O técnico do Nacional Potosí, Leonardo Égüez, revelou um “sabor amargo” com a vitória sobre o Botafogo por 1 a 0 nesta quarta-feira, a quase 4 mil metros de altitude, pela segunda fase preliminar da Libertadores. O jovem treinador se disse orgulhoso com o primeiro triunfo da história do clube na competição, mas deu a entender que queria construir uma vantagem maior para a partida de volta.
– Antes de mais nada, devemos estar orgulhosos e felizes com o que o Nacional fez, conquistou sua primeira vitória na Libertadores, elevaram o nome da Bolívia e tentaram jogar o futebol sendo protagonista. O adversário também joga, estamos falando do Botafogo, não do Atlético Achachairu [expressão na Bolívia usada para comparar times de elite de adversários inferiores ou inexistentes, usando o nome de uma fruta exótica do país], estamos falando do campeão da Libertadores de 2024, com jogadores de altíssima qualidade, um grande treinador, e não devemos tirar o mérito deles.
– Saímos com um sabor amargo porque tivemos oportunidades, assim como eles também tiveram nos contra-ataques, mas estou muito feliz porque alcançamos nosso primeiro objetivo, que era vencer. Temos 90 minutos restantes para jogar, isso é futebol, 11 contra 11, e tudo pode acontecer. Acho que este grupo mostrou que se fortalece diante da adversidade ou em campos difíceis, e na próxima quarta-feira não será exceção – completou.
Égüez também reclamou da arbitragem do jogo em Potosí:
– Acho que no segundo tempo o árbitro interrompeu muito o jogo, tornando-o muito lento. Vou ler as regras porque tenho uma dúvida… Para mim, em situações de impedimento, a jogada deve terminar primeiro e depois ser revisada. Ele interrompeu dois ou três ataques, mas tudo bem, não é desculpa. Como disse, queremos desfrutar agora. Precisávamos da vitória, precisávamos representar a Bolívia com dignidade, e acho que conseguimos. Devemos estar felizes, que a alegria dure até a meia-noite de hoje [quarta] e amanhã [quinta] pensaremos no jogo de volta.
O treinador do Nacional Potosí ainda fez elogios à estratégia adotada por Martín Anselmi no Botafogo.
– Acho que o Botafogo não se fechou na defesa e fez uma partida muito inteligente, atuou na zona 2 para jogar nas transições. Sabíamos o planejamento deles, tínhamos um entendimento prévio do que eles fariam, por isso tentamos atacar pelas laterais, romper pelo meio e gerar volume com os dois atacantes. Temos trabalho a fazer, precisamos ser um pouco mais precisos, principalmente no jogo de volta, porque contra adversários de alto nível como esses não podemos nos dar ao luxo de perder ou desperdiçar as oportunidades criadas pela equipe. Também exercemos uma pressão muito boa, criamos muitas situações com nossa pressão alta, e saio feliz e satisfeito porque o Nacional teve 65% da posse de bola, criou chances e forçou o adversário a cometer erros. Sim, houve algumas situações em que nos salvamos, porque eles também tentam jogar de acordo com o seu plano de jogo, mas não devemos tirar o mérito do que conquistamos – concluiu.