Comentarista de arbitragem do Grupo Globo, Paulo Cesar Oliveira apontou o posicionamento errado de Wagner do Nascimento Magalhães como principal motivo para ele ter deixado de expulsar Saldivia por falta em Matheus Martins, no fim do primeiro tempo de Vasco x Botafogo. O zagueiro recebeu apenas cartão amarelo, mesmo com o atacante botafoguense sendo o último homem.
– No começo dessa jogada, quando o Botafogo vai sair com a bola, o Wagner acabou fazendo um movimento que é antigo, que a gente fazia muito e os instrutores orientavam: quando vinha a jogada, a gente tinha que parar, afastar, deixar a jogada fluir e depois você ia buscar. Mas, hoje em dia, com a rapidez do jogador, com a rapidez da jogada, os times contra-atacando muito rapidamente, o árbitro precisa fazer a leitura e a antecipação. Nsse tipo de jogada não pode ficar parado no meio do campo para esperar a jogada fluir, porque depois você ficou longe – explicou PC no “Troca de Passes”, do SporTV.
– Aí ele não tem mais condição de avaliar, e esse tipo de falta o árbitro deve avaliar exatamente na hora que a inflação é cometida. Por quê? Quando você vem correndo, até você chegar no local da infração e apitar, o jogo já mudou de configuração, o goleiro já está saindo, a zaga já está chegando. Olha o posicionamento da defesa do Vasco, Cuiabano está muito distante, o outro defensor ficou completamente atrás. Essa ação do Saldivia, por mais que a bola tenha uma direção reta, o Matheus Martins tinha toda a condição, depois desse toque na bola, ele iria para o confronto com Léo Jardim. Isso para mim é um lance claríssimo, essas avaliações têm que fazer na hora da falta – continuou.
Se Wagner Magalhães errou no campo, o VAR Rodrigo D’Alonso Ferreira (VAR-Fifa/SC) errou ainda mais, na avaliação de PC, já que ele tinha todas as câmeras e, ainda assim, não recomendou a revisão, deixando de cumprir a regra do jogo de forma correta.
– O VAR tem essa imagem aberta, com a câmera de impedimento para poder avaliar o posicionamento do jogador. Tivemos duas expulsões recentemente, muito parecidas, em lances assim. Medina no Arias em Botafogo x Palmeiras, e Brasil x França, na expulsão do Upamecano. Muitas vezes o árbitro fica analisando só a direção, mas é a direção que o jogo está fluindo. Depois dessa falta, o Matheus Martins chegaria com condição de dominar a bola e fazer o gol.
– O VAR tem acesso a todas as imagens. Como é um lance de interpretação de situação clara de gol, mesmo se não tiver o toque, o VAR precisa chamar. Você perdeu uma situação clara de gol, tinha que ter chamado, porque é um lance de expulsão. Você perdeu uma situação clara e manifesta de gol. Muito provavelmente o D’Alonso entendeu como um ataque promissor, e não como uma situação clara de gol – encerrou PC.