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Preparador físico destaca importância de adaptação a modelo de jogo de Artur Jorge, ritmo alto de treinos e ‘mentalidade vencedora’ do Botafogo

Por: FogãoNET

- Atualizado em

Preparador físico destaca importância de adaptação a modelo de jogo de Artur Jorge, ritmo alto de treinos e ‘mentalidade vencedora’ do Botafogo
Vitor Silva/Botafogo

Preparador físico do Botafogo, Tiago Lopes deu entrevista interessante ao canal “Ciência da Bola”, no YouTube. Integrante da comissão técnica de Artur Jorge, o profissional abordou diversos temas, como por exemplo como adapta seu trabalho de acordo com o estilo de jogo implantando pelo treinador.

– É uma questão muito importante. Eu, como preparador físico do staff técnico do Mister, acho que tem que haver um grande entendimento do modelo de jogo da equipe técnica, porque a partir daí, no nosso entendimento, funciona todo o resto, ou seja, a parte física. Nós não conseguimos, na nossa visão, dissociar uma coisa da outra, não conseguimos dissociar a parte tática, da parte técnica, da parte física, da parte psicológica. Nós vemos o treino como um momento de envolver todas as partes. Obviamente que há momentos em que tu tens que ter algum trabalho físico analítico separado daquilo que é o resto, porque há condições físicas e capacidades físicas que assim o exigem, mas a verdade é que eu acho que é importante teres um entendimento muito forte do modelo de jogo, porque a partir daí vais conseguir entender o que é que é realmente necessário para tu conseguires trabalhar para melhorares os teus jogadores, para fazeres sempre um trabalho em concordância uma coisa com a outra – explicou.

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Mudança da Europa para o Brasil

– A nossa forma de trabalhar não mudou assim de uma forma muito grande, é semelhante. Tem algumas questões que nós temos que adaptar, fruto do calendário. Em Braga, por exemplo, nós conseguíamos ter muitas mais semanas padrão, ou seja, um jogo só de semana a semana, onde tu não tinhas mais tempo para trabalhar, conseguias efetivamente trabalhar todas as capacidades físicas. Aqui, tendo em conta a quantidade de jogos que tens, tens diretamente que aqui alterar um bocadinho o teu planejamento. Ou seja, há momentos em que tu tens que privilegias umas capacidades em prol de outras, que achas que são mais importantes. Os jogadores que jogam sempre mais tempo têm menos necessidade de estímulo físico, de serem mais estimulados, porque a verdade é que o jogo dá-lhes tudo aquilo que eles precisam, ou quase tudo, não é? Obviamente que depois tens de ter aqui alguma gestão também nesta equipe que joga, tens que lhe dar ali sempre que possível os estímulos que achas necessário. Em contrapartida, os atletas que infelizmente jogam menos, aí o planeamento tem que ser diferente, porque os jogadores têm que ter um planejamento e um estímulo que os mantenha aptos para poderem vir a jogar. Ou seja, na eventualidade de acontecer alguma coisa, ou simplesmente só uma mudança, ter os jogadores sempre preparados e que consigam dar resposta. Eu acho que aqui a grande questão, a grande diferença, é realmente o calendário competitivo. Muda pouco na nossa forma de ver e na nossa forma de treinar, aquilo que nós achamos que é importante.

Recuperação

– O que fazemos é uma gestão ligeiramente diferente, em termos de planeamento. Muitas vezes tens menos sessões de espaço reduzidos, por exemplo, porque eventualmente o tempo também não permite. Quem joga mais tem menos necessidades, quem joga menos também tem que ter treino um bocadinho mais forte. O Botafogo promove, e temos essa vantagem, termos voos fretados, que nos ajuda muito e que nos retira muito tempo, muitas das vezes, de fazer escalas. Perdes menos tempo no aeroporto, ou seja, por si só, vais muito mais confortável também, que é uma coisa boa, que também ajuda, tanto na viagem para jogar como na viagem de regresso. Ou seja, para mim é uma vantagem logo muito grande.

– A partir daí, tentamos promover os pilares principais da recuperação, que são o sono e a alimentação, depois temos todos os outros que são acessórios, mas tentamos garantir sempre, pelo menos, estes dois. Enquanto é esta questão, às vezes viagens, em que chegas um bocadinho mais tarde, tentamos aqui, ou muitas vezes mesmo em jogos em casa, quando terminam muito tarde, tentamos fundamentalmente garantir noites de sono reestruturantes e recuperadoras. Ou seja, tentar dar-lhes tempo para que eles possam, efetivamente, dormir, descansar, que é o mais importante, que se alimentem bem.

– Nós felizmente também temos um bom departamento de nutrição no clube, que favorece grandes condições para os jogadores e um grande suporte nesta questão da alimentação, porque vemos isso como um pilar base para a recuperação. E depois, eventualmente, nas sessões de treino, tentarmos ter aqui muita gestão. Temos também um departamento médico muito, muito especializado nas questões de recuperação, sempre com muita atenção a esta questão, seja com botas de compressão, seja com massagens, seja com os banhos, a imersão em água fria, seja o contraste, ou seja, há aqui um controle muito grande no que toca à recuperação. A verdade é, para nós os principais, efetivamente, são o sono e a alimentação. São aqueles que nós sabemos perfeitamente que têm maior impacto na recuperação do atleta e, portanto, são aqueles em que nós damos muito mais ênfase em relação aos outros. A verdade é esta.

Chegada ao Botafogo

– Felizmente, foi um início muito bom para nós, porque nós fomos, efetivamente, muito bem recebidos no clube, tanto pelo staff como pelos jogadores, foram muito receptivos a nós. Foi uma grande motivação. Já vínhamos motivados e chegamos daqui tão bem recebidos que nos ajudou ainda mais no processo. Depois a parte boa é que, felizmente, também tínhamos alguns jogadores no plantel que já tinham estado, efetivamente, ou em Portugal ou na Europa, já tinham sido também treinados por alguns treinadores portugueses. E tinha a questão também da temporada passada do Mister Luís (Castro) e do Mister Bruno (Lage), que tinham estado cá, justamente também no Botafogo. Portanto, acho que isso acabou também por facilitar um bocadinho a adaptação ao nosso processo. O treinador português, ultimamente, tem estado muito bem cotado a nível mundial, com bons trabalhos de sucesso. Mesmo aqui no Brasil temos tido bons exemplos de sucesso. E acho que tudo isso acaba por ajudar um bocadinho na adaptação e na aceitação das ideias.

Mentalidade do elenco

– Outra questão foi que nós chegamos, tivemos um começo mais atribulado, mas depois acabamos por encaminhar, e acaba por também os jogadores terem comprado bastante a ideia da nossa equipe técnica, principalmente do Mister, e isso ajuda também. Essa onda de pensamento positivo, os resultados positivos, acabam por também tudo fazer parte e tudo ajudar neste processo de aceitação do trabalho. Depois outra questão, eu fiquei extremamente agradado quando cheguei, porque vi que os nossos jogadores, e falo dos nossos porque não conheço outro contexto, acabam por me fazer perceber que são muito trabalhadores, dedicam-se muito ao treino, dedicam-se muito à sua condição física, gostam de trabalhar, têm gosto pelo trabalho, gostam de treinos intensos, ou seja, não tiram o pé, não desaceleram. Isso para nós como treinadores é uma questão muito importante, é muito motivante treinar jogadores que se dedicam ao máximo. Uns puxam os outros, porque todos temos dias maus, e às vezes podemos ter um atleta com um dia menos bom, que as coisas não estejam sendo tão bem, a verdade é que o próprio grupo ajuda muito, puxa muito uns pelos outros e não deixa o treino cair. O treino tem sempre muita intensidade, são agressivos, não vão sentir, isso nota-se, e depois dedicam-se muito bem. Ou seja, para nós, recém-chegados, ter esta recepção, com este nível de empenho, com este nível de trabalho, ajuda muito, ajuda muito.

Nível dos treinos

– Na nossa forma de treinar, como equipe técnica, nós privilegiamos muito essa questão, muito treino dinâmico, muita intensidade no treino, e quando digo intensidade, temos intervalos com pouco tempo de recuperação, tentamos jogar a frequência cardíaca lá para cima, sejam espaços reduzidos, espaços curtos, ou seja, todo o tempo do treino nós aproveitamos que seja e queremos que seja sempre em alta intensidade. E a alta intensidade tem vários parâmetros, mas nós tentamos implementar a nossa ideia, é ritmo alto, treinos agressivos e muitos intensos. E isso gradualmente foi encaixando, ou seja, encaixando a ideia de jogo e o modelo, juntamente com esta capacidade de tomar a decisão, esta capacidade física, de decidir rápido, muitas vezes em espaços curtos, ou espaços um bocadinho maiores. Acabou por ajudar e por melhorar a qualidade e a performance da equipe. Nós tentamos preparar os jogadores para o jogo e tentamos que o treino seja o mais completo possível. Nós sabemos que o mais completo é sempre o jogo, mas tentamos que o treino seja sempre muito completo, em estímulos, em intensidade. Foi isso que nós alteramos, ou que implementámos, até porque não temos grande conhecimento anteriormente. Cada um tem a sua forma de treinar, a nossa forma é um bocadinho mais agressiva, entre aspas, porque a verdade é que é muito intenso. Tentamos também depois ter uma atenção muito grande naquilo que é a nossa progressão de lesões e gestão de carga, sempre individualmente, e eu acho que depois isto também ajuda ao longo do ano é que os jogadores estejam sempre melhores, continuamente conseguem treinar sempre certo, conseguem jogar. Isto é uma coisa que também fomos melhorando ao nível da época. Nosso modelo passa por espaços curtos, intermédios ou grandes, aquilo que nós acharmos que é necessário, mas sempre com intensidade muito alta, pois essa intensidade acaba por passar para o jogo. É sempre esse o nosso foco, essa manutenção da intensidade. Como temos tão pouco tempo para treinar, também não podemos dar grandes cargas, a intensidade acaba por ser um bom parâmetro de preparação para o jogo.

– Na nossa visão, equipes que jogam bem estão sempre melhor preparadas fisicamente, e portanto, em qualidade de jogo, acho que acima de tudo vai de encontro à capacidade física. Se nós estivermos bem com bola, ou sem a bola, se nós estivermos a jogar bem, fisicamente vamos estar bem. E isto ajuda-nos muito a pensar no treino e a pensar no jogo, mas é tudo pensado de uma forma muito organizada e planejada ao longo da semana e do próprio dia. Ou seja, sempre de uma forma muito crescente.

Controle de carga

– Nós, pelo menos no Botafogo, temos duas formas diferentes de olhar para a carga. Temos a questão da carga interna, a questão da carga externa. E, neste caso, a questão da carga interna, nós utilizamos muito, na carga externa, utilizamos muito o GPS, é majoritariamente a nossa ferramenta. Tentamos elevar a equipe até um padrão de carga que nós achamos que é o mais acertado, que é o correto. E, a partir daí, de uma forma crônica, tentamos manter sempre este padrão de carga sempre equilibrado. Tentamos, através de várias estratégias, seja ela de distância percorrida, seja ela de alta intensidade, distâncias em alta intensidade, acelerações ou desacelerações. Temos aqui, eu diria, seis, sete parâmetros, onde nós olhamos de uma forma mais atenta. Tentamos equilibrar, para não haver aqui grandes discrepâncias de carga, então tentamos manter sempre isto alinhado, até porque nós sabemos que nos favorece na questão da prevenção de lesões. Temos outras questões, como marcadores bioquímicos, que podemos controlar, mas isto tem mais a ver com a questão do desgaste ou o cansaço para ir para o jogo, que nós também utilizamos de uma forma muito intensa, muito atenta também, que nos ajuda muitas vezes a tomar decisões, a fazer algum tipo de gestão, dentro da própria semana de trabalho.

– Acima de tudo, o que nós temos é um olhar muito atento a esta questão da carga externa. Tentamos sempre mover e estimular da forma que achamos melhor e tentamos manter sempre aqueles níveis sempre controlados. Muitas vezes não é possível, às vezes por uma questão de um jogo mais intenso, ou uma semana às vezes um bocadinho maior, e que às vezes nós temos também alguma dificuldade em controlar, porque também queremos treinar quando não é possível e quando temos algum tempo, queremos treinar. Tentamos manter sempre aqui isto muito equilibrado, que eu acho que nos tem favorecido.

Força

– Fazemos trabalho de força tanto dentro da academia como eventualmente fazemos dentro do campo. E normalmente, coincido sempre em dias específicos. Ou seja, também tentamos, para além da nossa ativação em campo, ser uma preparação para aquilo que vai acontecer depois no resto do treino, tentamos também que o treino da academia seja enquadrado com aquilo que vai acontecer na ativação do campo. Tentarmos fazer aqui um trabalho sempre super integrado. É evidente que a equipe que joga mais tem menos possibilidade de fazer trabalho de força, força máxima, porque a verdade é que o calendário também não o permite. Fazemos outro tipo de força, às vezes uma força um bocadinho mais explosiva, uma potência. E então tentamos sempre que o trabalho da academia seja sempre integrado com aquilo que vai acontecer no campo. E isso tem sido uma forma muito boa que nós temos conseguido realizar o trabalho. A verdade é que temos também dois profissionais na academia muito bons e muito especializados nesta área, que me tiram também alguma preocupação desta matéria, porque entrego a eles todo o trabalho específico da academia, o que a mim já me deixa mais preparado e mais focado na questão do campo. O trabalho de força é muito importante, tendo em conta a longevidade e a competitividade do campeonato. Tentar manter níveis de força sempre altos, sempre jogadores preparados. E tentamos e temos uma grande preocupação sempre em estimulá-los dentro na academia e mesmo fora no campo. Muitas vezes seja ela com estímulos um bocadinho mais pequenos ou estímulos maiores. Vamos ter depois também essa gestão, dependendo do calendário, mas temos muita preocupação em que eles cumpram e que eles façam sempre que possível. E isto é um foco muito grande do nosso apartamento.

Razões do momento do Botafogo

– Acho que o sucesso é sempre multifatorial, ou seja, nós temos sempre diversas razões para o sucesso acontecer. Quando nós chegamos e o Mister propôs-se, é muito intenso nas palavras, muito competitivo, tem uma mentalidade vencedora. Tem esta capacidade de poder passar e desenvolver esta mentalidade para o grupo. Quando nós chegámos e vimos um grupo que trabalho, um grupo que se dedica, criando esta mentalidade vencedora de reagir às adversidades, que independentemente daquilo que acontecer, nós vamos sempre à luta, entramos sempre para ganhar em todos os jogos, esta mentalidade vai evoluindo e vai crescendo. Depois, juntamente com tudo, com os bons resultados, a forma como a equipe tem vindo a jogar, tudo isso favorece esta onda positiva de mentalidade forte. Nós, muitas das vezes, temos também esta percepção. Nós já tivemos alguns jogos deste ano em que predominantemente aquilo que aconteceu foi a nossa capacidade de luta, a nossa resiliência, a nossa agressividade, e nunca desistir, seja ele o objetivo que for. Esta criação desta grande mentalidade à volta do grupo, à volta do clube, porque toda a gente pensa o mesmo. Isto não é só uma questão de staff ou equipa técnica, ou de jogadores. Todo mundo pensa de uma forma muito idêntica.

– Independentemente do desfecho final do campeonato, isto é uma coisa que fica e que marca, que é a nossa mentalidade enquanto equipe, e aquilo que nós estamos dispostos a fazer, e que nós estamos dispostos a lutar. Eu lembro-me corretamente de nós este ano, já ganhamos, já empatamos vários jogos, nos últimos minutos, porque a equipe precisamente nunca desistiu, e vai sempre à luta. E depois de tudo isto, aliado a qualidade, a capacidade física da equipa, a agressividade, e esta mentalidade vencedora, acho que tem sido um fator diferenciador da nossa equipe. É verdade que um coletivo forte desenvolve individualidades e promove muitas individualidades, felizmente temos tido a evolução dos jogadores. Esta mentalidade vencedora de todo o grupo e todos os jogadores, e da equipe, e do clube, ajuda muito na nossa forma de trabalhar. E a verdade é que tem sido um caminho, na minha opinião, brilhante, ou muito bom. Temos deixado uma marca muito boa, independentemente do final, porque obviamente, a Libertadores é um jogo, que tantas vezes pode acontecer tudo, mas a verdade é que acho que nós, com esta mentalidade, e com esta forma, estamos sempre muito mais perto de ganhar. Acreditamos muito nisto. Acreditamos muito neste processo, passo a passo, uma coisinha de cada vez, sempre, pouco a pouco, jogo a jogo, vamos sempre, elevando o nosso nível, vamos sempre melhorando. Isso tem sido um fator, se eu tivesse que eleger um, acho que teria sido um fator muito importante para nós, esta questão, esta criação desta mentalidade vencedora.

Fonte: Redação FogãoNET e canal Ciência da Bola

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