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Raphael Rezende cita ponto para adaptação de Montoro no Botafogo e diz: ‘Tecnicamente, é indiscutível’

Por: FogãoNET

Álvaro Montoro em Botafogo x Grêmio | Campeonato Brasileiro 2026
Vítor Silva/Botafogo

Revelado pelo Vélez Sarsfield, Álvaro Montoro chegou ao Botafogo em 2025 com expectativa elevada. O meia argentino vem fazendo bons jogos, sobretudo na parte técnica, e está em evolução. No canal “Footure”, o ex-head scout Raphael Rezende contou que o clube já o acompanhava e citou que a adaptação não é instantânea.

– Tecnicamente, cara, para mim é indiscutível, assim. Jogadoraço desde sempre, o Cristian (Costa), que era o nosso scout responsável na Argentina desde muito cedo estava acompanhando. Qual é o ponto de atenção? É você observar que a questão de biotipo, talvez não seja um jogador preparado pras grandes ligas, competitividade, intensidade, que isso pudesse ter um impacto. Mas eu vou trazer um outro olhar, assim, que para a gente sempre pender um pouco nessa conta, que é ser o responsável pelo primeiro movimento de saída do jogador do que é a origem de formação dele. E o Montoro passou por isso. O Botafogo é o primeiro time que o Montoro não está em casa. O Vélez era a casa dele. Então esse primeiro movimento, ele geralmente é mais traumático. Se o jogador não é bem estruturado, se ele vai se mudar sozinho pra outro país, outra cultura, por mais que seja Brasil e América do Sul uma construção parecida, você está falando de diferenças culturais que ele não encontraria dentro da própria Argentina, por exemplo. Então, mesmo que não seja algo tão impactante assim, tem alguma coisa que o cara vai sentir dificuldade. E aí esse extracampo do jogador geralmente impacta também nessa adaptação dele – ponderou Raphael Rezende.

– Eu acho isso muito peculiar, como trabalhar isso, como aceitar o tempo de cada um, como acelerar essa adaptação, para que esse cara, que acima de tudo é um ser humano, ele se sinta confortável para chegar confiante no clube todo dia, para chegar bem disposto no clube todo dia, para desempenhar o trabalho dele da melhor forma e para chegar no jogo da melhor forma. O caminho é muito mais amplo e complexo do que olhar simplesmente para o cara está desempenhando ou não dentro dos 90 minutos. Então esse olhar a gente tinha muito cuidadoso pra esses movimentos como foi feito com o Montoro de primeira transferência grande do cara, só que ele é um jogador tecnicamente muito dotado. Então a gente sabia que mesmo em oscilações, mesmo momentos de baixa, ele ainda teria gás, combustível, desenvolvimento para retomar, para continuar crescendo. E é assim que eu vejo, até dentro desse processo ainda de maturação e de afirmação no futebol profissional – citou.

O ex-head scout do Botafogo citou outros exemplos do próprio clube nos últimos anos.

– É um olhar que a gente tinha de cuidado. Porque esse primeiro salto geralmente dói. A gente tem N outros exemplos. A gente teve o Matías Segovia, que veio do Paraguai, o Diego Hernández, que veio do Uruguai. São jogadores, não estou falando da mesma prateleira, óbvio, não eram da mesma questão de quantidade de investimento para contratação e para trazer, mas que encararam esses desafios também e tiveram altos e baixos. E conviveram bem e mal, tiveram sucesso e fracasso. Então eu vejo esse primeiro movimento como um sinal de alerta. Não acho que seja impeditivo, como não tem que ser, quando você tem muita certeza, digamos assim, ou quando você acredita muito no trabalho desempenhado pra esse lado técnico, que é a observação do jogador, mas tem que ser muito cuidadoso na chegada do cara, na adaptação, porque, cara, assim como a base profissional no futebol brasileiro tem um tempo diferente, você imagina a transição de jogador jovem para uma outra cultura, um outro país. Então isso influencia demais no desempenho desses jogadores jovens. E para que não sejam considerados descartáveis, por essa questão do resultado imediato, você tem que se cercar o máximo possível – explicou.

– Ou que ele tenha uma origem diferente, uma estrutura familiar melhor, ou que ele tenha, enfim, minimamente algum traço de ou pluralidade de cultura, ou convívio com outras culturas em algum momento, jogador que já foi emprestado e retornou ao seu país de origem, qualquer coisinha assim já é um ganho, sabe? Do cara ter demonstrado algum tipo de capacidade de adaptação. Porque isso vai facilitar muito o movimento. O Almada, por exemplo, a gente buscou na MLS. O Luiz Henrique, quando retorna ao futebol brasileiro, tinha uma passagem longa no futebol espanhol. O Igor Jesus, quando volta e faz o que fez, viveu anos, quase cinco anos, nos Emirados Árabes. O primeiro trânsito, o primeiro movimento mais doído, digamos assim, na carreira desses caras, já tinha acontecido. Então a vinda para o Botafogo foi muito mais natural do que se fosse o primeiro movimento de venda da carreira deles. Eu acho que, quando você pensa em resultado esportivo imediato, essa equação também acaba fechando melhor mais vezes do que simplesmente trazer o atleta jovem já da base em que ele se destacou. Enfim, você precisa ter muito mais paciência, acreditar muito mais nesse processo para que o jogador dê retorno – complementou.

Fonte: Redação FogãoNET e Footure

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