O que esperar do Botafogo com Tiago Nunes? Em entrevista coletiva na apresentação oficial, nesta terça-feira, o treinador descartou mudanças radicais e contou que planeja aproveitar o que a equipe tem de melhor.
– Seria muita pretensão da minha parte em sete sessões de treinamento dizer que tem a cara do treinador. O Botafogo tem cara própria nessa temporada, vocês acompanham, sabem como joga. Não estou aqui para fazer nenhum tipo de mudança drástica na ideia de jogo ou no modelo de trabalho, a ideia é dar confiança para os comportamentos que já existem. O Botafogo segue a cara da própria equipe, que começou com Luís Castro, passou por Caçapa, Lucio Flavio e Bruno (Lage). Foi se transformando como qualquer equipe. A ideia é aproximar ao máximo a equipe do que já fez de melhor na temporada. Que é uma equipe competitiva, coletiva, compacta e capaz de conseguir grandes resultados, por isso está postulando ao título – declarou Tiago Nunes.
O novo técnico, que estreia quinta-feira contra o Fortaleza, pelo Campeonato Brasileiro, bateu bastante na questão do coletivo, até para não dividir a equipe em setores específicos.
– Creio que a organização ofensiva ou defensiva não pode ser caracterizada só com os números, é claro que é um balizador importante. Mas a parte ofensiva tem conexão direta com o sistema defensivo, recupera a bola, propõe jogo, a construção passa desde o goleiro a zagueiros centrais, laterais, volantes. Tenho repetido muito aos jogadores que o craque do Botafogo é o coletivo. Foi construído para isso, ser dinâmico, cooperativo, quando uma fase do jogo não funciona tão bem não podemos responsabilizar um setor. Temos que mostrar que uma equipe equilibrada foi o que fez ao longo da temporada, uma equipe que ataca com qualidade, com volume de chances, ao mesmo tempo mantendo equilíbrio defensivo, tendo jogadores por trás da linha da bola que deem sustentação para outros arriscarem mais vezes jogadas. Para evitar gols, tem que ter jogadores de ataque que façam primeiro combate, que tenham sentido de urgência, de voltar atrás da linha da bola, de manter equipe curta e compacta. Tenho certeza que em cinco jogos dificilmente o Botafogo não vai sofrer gols, mas temos que estar equilibrados para entender o momento e lidar bem. Não é porque sofreu um gol que está tudo errado ou porque saiu na frente que tem descuidar. Meu papel é equacionar isso, trazer nível de confiança e fazer com que imediatamente no próximo jogo tenhamos a reação que tanto se espera – contou Tiago Nunes, que explicou como é o trabalho da semana.
– Primeiro de tudo é ter uma estruturação clara para cada momento do jogo, ofensivo ou defensivo. Dentro do tempo que temos, investimos nos nossos próprios comportamentos, para não perdermos nossa identidade de jogo e tentar impor nossa característica. Um tempo menor é em relação a questões estratégicas e ajustes pontuais em função do adversário. Trabalhamos com base de imagens muito grande, sou um treinador que ocupo muito tempo com dados, estatísticas, imagens, feedbacks importantes de como se treina e joga. Claro que em qualquer processo tem um tempo de adequação. Temos tentado otimizar ao máximo a informação, mais objetiva, prática, direta e fácil de ser assimilada em tão pouco tempo – completou.