Vender jogadores ou competir por títulos? Tim Vickery cita Arsenal e tem dúvida sobre SAF no Brasil: ‘É cedo para saber objetivo do investidor’

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Por FogãoNET

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Tim Vickery, jornalista
Reprodução

Antes da confirmação de que John Textor será o investidor do Botafogo, o jornalista inglês Tim Vickery opinou sobre a transformação de clubes brasileiros em SAF (Sociedade Anônima do Futebol). No programa “Redação SporTV” desta sexta-feira, ele se mostrou reticente.

– A resposta honesta é que não sei ainda, estou confuso. Por alguns motivos. É uma mudança nova no futebol brasileiro, sendo testada, tem que chegar em uma conclusão, como investir dinheiro sem ter controle. Difícil conciliar com as complicações políticas de um clube brasileiro. Segundo, de onde vem o retorno do investimento? O Chile já foi nessa direção anos atrás, a Colômbia também. Talvez os dois campeonatos da América do Sul operando mais em baixa são Chile e Colômbia. Não necessariamente é salvação. Tem se criado expectativa que vai salvar tudo. Não sei. De onde vem o retorno? Vários desses clubes procuram vender jogadores, porque o retorno vem daí. Mas qual o objetivo do clube? Vender ou competir por títulos? Com a pressão de torcidas brasileiras, essa relação vai ser tensa. Para mim é cedo saber qual o objetivo do investidor, onde vai ganhar o retorno dele. Pode ser o que o retorno seja vender para outro ricaço daqui a 15 anos – ponderou Tim Vickery.

O jornalista citou como exemplo o Arsenal na Inglaterra.

– Futebol anda em corda bamba entre negócio e cultura. Se for longe demais em negócio, vai afastar torcedor, que quer resultados em campo, não no balanço de lucros. Vi isso na Inglaterra com o Arsenal, construiu novo estádio para competir melhor, mas duas coisas mudaram. A crise financeira e o surgimento de times como Chelsea e Manchester City, bancados por estados ou milhões de petróleo. O Arsenal viu que não dava para competir. Qual o objetivo? Ser campeão, não. Se classificar para ligar europeias, era suficiente para ganhar dinheiro. Mas não ganhar campeonatos mina o clube todo, entra em mediocridade. O mesmo processo aconteceu com Manchester United. É quase um processo de enganar torcedor, vamos competir, mas não vamos. Na verdade vamos querer lucrar, não podemos competir com Chelsea ou Manchester City – argumentou.

O historiador Luiz Antônio Simas também deu seu opinião antes do anúncio da venda da SAF do Botafogo.

– Eu acho muito difícil. Você pega um clube como o Botafogo, turbulento, passa o discurso de que a SAF é a salvação do Botafogo. Aí diz que ativos vão ser jogados em sociedade anônima, como contrato de jogador, base, direitos de transmissão. Vem critério que se não funcionar direito o clube pode recomprar o próprio clube. O Vitória S/A deu errado em 2005, 2006, o Vitória teve que recomprar as ações vendendo a sede de praia. É muito complicado esse tipo de coisa. Esses caras querem grana. Ninguém bota dinheiro pensando em tradição do clube. Quem bota vai querer tirar, ter lucro. Acho muito complicado em clube com gestão política marcada por turbulências. O Botafogo precisava discutir democratização do clube. Isso está sendo vendido com Santo Graal da salvação, acho bem complicado – explicou.

Fonte: Redação FogãoNET e SporTV

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