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Presidente de agência de fair play financeiro da CBF: ‘Não há restrição a aporte de capital, mas não pode ter dívida como contrapartida’

Por: FogãoNET

- Atualizado em

Presidente de agência de fair play financeiro da CBF: ‘Não há restrição a aporte de capital, mas não pode ter dívida como contrapartida’
YouTube/O Globo

Em tempos de implementação de fair play financeiro no futebol brasileiro, a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) esclareceu assuntos que podem ter a ver com o Botafogo. O presidente Caio Resende deu entrevista ao podcast “Toca e Passa”, de “O Globo”.

Um dos temas foi a possibilidade de um dono querer realizar aportes, o que tem a ver com a situação de John Textor no Botafogo. A resposta foi clara.

– O regulamento de sustentabilidade do Fair Play Financeiro é um grande instrumento de proteção dos clubes brasileiros. Como um todo. Entende-se que o clube brasileiro, um clube de futebol, é um ativo da sociedade brasileira, é um instrumento de representação de uma identidade que às vezes é de um bairro, de uma cidade, de um estado, de um país. Então, o regulamento de sustentabilidade financeira é nada mais que uma forma da CBF dizer “cara, isso aqui é tão valioso, isso aqui vale tanto para a sociedade brasileira que quem vier aqui administrar um clube de futebol vai ter que seguir diversas regras para garantir a sustentabilidade desse clube a médio e longo prazo”. Então, assim, o que que por exemplo o regulamento vai impedir que alguém faça? Um proprietário vem e compra um clube e parte para uma estratégia de crescimento baseado em endividamento excessivo. Então, “eu vou endividar muito o clube para crescer e crescer rápido”. Não, não vai. Isso é proibido pelo nosso regulamento. Então, qualquer proprietário, seja de SAF, seja um presidente de um associativo, não vai poder recorrer à estratégia de endividamento agressivo para buscar alçar um crescimento acelerado em um clube de futebol porque a gente entende que isso coloca em risco a sustentabilidade do clube a médio e longo prazo. Então, esse tipo de comportamento vai ser barrado – iniciou Caio Resende.

– “Ah, e se um dono que vier e quiser botar muito dinheiro no clube?” Cara, não tem problema nenhum. A gente não tem qualquer restrição ao aporte de capital no clube de futebol desde que esse aporte de capital venha na forma que a gente chama de aumento do patrimônio líquido, que é um conceito contábil para dizer o dinheiro tem que vir para chegar no clube. Não pode ser um dinheiro que tenha como contrapartida uma dívida. Então, é o proprietário na pessoa física emprestando para o clube de futebol depois podendo cobrar. Isso não pode. Então, o que a gente tem é isso. É um conjunto de regras que visa garantir que determinados tipos de comportamento, determinados tipos de estratégias de crescimento que são muito arriscadas, elas não venham a ser aplicadas no clube de futebol porque, como eu disse, o clube de futebol é um ativo muito valioso da sociedade brasileira e a CBF se colocou no papel de preservação desses ativos – avisou.

Outro assunto foi como serão tratados os sistema multiclubes. O Botafogo, por exemplo, nos últimos anos se utilizou bastante da estratégia na Eagle, como Lyon, Crystal Palace e RWD Molenbeek como parceiros até então.

– O que o regulamento faz é botar uma série de regras para esse relacionamento entre clubes. Então, por exemplo, tem um anexo lá que diz como é que, se eu vendo um atleta de um clube, um atleta do meu clube para um outro clube da mesma estrutura de propriedade, tem lá regras de como que essa venda tem que ser registrada no balanço. Eu não posso chutar um valor. O regulamento coloca regras de qual o valor que tem que ser dado a essa transação para evitar que haja transferências declaradas sobre valores suspeitos. Já houve casos no passado em outros sistemas de Fair Play no mundo em que as regras foram burladas. Por exemplo, “ah, eu não posso ter um prejuízo”. A estrutura multipropriedade via que um clube ia ter prejuízo e, de repente, vendia um jogador da base por 100 milhões para o outro para registrar algum tipo de lucro contábil ali que não correspondia à realidade – ponderou Caio Resende.

– Então, assim, o regulamento, hoje em dia, até se reaproveitando da experiência internacional, traz uma série de regras que regulam essa relação multiclube. Não me importo com o efeito caixa dessa venda, assim, para onde o dinheiro foi, mas essa venda para fins indicadores do regulamento de sustentabilidade, ela tem que ser registrada de forma X, Y, Z para evitar qualquer tipo de manipulação dos indicadores do regulamento por meio dessas regras, né? Eu acho que esse é até um ponto que mostra como fez falta no Brasil no passado um regulamento de sustentabilidade brasileira. Porque, pensa, você está numa estrutura como hoje existe, numa estrutura multiclube, em que eu tenho alguns clubes que estão dentro de um país que tem sistema de sustentabilidade financeira e eu tenho um clube que está dentro de um país que não tem. Então, qual que é o meu incentivo? “Cara, para eu atingir as regras aqui, meu incentivo é jogar meu dinheiro do clube do Brasil para lá, porque se eu tiver muito prejuízo aqui no Brasil, ninguém vai se importar, porque não tem nenhum regulador olhando, mas lá fora eu tenho reguladores olhando. Então, eu mando meus ativos para lá, mando o dinheiro para lá para garantir que eu estou atingindo as regras lá”. Mas isso naturalmente prejudica o clube brasileiro. Então, o clube brasileiro, às vezes, fica com um grande déficit no balanço, porque antes não tinha ninguém olhando e ninguém falando, você não pode fazer isso, agora tem. Agora tem regras aqui também que, alinhadas com as melhores práticas do mundo, dizem, você não pode ter prejuízo excessivo nesse clube aqui, você não vai poder recorrer a esse tipo de estratégia – finalizou.

Fonte: Redação FogãoNET e O Globo

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