Programa debate reflexos de entrevista de John Textor e explica questão de Botafogo como ‘garantia’: ‘Não há grandes problemas’

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Por FogãoNET

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Programa debate reflexos de entrevista de John Textor e explica questão de Botafogo como ‘garantia’: ‘Não há grandes problemas’
Vitor Silva/Botafogo

A entrevista de John Textor ao ‘L’Équipe’ na França segue repercutindo. O acionista da SAF do Botafogo falou principalmente sobre o Lyon, mas diversas declarações foram sobre o Alvinegro.

Uma delas foi sobre o empréstimo de quase R$ 3 bilhões que John Textor pegou com a Holding Cannae, em que parte ou toda linha de crédito pode ser convertida em ações da Eagle Football, a rede global de clubes do empresário americano.

– Para ganhar a concorrência, tive que mostrar que tínhamos dinheiro disponível. A maneira mais rápida de fazer isso era pegar uma linha de crédito de um grupo chamado Cannae Holding Company, que era ligada ao senhor Foley. Comprometi todos meus bens do Botafogo, Crystal Palace e Molenbeek, assim como outros bens pessoais, para garantir o empréstimo. Por isso que sou o dono majoritário. Precisávamos desse plano de financiamento para fazer o negócio. É o mesmo para todas as grandes aquisições, como foi o do Chelsea. Não estamos nos endividando no Lyon, isso é o mais importante – explicou Textor, ao “L’Équipe’.

O programa “Redação SporTV” debateu o assunto, colocou algumas preocupações em relações ao Botafogo, mas minimizou a questão da “garantia”.

– Queria avaliar se essa entrevista traz algum tipo de preocupação para o torcedor do Botafogo, porque o Textor trata Lyon como joia da coroa do investimento dele – disse o apresentador Marcelo Barreto.

– Inclusive dá o Botafogo como garantia – acrescentou Alicia Klein.

Essa garantia o pessoal do mundo de negócios estranha menos. Não foi só o Botafogo, deu a parte dele em todos os outros clubes como garantia para ter o Lyon – explicou Marcelo Barreto.

– Na prática é isso. Ele disse que a tradução se perdeu um pouco, mas meus amigos que entendem francês disseram que foi isso que ele falou, que gastou com quem não deveria. É um pouco a preocupação que os torcedores têm com a SAF. É um caminho necessário para muitos clubes, mas traz essas coisas. Tinha interesse no Lyon, deu os outros clubes como garantia, inclusive o Botafogo. Dá uma sensação de que não é o principal, porque não está no mercado mais valioso, mas tratou como de terceiro mundo, ao falar em mexer em tudo, gramado, em técnico reclamando de arbitragem. Mas disse “me apaixonei no projeto, me envolvi mais, gastei o que não deveria”, senti que faltou um pouco de profissionalismo de tratar o Botafogo como merece, como as outras propriedades dele – continuou Alicia Klein.

O apresentador Marcelo Barreto voltou no assunto da ‘garantia’.

– Tomada literalmente, essa garantia que dá do Botafogo, Crystal Palace e clube da segunda divisão da Bélgica (RWD Molenbeek) podemos interpretar que o Lyon é tão importante que abre mão de todos os outros. Se der ruim, pode levar. O pessoal do mercado financeiro diz que não é bem assim, que não vai ser precisar executada. Na cabeça do torcedor do Botafogo, a preocupação central é qual a posição do clube na cadeia do John Textor, início ou fim da fila? Tudo isso é importante para quem vê seu time administrado por um conglomerado – opinou.

Milton Leite também não viu problemas no tema.

– O torcedor pensa “será que vai investir no Botafogo para ser campeão?” Para quem é negociante deste porte, o Botafogo é uma propriedade. Por isso usa como garantia. Aí não há grandes problemas. Do ponto de vista da economia, é isso mesmo, uma empresa do grupo. Não vejo grandes problemas. O que acho é que quando trata que gastou mais, está desprezando um pouco o Botafogo. Vamos ter que nos acostumar com esse tipo de comportamento, para nós futebol é paixão, torcedor quer o time campeão, para o empresário é negócio. Por mais que se envolva, quer o Botafogo dando lucro. O que também é ótimo, porque quem gera lucro gera resultado mais à frente – salientou Milton Leite.

– Já falei da comunicação do Botafogo. Tem que comunicar que é um processo de longo prazo, o time vai sendo preparado, não está comunicando isso ao torcedor. Agora tem que comunicar o novo jeito, o grupo empresarial, o Botafogo hoje é uma empresa para dar lucro. Esse choque que causa um pouco de impacto quando lemos a declaração dele – completou.

Alicia Klein finalizou o assunto.

– A minha crítica não é à garantia, porque isso faz parte. O que me incomoda é tratar como terceiro mundo, falar de grama, falar que o Enderson (Moreira) reclamava de arbitragem. Tratar como segunda categoria. Não dá para fazer, porque é o investimento dele, o produto que ele mesmo adquiriu – concluiu.

Fonte: Redação FogãoNET e SporTV

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