Rodrigo Bellão tem motivos para sorrir de sobra. Depois da vitória em cima do Vasco de virada, no último jogo dele como interino no Botafogo, o treinador abriu seu coração na entrevista coletiva e relembrou as dificuldades que encontrou ao longo da carreira. Ele rodou por diversos clubes de São Paulo, como Mogi Mirim, Atibaia e Grêmio Osasco, jogando a Quarta Divisão do Paulista, e agora colhe os frutos de tanta luta.
– Sou essa pessoa com energia, sou uma pessoa sorridente. Já passei por quarta divisão, por terceira divisão de São Paulo, já passei por Série B de Brasileiro, por situação de rebaixamento, por situação de ficar seis meses desempregado por estar trabalhando no profissional e com a minha esposa grávida. A gente trabalha na fase ruim para, no dia em que a gente chegar na fase boa, a gente estar sorrindo sempre. E acho que, se eu sorria naquele momento, não tem porquê eu não sorrir. Não adianta eu ter palavra, as pessoas têm que enxergar em mim o que eu passo de mensagem. E acho que essa ideia de acreditar sempre, acreditar até o fim… O Kadir, toda vez que dava uma entrevista, o “Bellón” falava “acredita, acredita”, e ele sempre acreditava até o final e roubava a bola e fazia o gol, ou entrou igual fez aquele jogo em que fez dois gols, sabe? – iniciou Bellão.
– Já vivi muita coisa. Eu tenho 19 anos de carreira e, nesses 19 anos, a minha família me sustentando por muitas vezes. Fiquei cinco meses desempregado em 2015 com a minha esposa grávida e ela tendo que trabalhar para a gente pagar o nosso aluguel. Então, passando por esses momentos, que é sem a minha esposa, sem meu filho hoje, sem meus pais, minha família, eu não estaria aqui. Hoje eu poder colher dez anos depois de viver uma quarta divisão de São Paulo e estar jogando uma Série A, um clássico e ganhar e podendo ajudar a nossa equipe, para mim, é um sonho de menino. Todo mundo aqui nessa sala tem um sonho, eu sou só mais um. Já não estou mais tão menino com 39 anos, mas tenho os meus sonhos – completou.
Rodrigo Bellão também fez um agradecimento especial a Alessandro Brito, diretor de gestão esportiva, e Léo Coelho, diretor de coordenação de futebol, que o trouxeram para o Botafogo em fevereiro de 2025, após dois meses sem trabalhar depois de sair da base do Athletico-PR.
– Gostaria de aproveitar também, já que eu falei de família, de agradecer não só a toda a minha família, mas também agradecer àqueles dois caras ali [Brito e Coelho] pela oportunidade que eles me deram, porque eu estava em casa, desempregado, em janeiro do ano passado. Se não fossem eles me trazerem para cá, se não fossem eles, com um pouco mais de um mês de clube, me ofertarem o sub-20 também, acreditando na minha pessoa, no projeto… Sem eles, eu também não teria essa oportunidade de estar aqui, porque eu passei por alguns momentos de início no sub-20 que não foram fáceis, sofrendo algumas goleadas, para depois a gente conseguir ter rumo nas coisas – finalizou.