Novo técnico do Botafogo, Martín Anselmi foi apresentado nesta terça-feira (20/1) no Estádio Nilton Santos e não fugiu de perguntas. O treinador argentino falou inclusive sobre o transfer ban, que está impedindo o clube de registrar jogadores no começo da temporada 2026.
– Quando falamos da gente que está atrás dos escudos é porque, no final, é a gente que faz o clube no dia a dia e tem que existir essa dinâmica, essa sinergia ou essa empatia com a gente que não vai trabalhar dia a dia. Para que essa empatia funcione ou exista, há duas palavras que não podem faltar. Uma é o respeito e a segunda é a verdade. Quando as pessoas mentem, é uma falta de respeito, se o queremos dizer de alguma forma. Eu acho que o clube, nesse sentido, foi muito sincero com a situação atual. Nós não chegamos a Botafogo sem estar sabendo do que estava acontecendo. Estamos conscientes disso. Sabemos que é um tema que não nos toca resolver a nós, que tem que resolver a diretoria. Nosso foco está em treinar, nosso foco está em ser melhores, nosso foco está em alto rendimento e em competir. E o foco deles está em resolver um problema, que tem que ter uma solução, porque vai ser benéfico para a Botafogo e porque precisamos que essa solução apareça o quanto antes possível – afirmou Anselmi.
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Escolha pelo Botafogo
– Depois da nossa saída do Porto, ficamos um tempo sem trabalhar. Era momento de ter uma pausa na carreira, guardar energias. Então sentimos que era um momento para também olhar para nós mesmos e poder nos reconstruir para sermos melhores. Também entendíamos que não íamos aceitar qualquer proposta. Tínhamos vontade de entrar em um projeto que cumpra com esses requisitos que nós estávamos entendendo para nossa carreira. Nós somos um corpo técnico acostumado a lutar mais alto. Nós gostamos não somente de analisar os escudos, mas também a gente que está atrás dos escudos. E acho que Botafogo apareceu no momento certo, no projeto certo, no nosso momento certo. Porque nos encontramos em um lugar onde já tínhamos muita energia, muita gana e muito desejo de voltar a trabalhar. Porque nos permite iniciar em uma pré-temporada que acho que é extremamente importante. Porque sabemos da grandeza do clube, porque queremos continuar sendo prestigiosos e Botafogo nos permite continuar sendo prestigiosos. E porque também gostamos, como disse antes, de lutar pelos lugares mais altos e acho que Botafogo também nos permite lutar pelos lugares mais altos. Então, onde acho que a gente que está atrás do escudo conseguiu conosco e nós com eles essa dinâmica e essa energia que nos fez sentir que este era o nosso projeto.
Estilo de jogo
– Não gosto de falar de sistemas táticos e de números, são coisas de vocês. Gosto de falar em essência. Gosto que minhas equipes tenham essência em campo. A equipe é um ser vivo, não pode ser uma equipe que não transmite nada. Então, é isso que o Botafogo tem que aliar, uma equipe que joga intenso, que tenta pressionar alto, que tenta atacar, que tenta jogar no campo rival, que tenta controlar o partido através da bola, que é o que nos faz ganhar os partidos. Esquecendo os sistemas. Porque o sistema, no fim é uma posição dentro do campo de jogo que vai ocupar um jogador nosso para aproveitar uma vantagem do rival. E pode mudar todo o tempo em cada ação. Então, a partir daí, a nossa essência é o que vamos fazer. Vamos tentar pensar no arco rival. Como vamos fazer? Em cada partida vai ser de uma forma distinta. Porque, no fim, não todos os rivais defendem da mesma forma, não têm a mesma característica dos jogadores, nem atacam da mesma forma. Então, eu acho que o que se vê refletido dentro do campo de jogo é a nossa essência. E a nossa essência é isso. Tentar ser intensos, tentar ser competitivos. Quero ressaltar a palavra competir. Porque competir é o único que nunca pode faltar. E o que é competir? Dar o máximo, o 100%, durante cada ação do partida, sem importar o resultado. E sem desculpas. Até o final. E isso se tem que ver dentro do campo de jogo.
Extracampo
– Eu acho que muitas das situações que você mencionou não tem impacto no treinamento, porque foram de dois anos atrás. De um ano ou de três anos. Também acho que estamos contando o caminho como queremos. Neste caso, você. Porque também faltam os elenco anteriores, que estavam na primeira divisão, que terminaram em metade, que depois se perdeu um título, que depois se ganhou, que depois lutou pela Libertadores. E que depois veio a normalidade. Então essas montanhas russas, para mim, foram uma montanha… não sei se estão assim. Agora, se nós escolhemos como queremos contar a história, como você está contando, parece assim. Como a vejo eu, parece algo normal. Alguém que chega em um clube, que tenta empurrar e que conseguiu, e que depois se estabilizou, e começa nesse tipo de situação. Vender no futebol é normal, como é normal também contratar. Nilton Santos jogou toda a sua história em Botafogo. E não sei se há outro. Então, no final, tudo isso que você mencionou, no nosso treinamento e no nosso dia a dia, não tem impacto. Por que não tem impacto? Porque nós não controlamos tudo isso. Nós controlamos sair para treinar e dar o máximo. Nós controlamos planejar o melhor treinamento possível para os jogadores que temos nesse dia no campo. E é aí que está nosso foco. Sem importar o resultado, sem importar o que acontece, sem importar o ruído externo. Porque essas são desculpas. Porque acho que é muito importante ressaltar que o resultado é temporal. Porque Botafogo conseguiu coisas muito importantes. Há dois anos atrás, nós também conseguimos coisas importantes. Há dois anos atrás, o futebol é presente. Na atualidade. Não se vive do passado. Se vive o dia de hoje. Então, acho que o mensagem que eu gostaria de concluir com tudo isso é que nós estamos aqui para competir da melhor maneira possível. É o único que não pode faltar. Porque falar de títulos, falar do externo, tudo isso são coisas que não controlamos realmente. É mentira. Nós viemos aqui para competir. E que competir nos leva a ganhar. Mas o nosso foco está em competir. Porque se colocarmos o foco em ganhar, vamos deixar de competir. E vamos estar pensando no resultado. E vamos estar pensando em todas essas coisas que você mencionou. E eu quero que os jogadores tenham o foco em treinar ao máximo. E tenham o foco durante o jogo, no jogo. Não em todo o ruído externo. Porque quando o ruído externo entra e controla você, seguramente você não ganha. Então, nós queremos competir para ganhar. Mas nosso objetivo é ser competitivo e ser melhor cada dia.