Tite chega ao Botafogo motivado para um novo desafio. A princípio, pega um time em meio de tabela no Campeonato Brasileiro. Qual será o estilo de jogo? Na entrevista coletiva de apresentação na manhã desta quinta-feira (17/9) no Nilton Santos, ele deu pistas.
– Eu brinco assim, que em um quadro a assinatura não pode ser maior que o próprio quadro. O que eu quero dizer com isso? Eu quero dizer que os protagonistas são os atletas. É a minha adaptação às características dos atletas. Não é eu quero dessa forma e vai ser dessa forma. Tu faz ajustes. Assim, o ajuste que eu posso sintetizar é uma equipe equilibrada. Que ela saiba trabalhar em transição com posse, com transição em velocidade. Sem bola, que ela possa compactar. Ela pode ser no 4-1-4-1 do primeiro tempo, ela pode ser no 4-4-2, ela pode ser no 5-3-2. Como aconteceu ontem, eu peguei essas três variações que aconteceram ontem. E nessa conversa, e nesse trabalho junto com o Rodrigo Bellão, também vai facilitar esse processo. A cara é do Botafogo, não é a minha cara – explicou Tite, que respondeu as críticas sobre pragmatismo.
– Eu aceito as opiniões diferentes. Absolutamente. Nosso país é democrático e tem a liberdade de se externar. Aí eu me remeto à história. 5-3-2 no Grêmio, 4-4-2 no Internacional. Caxias campeão, 4-4-2, só para dar exemplo. Corinthians campeão 2011, com uma equipe mais criativa. Corinthians campeão 2015, com uma equipe de uma criatividade absurda. Seleção Brasileira de 2018, jogando bonito demais, chegando no ápice de uma condição. Só exemplifiquei aí. Se isso é pragmatismo, então vai continuar com esse pragmatismo – disse.
O treinador falou mais sobre suas ideias e de como vê o Botafogo.
– Eu tenho uma ideia. Às vezes ela pode não acontecer, mas ela é preconcebida em uma equipe equilibrada. Eu não posso ser propositivo se eu não tiver a posse de bola. Eu tenho a posse de bola ou é transição de velocidade, ou é transição com o jogo apoiado. Com Montoro, não vai ser transição de velocidade, ela vai ser de bola no pé. Com Huguinho, ela vai ser de bola no pé, porque é a característica deles. E, com o Danilo, é de bola no pé. Ela pode ser de profundidade, com Vitinho. Ela pode ser com o Cabral, até porque ele tem um torque inicial bastante forte, então ela pode entrar no espaço, como é com Vitinho, em uma velocidade com uma ultrapassagem, como no gol.
– Estou dando exemplos de fatores, como um ponto de equilíbrio que vai ter para a equipe. O Telles é mais construtor, Vitinho é mais agressivo e ataca com profundidade. Zagueiros que têm muita velocidade para correr para trás, e aí tu faz uma composição de equipe que volta a ser dentro das características do modelo e do tipo de contratações que o Botafogo teve. E essa minha adaptação para estar em um ponto, para estar equilibrado – completou.