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Tite mostra ambição por títulos e conhecimento do elenco e diz: ‘Botafogo é muito grande. Sou privilegiado de ter aberto portas para mim’

Por: FogãoNET

Apresentação do técnico Tite ao Botafogo | Setembro 2026
Vítor Silva/Botafogo

Técnico com passagem de sete anos pela Seleção Brasileira, multicampeão por clubes, Tite chegou ao Botafogo e foi apresentado oficialmente nesta quinta-feira, no Estádio Nilton Santos. O treinador mostrou ambição por títulos e conhecimento do elenco.

Tite enalteceu o Botafogo em sua chegada.

– O Botafogo é muito grande. São milhões de torcedores. Conversando com o Léo (Coelho, diretor) hoje pela manhã, ele fez uma pergunta para mim, como é que estava a minha família. Eu cheguei em casa radiante, eles estavam me percebendo com um sorriso, me abraçando. Então, o quanto a gente tem, o quanto eu tenho de responsabilidade para ser mais um integrante, como técnico? E aí uma coisa que eu não abro mão, essa é inegociável, de conduta pessoal. Ela é com o clube, e antes ela é comigo mesmo, de conduta pessoal, e com as pessoas com quem eu trabalho. Isso eu tenho para comigo. Tomara que a competência profissional me carregue, me conduza, a ficar esse tempo todo. Porque ela só vem junto com os resultados, e eu tenho essa dimensão exata. Mas a grandeza do clube e quiçá no meu passado eu pudesse imaginar ser técnico do Botafogo. Cara, talvez eu seja privilegiado, e o Botafogo esteja abrindo as portas para mim, para desenvolver o trabalho. Tomara, tomara – afirmou Tite.

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Confiança em trabalho de longo prazo

– Enquanto você estava fazendo a pergunta, a primeira coisa que eu fiz foi pensar que na reunião o João Paulo (Magalhães Lins, presidente) falou assim para mim “eu fui show de fábrica”. E aquilo ali me sintonizou também. Me abriu toda uma trajetória no futebol, até chegar na Seleção Brasileira. De passagem por um sem número de clubes. E o que me orgulha é que os trabalhos desenvolvidos, a grande maioria deles, foi a médio prazo. Então, se eu pegar todos os trabalhos da minha carreira, e tenho orgulho dela, poucos são aqueles que eu trabalhei pouco tempo. Então, essa possibilidade de desenvolver um trabalho dentro do Botafogo também me trouxe, até pelo know-how passado, uma expectativa de poder fazer um trabalho a médio prazo.

Conhecimento de Botafogo

– A busca, a partir do momento que nós tivemos essa possibilidade de vir para cá, claro que ela foi integrada. Nós buscamos o maior número de informações possíveis, praticamente não abordando, não conversando com os analistas, não conversando com os técnicos, porque não havia firmado. Mas nos preparando para tal. É a minha função, não estou fazendo mais nada do que eu respeito, é a conduta profissional lá atrás. E a partir daí sim, seguramente, estando com o departamento todo de análise, com os profissionais da área, ontem nós tivemos a condição de conversar, mas muito rápido, fica com o envolvimento da emoção do jogo. E claro que analisando os jogos, o jogo que fez contra o Flamengo, e outros jogos, como com Cienciano aqui, com 20 minutos já era para estar um placar mais dilatado. Enfim, tu começa a ter um esforço. Mas a profundidade desse trabalho vai estar sim nessa relação com a comissão técnica. E nós conversamos. Eu falei que os bons profissionais que aqui estão devem permanecer. Eu não quero, e já passei a pretensão de pegar assim a minha equipe, e eu boto ela para dentro, e quem tiver eu vou sobrepor. Cara, isso não faz parte de mim. Quem olha para a minha história e sabe, é de potencializar a equipe que está. Se tem uma necessidade, traz. Então veio o Fábio (Mahseredjian), veio o Matheus (Bachi), e aí a gente integra. Teve um convite feito ao Bellão para permanecer, porque é uma peça importantíssima no momento de transição. Isso não é dito agora, com a oportunidade da vitória que teve. Isso foi colocado antes, ontem. Então, é agregar forças ao trabalho do Botafogo. Esse também é o meu objetivo.

Volta ao futebol

– Cara, eu estou muito feliz, sim. Alegre, motivado. O futebol faz parte da minha vida. Quando eu era atleta, eu estava jogando com o Mendonça, que jogava demais. Joguei com ele na Portuguesa. A maioria de vocês não vai lembrar. Mas na história que trouxe a história do Botafogo, ele vai lembrar. Ele vai saber. Sim. E eu não vou entrar no detalhe disso. Nos últimos trabalhos, eu fui campeão mineiro em três meses no Cruzeiro, ganhando do Atlético-MG. Trazendo uma série de jovens para jogar, inclusive com o Otávio, goleiro, dando a oportunidade. Não teve um bom início de Campeonato Brasileiro, porque não dá para ganhar tudo, não dá para ter todas as variáveis da coisa. Mas mantendo a saúde, não fazendo os atletas virem antes, para não expor os atletas a se machucarem. No Flamengo, fomos campeões cariocas, fomos até a semifinal da Copa do Brasil, só para sintetizar, e depois saímos da Libertadores com três jogadores machucados. Cada momento, cada etapa, cada grupo tem o seu próprio projeto, tem as suas próprias decisões. Isso faz parte. Nós profissionais temos. O que eu quero ter aqui, e esse é o mais significativo, é a possibilidade da competência profissional e de agregar junto uma equipe quando a gente trabalho para ter sucesso. Tomara que seja a médio prazo, mas também tenho consciência que o seu resultado está junto.

Já pensou em ser diretor?

– Eu te confesso que estar na beira do gramado é mais sereno, é mais de observação do que de assistência. Eu até falei que eu não seria diretor nunca de uma equipe. Não é o meu chão. É estar mais ali embaixo, ela vai estar no meu chão, mais aquilo que eu, ao longo da vida, por ser professor de educação física, eu comecei uma carreira de técnico com 28 anos, é extremamente precoce porque parei, estourei meus dois joelhos, enfim, um pouquinho da minha história, você já sabe. Me formei em educação física, busquei cursos, busquei evolução, para olhar para trás e fazer a trajetória que fiz. Então tenho uma alegria e um prazer muito grande agora que está integrado e está dentro do trabalho.

Divisão de tarefas

– Sempre, em todos os processos, a decisão, é dura e é solitária de técnico. Ela é intransferível e inegociável, é tudo que possa transparecer. O que tem, sim, é uma equipe de trabalho e que te traz, que te municia as informações. Por exemplo, ontem, o Bellão fez, no primeiro tempo, uma plataforma, um modelo, veio para o segundo de uma outra forma, nós vimos. E no transcurso do jogo mudou, e a conversa era constante com o auxiliar, com o Marcelo (Salles). Então, isso faz parte de um contexto. Isso é trabalhar em equipe. E eu associo a tua pergunta à autonomia. Não tem, para mim, autonomia de técnico para a contratação de qualquer atleta. Tem é coparticipação. Tem trabalho de equipe. Tem uma série de componentes, tem que ser bom para o Botafogo, não tem que ser bom para mim. Eu não tenho essa pretensão. Eu já tenho idade suficiente para entender esse processo. Já o tinha antes. Então, tem que ser de forma conjunta. Tem que ser de forma estrutural. É muito fácil. Eu vou pedir fulano. O cara não vai vir. Ele tem os valores dimensionados. Aí eu pego isso como escudo para dizer, olha, não ganhei. Lembra? Eu falo que não é assim. É coparticipação, com uma decisão final. Isso a gente vai fazer. E, deixando bem claro, e quem me conhece sabe que é um trabalho de equipe. E quem toma a decisão final sou eu.

Mirar títulos

– A realidade dos fatos é que a grandeza do Botafogo te permite a ambição, a busca de títulos, isso é inconteste. O que há também é um momento em que todas as equipes que não atingiram ainda uma pontuação suficiente para sair de uma zona de perigo, elas vivem ainda nesse embate, nessa competição. Na minha opinião, o Campeonato Brasileiro achatou o nível de todos os clubes, eles são muito parecidos, exceção, evidentemente, os dois da frente. Quem está um pouco abaixo cresce bastante, a ponto de encontrar resultados. Por exemplo, a Chapecoense, que é a última, ela tem vencido jogos extremamente importantes com equipes importantes, só para simplificar. Então, o primeiro momento é dessa pontuação, e depois a ambição sim é de adicionar outras situações que elas possam acontecer o quanto mais rápido possível atingir essa pontuação.

Atual Campeonato Brasileiro

– Por exemplo, em sete rodadas no Campeonato Brasileiro, no Corinthians, campeão da Libertadores, nós estávamos na zona de rebaixamento. E eu coloquei, aí eu digo, nós só vamos buscar uma preparação para o Mundial, e buscar o Mundial no momento que nós chegarmos com 45 pontos, aí a ambição me prepara. Então, esses momentos, esse próximo passo, é o mais importante. Essa primeira trajetória para te abrir possibilidades maiores. Eu acho que eu me prolonguei demais, mas acho que passou a ideia.

Jogadores que já conhece no elenco

– Eu não gosto de individualizar. O Alex (Telles) é uma grande pessoa, um grande caráter, uma referência, um capitão da equipe. Tem uma conduta pessoal e profissional do mais alto nível. Eu conheço ele, conheço o Edenílson, inclusive esteve presente nessa história que eu coloquei, do Corinthians campeão mundial. Tem o Allan. Tem mais que eu trabalhei. O (Arthur) Cabral, na Seleção. Então, tem uma série de jogadores que são importantes. E o Telles também. Em cima da sua conduta pessoal e profissional, que eu tenho como capitão da equipe, como uma forma representativa, importante. Mas, volto a dizer, um trabalho de equipe é direcionalmente importante, ou mais ainda que a individualidade.

Participação da torcida

– É essencial o torcedor. Ele é o objetivo maior do clube, da grandeza do clube. E eu tenho todo o respeito, qualquer que seja a opinião. E eu faço de uma maneira muito tranquila, muito serena, porque entendo futebol, porque vivo, sim, futebol, nas diferentes áreas, dentro do campo, fora do campo, até no momento, na imprensa, juntos. Eu passei um ano invicto sendo comentarista. Então, eu tenho um pouquinho de expertise nas diferentes áreas para entender opiniões diferentes. E que a opinião diferente não é ofensa, é uma opinião que faz parte do jogo, que compete a nós a desenvolver um grande trabalho, para que a gente possa se unir de uma maneira só. Aliás, porque o Botafogo está acima de qualquer coisa.

Contrato longo

– É um desafio. É o meu objetivo, é um desafio. Eu não imaginei ficar seis anos no meio da Seleção Brasileira, mais de seis anos, quase sete anos. Mas eu não fiquei na Seleção porque eu sou bonito, porque eu sou simpático, por exemplo. Foi por que eu ganhei. Porque a Seleção foi campeã na Copa do América, fui vice da outra, porque fez duas eliminatórias boas. Ficou nas quartas de final na Copa do Mundo duas vezes, mas é muito difícil uama Copa do Mundo. Eu não imaginava tudo isso. Aliás, eu nem imaginava ser técnico, para te falar a verdade. Então, eu tenho aí a possibilidade de eu representar a direção toda para ter sim essa ideia no médio e longo prazo. Mas está associado a isso, o vencer.

Fonte: Redação FogãoNET

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