Quem está certo no imbróglio do Botafogo: John Textor ou Eagle Football Holdings? Especialista em negócios no esporte, Rodrigo Capelo, colunista “O Globo”, recomendou cautela ao analisar a situação.
– Assim como na política, é pedir muito ao torcedor que separe as pessoas dos fatos na hora de formar opinião. Quem é John Textor para o botafoguense? O empresário que resgatou o clube da falência, que o levou a títulos históricos, da Libertadores e do Brasileiro. E essa briga, entre ele e os sócios na Eagle Football Holdings? Eu esperaria mais, antes de comprar um lado, porque faltam fatos. Mas sei que é pedir muito – escreveu Rodrigo Capelo.
O jornalista frisou que a “treta” é diferente da do Vasco com a 777 Partners, em que o clube recorreu à Justiça para retomar o controle. Já no Botafogo, a questão é empresarial, entre John Textor, Ares Management e Iconic Sports.
– Quando os acionistas minoritários da Eagle se mexeram para tirar Textor do comando do grupo, não apenas do Lyon, o americano começou o contra-ataque. Amparado pelo escritório de advocacia Salomão e Basílio Advogados — cujo sócio é Paulo Cesar Salomão Filho, vice-presidente do Vasco e principal responsável pela ação que tirou a SAF cruz-maltina da 777 —, Textor abriu fogo nos sócios por meio da Justiça do Rio de Janeiro. Nela, ele cobra o ressarcimento de R$ 146 milhões ao Botafogo – afirmou Capelo.
– O confronto jurídico é um problema dos sócios e de quem julgar o caso. Eles são brancos, eles que se entendam. A questão que me parece mais relevante ao torcedor é: por que diabos o Botafogo fez favores tão caros ao Lyon? Transferências de jogadores sem valores, ou com descontos “forçados” em relação ao mercado, são citados na ação judicial. Forçados por quem? Repasses de direitos econômicos de atletas, para que o balanço francês ficasse menos ruim. Houve também empréstimos em dinheiro? – indagou.
O colunista lembra que a SAF do Botafogo não publica balanço e não é fiscalizada pelo clube associativo, de modo que não há como saber se a situação financeira permitira tantas ajudas ao Lyon.
– Em suma, não se tem o retrato financeiro que deveria ser proporcionado pelo balanço, o Botafogo não deveria ter financiado as atividades do Lyon, e o Lyon está quebrado — não só pelos atos do antigo dono, Jean-Michel Aulas, porque em 2023 e 2024, já com a Eagle, a crise piorou e piorou muito. Estes são os fatos que temos e os que não temos. Pra mim? Não dá para formar opinião favorável a qualquer lado da disputa. Eles são brancos, eles que se virem. Mas é compreensível que Textor domine o gosto popular – finalizou.