Marlon Freitas foi campeão brasileiro e da Libertadores pelo Botafogo como capitão em 2024. Deu a volta por cima de um ano difícil. Pareceu ter conquistado uma conexão eterna com o clube. Mas em 2026 tudo mudou. A confusão no fim do jogo com o Palmeiras foi apenas o estopim.
A saída de Marlon Freitas para o Palmeiras até foi bem digerida pela torcida. O que incomodou foram declarações do volante, como eleger o título paulista como o mais especial da carreira. Mas será que a relação sempre foi boa?
Em entrevista ao livro “É Tempo de Botafogo”, dos jornalistas Claudio Portella e Rafael Cazé, lançado em 2025, Marlon Freitas revelou incômodo por ter seu nome pichado em muro no início de 2024. Na época, também houve faixa no estádio pedindo sua saída.
– Muita coisa me marcou. Algumas críticas eu concordo, outras não. Muita coisa me marcou. Nome no muro. Enfim, me vaiaram, o torcedor paga ingresso, claro que é ruim. Não estou falando que é bom. Não tem um super-herói do lado, sou um ser humano igual todo mundo. Eu sinto. Minha família sente. Minha família ficou muito tempo sem ir a jogo. Então, isso pra mim é ruim. É como se eu estivesse sozinho. Então, quando não tem a minha família aí, por esse motivo, é ruim pra mim. Por alguma coisa não deu pra ir, é normal. Mas por esse motivo… E eu tentei blindá-los dessa situação. Até para os meus filhos não verem o pai ser vaiado, ter o nome lá pedindo a saída e tal. Você explicar isso pra uma criança é ruim. Por muito tempo a minha família ficou sem ir a um estádio – contou Marlon.
– Por muito tempo, eu fiquei calado. Praticamente 2024 todo. Só deixando meu trabalho falar, minha dedicação, meu comprometimento. E, assim, foi difícil. Não foi fácil. Começo do ano, aquela coisa sai e fica. Muita coisa na minha cabeça. Se eu tinha que ficar, se eu tinha que continuar a história. Só que pra mim, eu acredito muito que, quando você passa por um momento desse, tem algo preparado pra você. Individualmente e pelo contexto, para o Botafogo também. Porque o Botafogo já vinha sofrendo há muito tempo. E quando tem aquela chance de você vencer um título com 13, 15 pontos de frente, e você perde, eu sabia que o Botafogo ia ser o campeão em algum momento. E eu sabia que tinha algo preparado pra mim. Eu só não sabia que eu e o Botafogo iríamos ter esse roteiro juntos no ano seguinte (2024) – declarou Marlon Freitas.
Na época, o jogador mostrou preocupação com a forma que ficaria lembrado no Botafogo. Hoje, certamente é bem diferente do que ele pensou.
– O título que eu quero ser lembrado, claro que, para o externo, ficam as conquistas materiais, troféu ali e tal, as taças. Mas internamente é o lado humano, sabe? Um cara que trabalha, que ajuda as pessoas. Um cara que nunca desistiu. Um cara que sempre colocou todo mundo pra cima, que tenta alegrar o dia a dia, que preza pelo ambiente. Eu acho que essa vai ser a minha maior conquista dentro do clube. Ser lembrado de uma forma positiva internamente. E isso vai ser uma alegria muito grande pra mim, depois que esse ciclo finalizar, que a história terminar, ver pessoas falando, seja nas mídias, seja pessoalmente também, quando tiver esse encontro, assim, e falar a admiração, o carinho, o legado que eu deixei internamente no clube. Eu acho que não tem conquista maior do que essa – frisou.