XP já tem em mãos um piso de aporte que Botafogo acredita ser necessário para S/A

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Por FogãoNET

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XP já tem em mãos um piso de aporte que Botafogo acredita ser necessário para S/A
Vitor Silva/Botafogo

Vasco e Botafogo fazem neste domingo, às 16h, um clássico com sabor de despedida. Em 2022, provavelmente estarão em divisões diferentes e somente voltarão a se enfrentar pelo Brasileiro, com sorte, no ano seguinte. Eles seguem caminhos distintos também fora de campo, ainda que o objetivo seja o mesmo: reverter a decadência financeira que arrastou o duelo para a Série B.

O Botafogo defende a transformação em sociedade anônima como caminho inevitável para os grandes clubes brasileiros e diz estar pronto para ser o pioneiro, nos moldes estabelecidos pela Lei da Sociedade Anônima do Futebol, de agosto deste ano. De fato, o ambiente interno é favorável, com a aprovação da mudança pelos conselheiros do clube ainda em 2019. O déficit inferior ao previsto em 2021 é apresentado como prova de bom trabalho da atual gestão e, para completar, a nova legislação traz segurança jurídica para a mudança. O alvinegro “somente” precisa convencer investidores de que a compra dos ativos do futebol vale a pena mesmo com a dívida que bateu quase R$ 1 bilhão em 2020.

— Existem incertezas, ninguém no Botafogo está minimizando as dificuldades. Mas estou convencido de que o clube é o mais preparado do Brasil para entrar nessa nova etapa — afirmou o CEO Jorge Braga.

A separação do futebol em relação ao clube social não livrará o investidor do fardo. A Lei da Sociedade Anônima do Futebol determina que 20% das receitas da empresa criada sejam utilizadas para quitar o passivo que está no nome do clube. No caso do Botafogo, esse montante não deve ser suficiente para que o alvinegro cumpra o plano de pagamento sugerido para as Justiças Trabalhista e Cível, que determina a quitação de pelo menos 60% da dívida em até dez anos no Regime Centralizado de Execuções. Em outras palavras: ou o clube encontra outras maneiras de abater esse passivo, independentemente da sociedade anônima, ou deixará o investidor com o ônus de repassar mais do que os 20% da receita para o pagamento das dívidas previstos na lei. É isso ou o acerto judicial cai, e a sociedade anônima fica à mercê de penhoras e execuções.

O retorno à Série A está próximo (uma vitória no clássico leva o time à liderança) e torna o Botafogo mais atraente. Neste cenário, o investidor vai se deparar com um clube que, na primeira divisão, gera receita na ordem dos R$ 200 milhões anuais. Os gastos com a folha salarial do futebol, que este ano foram de R$ 30 milhões, deverão aumentar para a montagem de um elenco capaz de evitar o efeito gangorra no Campeonato Brasileiro, de acessos e quedas em sequência.

A XP Investimentos está responsável por apresentar o Botafogo para potenciais investidores no exterior. O número é mantido em sigilo, mas a corretora de valores já tem em mãos um piso de aporte que o clube alvinegro acredita ser suficiente para repassar seus ativos do futebol — jogadores sob contrato, exploração da marca e receitas — e ainda ter a confiança de que o investidor possuirá capacidade de arcar com o passivo. O clube espera ter um parceiro definido para comprar a operação do futebol alvinegro no segundo semestre de 2022.

Fonte: O Globo Online

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