O que aconte com o nosso Botafogo? Campeão carioca há exatos dois meses, o Glorioso não consegue emplacar no Campeonato Brasileiro. E o que mais chama a atenção é o comportamento da torcida alvinegra. Sabemos que o longo período sem títulos de expressão contribui para a desconfiança, mas hoje parece ser melhor jogarmos fora de casa do que dentro.

O ambiente no Estádio Nilton Santos, se o time não conseguir um gol na primeira parte do jogo, é totalmente adverso. Os “sete mil de sempre” estão cada vez mais impacientes. Diante do Ceará, na última quarta-feira à noite, foi inegável como o comportamento agressivo da torcida contribuiu para a atuação ruim do time.

Antes de tudo, é bom deixar claro que não vamos tirar aqui a responsabilidade do técnico Alberto Valentim e dos jogadores por mais uma atuação abaixo da crítica. Mas, se o time não está bem, não ajudará em nada vaiar o jogador com 20, 25 minutos do primeiro tempo. Vaiar quando o jogo acaba, aí sim, é normal.

Marcinho - Botafogo x CearáMarcinho, de 22 anos e formado na base, foi um dos mais vaiados no decorrer do jogo (FOTO: Vitor Silva/SSPress/BFR)

Marcinho fez uma péssima partida e já vem mal há alguns jogos, mas o excesso de vaias a cada toque na bola o deixou ainda mais nervoso em campo. É um garoto de 22 anos, formado na base. Teve um lance no segundo tempo em que ele quis se livrar da bola rapidamente para não ser ainda mais vaiado e errou o passe. É claro que ele tem que aprender a saber lidar com isso. Mas, assim, com a nossa própria torcida?

Quem vai aos jogos do Botafogo no Estádio Nilton Santos percebe que a atmosfera de um jogo normal, com o público sempre variando entre 6 e 8 mil pessoas, é na maioria das vezes bastante adversa. A equipe só se sente realmente apoiada quando, ou consegue um gol logo no começo, ou aparecem 15, 20 mil pessoas. Aí, fica aqui uma sugestão para a diretoria.

Que tal fazermos uma política de preços populares para determinados jogos? Aproximar o time da torcida? Pelo menos nos jogos da Sul-Americana isso seria interessante. Colocar ingresso a R$ 10 nos setores centrais, a R$ 5 atrás do gol. Sei lá. Dar gratuidade a grupos de sócios-torcedores. Chamar a galera e firmar um pacto. Porque, do jeito que está, é bastante complicado.

Não se trata aqui de querer educar o torcedor do Botafogo. É apenas de colocar esse tema, tão importante, em discussão. O que está acontecendo com a nossa torcida? O que falta? A diretoria também tem sua parcela de culpa, depois daquela confusão toda no jogo contra o Audax Italiano, quando os torcedores foram impedidos de fazer uma festa legal porque a Conmebol não tinha sido comunicada pelo clube.

Mais repercussão na derrota do que na vitória

Outro fator que chama a atenção é demonstrado até aqui mesmo, no FOGÃONET. Quando o Botafogo ganha, o número de comentários nas matérias é baixo. Em compensação, quando tropeçamos, é uma enxurrada de críticas. Dez minutos depois do encerramento do jogo com o Ceará, já havia 100 comentários na crônica da partida. Em jogos com vitória, isso varia de 30 a 40. É claro que a corneta sempre é válida. Mas vamos deixar a ira vencer?

Sugestões abaixo nos comentários. Saudações alvinegras!