Pouco mais de um ano e meio depois, Tiquinho Soares está de volta ao Botafogo. O centroavante foi apresentado nesta quinta-feira (27/8) com a camisa 9, cedida por Danilo Pereira, no Estádio Nilton Santos, com uma entrevista coletiva lotada de jornalistas e que durou quase 45 minutos, em alto astral.
– Estou muito feliz de voltar para minha casa, um lugar onde eu sempre quis estar, vocês sabem muito bem disso. Quando eu vim pela primeira vez, eu não sabia o que era Botafogo, até passar todos esses anos no clube, sei o que o Botafogo representa para mim e para minha família. Estou mais motivado do que quando cheguei. Tenho certeza de que vou dar a vida por esse clube – afirmou Tiquinho em suas primeiras palavras.
– Foram dias de muita felicidade. Desde quando houve o primeiro contato, o coração dispara diferente quando se fala do Botafogo, quando se fala da instituição, da torcida. Lá no Nordeste a gente fala que… Vou falar não, porque pode pegar mal (risos). Estou muito feliz de voltar para minha casa, é o clube que eu tenho um amor, que eu quero estar, que eu me sinto à vontade. Quero agradecer também ao carinho que os torcedores sempre tiveram comigo. Não estou falando da boca para fora, estou aqui é pelo meu coração mesmo – continuou.

Maior artilheiro da era SAF do clube, Tiquinho retorna com contrato curto, até dezembro de 2026, mas que pode ser ampliado caso ele marque sete gols. Além disso, receberá cerca de R$ 100 mil por mês, um dos salários mais baixos do elenco.
– Sobre contrato, está aqui meu empresário que não me deixa mentir. Eu me emociono porque amo esse clube. Não é questão de dinheiro, de contrato. Só quero viver esses quatro meses da melhor forma possível, querendo ajudar o Botafogo e os meus companheiros. Vou dar a vida como sempre dei, como todos os clubes que passei, mas aqui estou mais motivado do que nunca – disse o reforço.
Tiquinho Soares tem 44 gols marcados em 141 partidas com a camisa alvinegra. Devido ao longo tempo de inatividade desde que deixou o Santos por via judicial, ele só deve ser relacionado para o jogo contra o Palmeiras, no dia 6 de setembro, no Estádio Nilton Santos.

Veja outras respostas de Tiquinho Soares:
SENTIMENTO NO RETORNO
– Está tudo bem diferente, mais bonito, mais organizado. Quando cheguei em 12 de agosto de 2022, estava nesse processo de reconstrução do clube. Volto hoje nesse mesmo processo. Como fiz parte do processo passado, quero fazer parte desse processo presente.
FERNANDA MAIA
– Fernandinha é uma das pessoas que jogou meu nome aqui para que eu pudesse voltar, sempre relembrando os bons momentos que passamos aqui, que foi uma coisa estondrosa e conseguimos impactar com a nossa música que todo mundo conhece. Obrigado à Fernandinha por sempre lembrar de mim.
ESTREIA CONTRA O PALMEIRAS?
– Primeiro tenho mais que me condicionar. Vim de um longo período em casa, mas eu estava treinando. Vou deixar com os preparadores físicos, mas sempre sabendo que vou estar à disposição para ajudar o Botafogo sempre.
PROCESSO DE NEGOCIAÇÃO
– Foi assim, ó, rapidinho. Já era para eu ter voltado a um bom tempo, essa que é a verdade. Só que o Botafogo estava passando por um momento de transfer ban e, infelizmente, não aconteceu devido a isso. Mas agora já foi rapidinho, algumas pessoas me ajudaram nesse quesito para voltar para casa, não vou citar nomes, mas a pessoa sabe. Quando se trata de Botafogo, eu não discuto. Só aceitei esse desafio novamente de vestir novamente a camisa do Glorioso e fazer parte dessa família.
CAMISAS DE BOTAFOGO E SANTOS
– Conversei com o Reinaldo, no Mirassol, sobre isso. Você só vai ter noção quando vestir camisas que no futebol mundial têm um peso enorme, tanto do Santos, quanto do Botafogo. Agradeço imensamente por ter vestido essas duas grandes camisas. Foi um período muito bom, estou muito feliz de voltar para casa, que é o mais importante.
CARINHO ESPECIAL
– Quando eu estava no Olympiacos, não queria voltar para cá de jeito nenhum, porque sei como é aqui. No Brasil, ou você é 8 ou não é 80. Tem muita gente no futebol europeu hoje que não quer voltar para o Brasil, porque é foda de jogar aqui, todo mundo sabe. Tive várias propostas para vir para o Brasil, de todo o time, mas não queria voltar. Quando meu pai fala para eu vir, porque não aguentava mais ficar sem ver meus jogos, o Botafogo apareceu. Eu não tinha essa noção do que seria meu nome no Botafogo, você nunca iria imaginar.
– Mas foi acontecendo, as coisas foram acontecendo, fui fazendo meus gols, fui ganhando o carinho da torcida, dos funcionários… É uma coisa que você não entende, não sei explicar. O Botafogo é diferente mesmo [risos]. Sou muito grato a Deus por ter passado esse bom período pelo Botafogo, agradecer mais uma vez o carinho de toda a torcida que sempre teve comigo, nos momentos maus, que eu já passei aqui, e a maior felicidade da minha vida, que foi 2024. Estou feliz demais de estar aqui novamente, agradecer ao carinho de todo mundo e bora Fogão!
IMAGINOU QUE IRIA VOLTAR?
– Sim, imaginei tanto que falei para o meu empresário: “Fecha todas as portas, fecha tudo. Vai pingar, uma hora vai acontecer”. Sempre tive esse desejo de voltar, não é questão de dinheiro, de salário. Meu empresário trouxe proposta de tudo que é lugar do mundo, para eu ganhar muito dinheiro, não é sobre dinheiro, é sobre paixão, amor, felicidade. Estou em casa. Tem o Alex Telles que é meu parceirão, uma das pessoas que fez parte dessa minha volta, Vitinho… Estou feliz demais, de verdade.
CLÁSSICO COM FLAMENGO
– Tenho boas recordações, sim, talvez é um dos jogos que mais me chama a atenção, ganhamos lá dentro de 3 a 2, se não me engano, com um jogador a menos desde o primeiro tempo, foi um jogo de um nível muito elevado, em que consegui fazer dois gols. É um jogo muito difícil, mas tenho certeza de que o Fogão está preparado para esse jogo. Estou treinando, em casa estava treinando, não adianta colocar tudo, “vai, joga”, se não me machuco depois e aí acaba isso aqui e estou lascado. É uma coisa a ser pensada com os preparadores físicos, comissão técnica. Quero ajudar da melhor forma e na hora certa vou voltar com tudo.
ELENCO ATUAL DO BOTAFOGO
– Eu não perdi um jogo. Não tem como você sair daqui e não assistir aos jogos do Botafogo. Só não assistia quando eu estava jogando ou viajando. São grandes jogadores, o Botafogo tem um grande elenco. Já tinha falado do Montoro numa entrevista atrás, tem o Medina também, que sabe jogar bola, tem os mais novos que estão subindo, o Justino, que tem uma zagueira muito promissora, o Huguinho, que arrasta, joga muito. É um grupo muito focado, vi que é um grupo unido. Vou puxar a orelha também, se a gente quer vencer, temos que remar juntos, tenho certeza de que estou chegando para agregar.
QUAL LEGADO?
– Quero deixar de legado meu espírito, minha vontade de estar aqui. É uma coisa que sempre faço, que é nunca desistir. Ser legal, todos sabem como sou leal com meus companheiros. Nunca me meti em polêmica. Quero deixar esse legado de respeito, de amor ao clube e daqui a sei lá quanto tempo lembrar que joguei no clube mais tradicional do Brasil.
APRENDIZADO PÓS-BOTAFOGO
– Não aprendi nada, viu bicho? Foda… [risos] Mas eu venho mais experiente com as pancadas que a vida dá. Venho um cara mais maduro, e talvez mais focado do que nunca, isso é uma coisa que estou colocando na cabeça.
HOMENAGEM DA TORCIDA APÓS FALECIMENTO DO PAI
– Foi uma das homenagens mais lindas que eu tive na minha vida, que foi depois que meu pai foi embora. Foi um tempo de muito respeito que o torcedor teve comigo, sobre o que passei aqui, que não foi fácil, foram tempos difíceis. Tem alguns que reclamam, mas alguns entendem, só quem perde um cara foda sabe o que é sofrimento. A torcida foi muito respeitosa, talvez meu amor cresceu mais ainda nisso, porque senti o carinho que a torcida teve comigo nesse período de luto.
‘NÃO DESAPRENDI A JOGAR’
– Estou querendo viver esse momento de novo, de ter a alegria novamente de jogar futebol. Eu vim para o Botafogo para tentar resgatar essa alegria, meu futebol. Eu não desaprendi a jogar, ninguém desaprende a jogar. Vocês já estão vendo minha felicidade de estar aqui. Vou procurar focar como nunca eu foquei na minha carreira, para ter minha felicidade, ter meu futebol que eu sei jogar e ajudar o Botafogo.
ESTRUTURA DO BOTAFOGO
– Mudou muita coisa. A gente fazia gelo dentro de um balde. Evolui muito. Mudaram muitas coisas no CT, no estádio, isso tudo é muito importante para o jogador se sentir bem. É um processo longo, mas mudou muita coisa.
OBJETIVO NA SEGUNDA PASSAGEM
– Ganhar título. Sonho em ganhar títulos novamente com essa camisa, sonho em fazer meus gols, ajudar e, principalmente, ser feliz.
IDOLATRIA
– É motivo de muito respeito e muita honra esse carinho enorme que o torcedor tem comigo. Sou muito acarinhado pelos torcedores, pelo clube. Não digo ídolo, mas ser tão acarinhado com a torcida, eu vou levar para sempre no meu coração. É um dos motivos que me alegra esse carinho da torcida, é um respeito mútuo, feliz demais!
O QUE O BOTAFOGO REPRESENTA PARA VOCÊ E SUA FAMÍLIA?
– Cristiano não gosta de futebol, mas quando fala de Botafogo, ele fica doido. Representa tudo. Joguei no Porto, fiz história, ganhei muitos títulos, mas no Botafogo é diferente, mexe com o coração, com a estrutura da família. O Rio de Janeiro também é uma cidade maravilhosa para se viver. Quando falei para a minha família sobre a possibilidade, você tinha que ver. É uma coisa que mexe com meu coração, com o coração da minha família. As homenagens que recebemos durante um período difícil estão guardadas no meu coração, no coração da minha mãe, ela talvez esteja mais feliz do que eu.