso para trazer o John Textor para o Botafogo. Maravilhoso – iniciou Montenegro.

O Textor resgatou a autoestima do botafoguense, o Textor melhorou o Nilton Santos, o Textor aumentou barbaramente o número de sócios-torcedores. Resgatou a camisa para termos melhores patrocinadores, melhores empresas que fazem material esportivo. Resgatou a dignidade. Agora, trouxe também, acho que dentro da filosofia dele, uma ideia de montanha-russa. A gente começou bem em 2022. Em 2023, a gente foi um paraíso no primeiro turno do Campeonato Brasileiro. Todo mundo já dizia que o Botafogo era campeão, por antecipação. E o segundo semestre, o segundo turno, foi uma decepção. Foi uma prova total de bagunça, de confusão, de amadorismo. E o Botafogo entregou um campeonato que estava praticamente ganhando.

Em 2024, acho que eles viram, fizeram o dever de casa e nos levaram à consagração. O título em Buenos Aires é indescritível. Ainda mais você jogando 10 contra 11 um jogo todo. E premiou uma campanha irretocável do Botafogo. Era um prazer. Era um quadrado mágico. Na hora que você vê Luiz Henrique, Almada, Savarino e Igor Jesus, é um quadrado mágico. O Gregore, que é um monstro. Que infelizmente não jogou a última partida. Ou felizmente. O Marlon, nosso maestro. Um grande goleiro. E isso foi a SAF parte 1. A SAF parte 1 fez o que o Botafogo vivesse. 21, 22, finalzinho de 21, 22, 23, 24, uma forma memorável. Está no coração, está gravado na mente de todo mundo – prosseguiu, antes de entrar nas críticas.

Aí, nós temos um outro filme. 2025 e metade de 2026. Saímos de uma comédia, de um filme romântico, drama. A ressurreição de um clube. E passamos para um filme de terror. Dentro da montanha-russa. Um filme de terror. E aí a gente começou a descobrir. É bem importante eu colocar uma coisa. Eu aprendi na vida que não é profissional e amador. É seriedade e brincadeira. É honestidade e falta de honestidade. E agora nós conhecemos um fator novo. Que é uma característica do Textor. É de não falar a verdade. Nunca ele fala a verdade. Ele não consegue explicar alguma coisa.

Quando você fala assim “Textor, por que você comprou o Almada e não pagou? Vendeu o Almada para o Lyon. Recebeu o dinheiro. Você vendeu no Lyon para o Atlético de Madrid. Recebeu o dinheiro e continuou não pagando o Almada. Isso aqui no Brasil, não sei como é o nome nos Estados Unidos, é estelionato. Você está vendendo uma coisa que não é sua. Porque você não pagou. Duas vezes”. Ele não consegue. Ele muda de assunto. Aí, começa a criar. Não, “isso é culpa do fulano, do beltrano etc”.

E a gente começou a ficar preocupado com isso. E o João Paulo começou a perceber que todos os agentes de jogadores, todos os empresários, detestavam o Textor. Ninguém recebeu. Aí ele começou a falar com os sócios dele. Os sócios da França, os sócios da Inglaterra, os sócios da Bélgica. E os sócios dele nos Estados Unidos, na Eagle. Todos detestavam o Textor e não queriam olhar mais na cara dele. Então tem alguma coisa de errado. Tem alguma coisa de errado. E tinha. E aí não é profissionalismo, não é porque arrumou a camisa ou ganhou dois títulos importantíssimos na nossa história. Aí, é o novo nome que ele trouxe para o Botafogo. Aposta – pontuou.

Tem coisas assim que a gente nunca viu, nunca vai ver

Montenegro afirmou que haverá uma auditoria para detalhar os negócios do Botafogo que aconteceram durante a gestão de John Textor.

E aí é que você sente falta dos botafoguenses raízes, do social. Das pessoas que conseguiram manter o Botafogo vivo por 130 anos. Aí é que essas pessoas entram. Porque ele pegou todo o dinheiro do Botafogo, todos os prêmios ganhos, Brasileiro, Libertadores das Américas, a premiação para o Botafogo jogar nos Estados Unidos o Mundial, mandou tudo para o Lyon. Ele apostou em um projeto dele, em um multiclubes. O sonho dele era fazer um IPO nos Estados Unidos. Com o Crystal Palace, com o Molenbeek, com o Botafogo, com o Lyon. E mais algum clube que ele iria comprar. O sonho dele era fazer um IPO nos Estados Unidos. “Eu já ganhei no Botafogo, eu sou ídolo lá. Ganhei dois títulos”. O Botafogo não ganhava títulos há muito tempo. “Então vamos pegar essa grana aqui e vamos fortalecer o Lyon”. E foi tudo para lá.

E aconteceu o seguinte. O olho dele ainda cresceu mais ainda, porque ele tentou entrar no direito de transmissões esportivas na França. Aí o pessoal falou, “não, aí não. Aí você não vai poder entrar. O Lyon está cheio de buracos. Se você entrar nisso, o Lyon vai ser rebaixado para a segunda divisão”. Ele foi obrigado a sair da França. Ele deixou a Michele Kang, que era uma sócia minoritária dele, sul-coreana, tomando conta do Lyon, por exigência da CBF da França, da Federação Francesa de Futebol. Então, e aí? Ele não ficou no Lyon e levou o dinheiro do Botafogo todo. “Ah, não, mas nós temos o ativo, os jogadores”. Todos foram vendidos. Um a um. Tem coisas assim que a gente nunca viu, nunca vai ver. Estamos aguardando agora uma auditoria – declarou Montenegro.

E eu, veja bem, eu não tenho ódio de ninguém, não tenho raiva de ninguém. O Textor, na fase boa dele, no filme SAF 01, não no filme de terror SAF 02, mas ele me deu talvez a maior alegria da minha vida no mundo esportivo. Por acaso, foi um dia que eu estava com a minha mulher, com todos os meus filhos, todos os meus netos, e a gente assistiu aquele espetáculo. Parecia uma ópera. Parecia um balé do futebol. A gente assistiu aquilo, e eu estava junto com todo mundo que eu amo, cara. Então, eu vou ter ódio de uma pessoa dessa? Não. Mas que bom que o social e os botafoguenses aí existem, porque eles descobriram que o Textor apostando – complementou.

Fonte: Redação FogãoNET e Band

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