Em cerca de um mês, Rodrigo Bellão foi técnico do sub-20, interino no profissional e se tornou auxiliar de Tite, na comissão permanente do Botafogo. Após a vitória por 3 a 2 sobre o Grêmio, nesta quarta-feira, no Nilton Santos, pelo Campeonato Brasileiro, ele falou sobre a nova função.
– Em relação à experiência, é uma experiência muito importante na minha vida. Acho que vou deixar sempre a marca, o legado de muito trabalho e dedicação e sacrifício para o Botafogo. Isso, para mim, me enche muito de orgulho, de ver as pessoas que fazem o Botafogo enxergando isso, seja de qualquer funcionário, seja qualquer atleta. O carinho que eu tenho recebido, de muitos torcedores, o carinho que eu recebo aqui é algo que é muito importante na minha vida e é uma coisa que me marca. Como eu sempre falo, eu sou muito feliz no Botafogo e acho que isso é uma das coisas que faz meu olho estar sempre brilhando. Então, essa nova experiência foi muito importante. No momento mais difícil, no sentido de pegar adversários no topo da tabela, e acho que isso de início foi o primeiro desafio, tem que reverter uma goleada. E depois, os três desafios de topo de tabela foram importantes para a minha carreira de aprendizado, de vivência. Já vivi isso muitas vezes como auxiliar, mas como treinador tinha sido a primeira vez – disse.
– Em relação à segunda pergunta, estou muito feliz com essa oportunidade de estar participando do principal, mais agora fixo, de poder participar dessa fase de transição para o professor Tite, para a adaptação dele, da comissão dele, para conhecerem o Botafogo, o que é o Botafogo, acho que isso é muito importante. Tenho certeza que o estafe todo vai abraçá-lo e recebê-lo muito bem. E eu quero muito fazer parte disso, estou muito feliz com essa oportunidade. Não quero deixar de olhar para a base, também de manter o legado, talvez, que eu tenha deixado aqui dentro. Vou tentar ser uma pessoa muito participativa aqui dentro nessa parte de transição juntamente com o Carli, que faz hoje, e acredito que eu possa estar agregando muito com ele. E esse é o ponto que eu quero deixar também nessa minha função aqui dentro.
Rodrigo Bellão fez ainda uma espécie de desabafo sobre o tom das críticas que recebeu.
– Acho que a gente precisa aprender a conviver com isso. Algumas vezes ela é em demasia. Eu recebi muita crítica até. Inclusive, buscando meu filho na escola. Acho que críticas pessoais com meu filho perto, com a minha esposa perto, que eu acho que talvez eu não merecia. Eu não concordo. Tudo bem que é uma fala muito comum, talvez, no futebol brasileiro, de chamar de estagiário. Mas eu sou uma pessoa que tem 19 anos de carreira. Acho que tem muito treinador que já trabalhou em Serie A de Brasileiro, não vou falar em nenhum lugar específico para não falar em ninguém, mas que não tem 19 anos de carreira como eu. Que não tem uma passagem em clubes grandes como eu tenho. Por mais que tenha sido a maioria delas na base. Que tenha vivido profissional, ambiente profissional desde 2015. Eu já dei treino para o Rivaldo, por exemplo, em 2015 no Mogi Mirim. Quando ele era presidente e jogador. Acho que ali eu tinha 28 anos de idade. Eu já dei treino para o Rivaldo. Então, tive a oportunidade de trabalhar no Athletico-PR com o Fernandinho, um jogador de quilate mundial – lembrou.
– Como eu falei, a sequência foi difícil. O time passou por um momento de instabilidade muito grande. E já vinha passando antes. Então, não foi “ah, o Bellão assumiu e aconteceu tudo isso”. E muitas vezes me criticaram. Acho que a mídia também. Principalmente não só a mídia, como hoje a mídia social. Os comentaristas que temos no âmbito geral. Acho que esse é um cuidado que as pessoas têm. Não adianta. Eu vi muitas pessoas falando muito de mim. De uma maneira que eu não merecia. Por tudo que eu já construí. Inclusive no Botafogo. Eu não posso ser um estagiário. Ou então dizerem que o Bellão não está preparado para um projeto. Caramba, eu tenho projetos em clubes grandes. Eu não estou apto para assumir projetos? Acho que falta as pessoas estudarem um pouquinho mais sobre a gente. Ter um pouquinho mais de respeito pelo que a gente já construiu. Acho que esse é um ponto importante. Eu aceito qualquer crítica. Não tenho problema nenhum com crítica. E aí, volta a dizer. O Thiago Silva está de pé no banco, está tudo lindo. Nossa, eu vi uma matéria na TV que “nossa, o cara da liderança está ajudando”. E de repente, só porque a gente está perdendo, eu sou estagiário e o Allan estava mandando no time. Nunca o Allan mandou no time. Sabe, o Marçal foi lá falar com o jogador. E tudo certo. É que às vezes a grama, quando a gente tem vitória, a vitória esconde tudo. E a derrota parece que escancara tudo. Então eu acho que faltou muito de respeito comigo, com muito da mídia em geral. Não mídia, eu até quero dizer, mas a mídia com muito torcedor. Tenho carinho e respeito por todos. Acho que todos sabem disso aqui dentro. Mas eu acho que faltou um pouquinho desse lado comigo também. Pelo que eu já construí. Não só no Botafogo, como no futebol em geral. E, óbvio, quero muito aprender. Óbvio, eu estou feliz demais com a oportunidade de trabalhar com o professor Tite. Então, eu acho que eu sou um aprendiz ainda. Mas eu sou um aprendiz com 19 anos de carreira. Eu acho que falar que eu não entendo do que eu estou fazendo é um pouquinho cruel comigo – ponderou.
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Presença do pai no estádio
– É um orgulho o meu estar aqui. Eu falei para ele vir aqui no jogo hoje, para ver como eu trabalhei. Eu tenho uma relação com o professor Felipão de muito carinho, muito respeito. Ele foi uma pessoa muito importante na minha vida. E o meu pai, quando soube, foi a primeira pessoa que mandou mensagem falando que o Felipão faria o jogo. Então, eu falei para ele, “pô, pai, vem aqui também. Para você assistir, para você ver esse momento”. Pelo momento, o quanto eu sou grato pelo Felipão. Assim como o Paulo Autuori, que são pessoas que eu já trabalhei na minha vida e me ajudaram muito. E ele sabe o caminho, a minha luta. Sem ele, eu não conseguiria ter feito nada. Se não fosse ele, não é fácil você ser um jovem que milita no futebol. Quando eu era um jovem, com 20 anos de idade. Hoje, com 39, tomar 19 anos militando no futebol. E sem o suporte dele lá atrás, nada disso teria acontecido. Então, eu falo muito para ele, quando a gente tem uma vitória ou um título. O quanto ele, a minha mãe, minha esposa, meu filho, minhas irmãs, enfim, fazem parte disso. Porque lá atrás, quando eu fiquei, como eu já disse uma vez, com a esposa grávida, cinco, seis meses sem receber um salário, se não fosse o suporte deles, eu jamais estaria aqui. Hoje, vivendo um jogo desse, de Série A, contra um treinador campeão do mundo, que é um momento muito especial.
– E vai ser mais um momento muito especial na minha vida. Poder trabalhar agora com mais um campeão do mundo (Tite). Então, eu falei que eu tinha a oportunidade de trabalhar com dois campeões do mundo. Paulo Autuori e Felipão. E agora, eu vou ter a minha oportunidade de trabalhar com o terceiro campeão do mundo. E eu não posso estar transbordando mais alegria por essa oportunidade. O professor Tite é uma referência enorme. Ele estava junto com o filho dele, o Matheus. E eu pude conhecê-los pessoalmente. Então, ele é uma grande referência na minha vida. E foi muito importante tê-lo ali, dando essa motivação, esse abraço. Trocamos um pouquinho de ideia. Falei para ele qual era o meu plano de jogo. Ele gostou bastante. Então, acho que isso também me deu até um tom, uma situação. Aí eu falei para ele que a ideia era aquela. Então, foi muito legal. E vai ser muito importante na minha vida. Vai ser um orgulho muito grande poder contribuir com ele, aprender muito com ele e a condição dele. Então, eu só posso estar muito feliz nesse momento.
Recuperação do Botafogo
– Eu vejo que o clube está passando por um processo, e é isso que eu gostaria de salientar em relação ao que eu falei das críticas. Acho que a maioria das pessoas esqueceram de olhar que o clube está passando por um momento de reestruturação e de renovação do elenco, com saídas de jogadores, chegadas de jogadores, uma mudança do processo, de transição do clube, e isso impacta no geral. E aí, dentro do campo, lógico que impacta, porque teve uma saída muito grande de jogadores e uma chegada muito grande. Então, é natural o momento de oscilação. Se você imagina numa pré-temporada, isso acontece no final do ano. Você tendo uma pré-temporada, já é difícil, mas você consegue aquela ideia de renovação de elenco. Uma equipe que tem essa reestruturação já não começa saindo e ficando cinco, seis jogos invictos. E eu acho que esse momento que eu assumo, na segunda passagem, passa por essa reestruturação. E acho que muitas das análises em crítica em cima de mim esqueceram desse detalhe.
– Então, e aí nessa renovação de elenco, é muito comum a gente ter que se adaptar e entender como construir a equipe com os jogadores que estão chegando e perdendo alguns jogadores. E faz parte. Então, acho que isso vai ser muito importante nessa transição com o professor Tite, que ele vai chegar, ele conhece muitos dos jogadores que já tem no elenco, e acho que é o conseguir ajudá-lo a se adaptar, ou que também os jogadores que estão se adaptem ao que ele está precisando, o que ele quer passar para a gente nesse momento. Ele vai ser muito importante nesse processo de reestruturação também.