Análise: Botafogo é impecável taticamente em vitória sobre o Coritiba fora de casa

26 comentários

Blog da Redação

Blog da Redação

Compartilhe

Análise Coritiba x Botafogo

Na garra e na organização. O Botafogo foi até o Couto Pereira e venceu o Coritiba por 1 a 0. O gol da vitória foi marcado por Rafael Navarro. Essa foi a segunda vitória do Alvinegro fora de casa na Série B. O resultado faz o time dormir no G4, com 35 pontos e de olho no próximo jogo do Náutico para consolidar a posição entre os quatro primeiros.

Enderson Moreira mostrou precaução na escalação do time para o confronto com o líder do campeonato. Com a necessidade urgente de melhorar o desempenho como visitante, o treinador se preocupou em não alterar a dinâmica defensiva da equipe, ainda que para isso tenha aberto mão de jogadores mais talentosos. Chamou atenção a ausência de Luís Oyama entre os titulares. Um dos destaques do Botafogo nas últimas rodadas, o volante foi preterido por Barreto e Pedro Castro no meio-campo. Em teoria, a dupla jogou para aumentar a altura do time e defender a área contra um adversário que marca muitos gols a partir de cruzamentos. Vindo de boas atuações, o capitão Joel Carli foi mantido para reforçar o jogo aéreo.

Também pela contribuição defensiva, Marco Antônio permaneceu na equipe, deslocado para o lado esquerdo para substituir Diego Gonçalves. Mais baixo e com menor força física, Ênio seguiu como opção no banco de reservas. Warley entrou pela direita como opção de velocidade e transição em bolas longas. Na lateral-esquerda, Jonathan Silva assumiu a titularidade depois da lesão de Hugo.

Análise Coritiba x Botafogo

O jogo começou com o Botafogo tendo muito a bola nos pés e, como já se tornou uma marca sob o comando de Enderson, explorando muito os lançamentos dos zagueiros para as extremidades do campo. Warley e Jonathan foram os responsáveis por dar profundidade nas laterais. Como o time atua com dois zagueiros destros e complementa a saída de três com o lateral direito Daniel Borges, as linhas de passe em diagonal para a faixa esquerda aparecem com mais naturalidade. Quando tentou criar por dentro, com a bola no chão, faltou rapidez e movimentação na troca de passes para aproveitar os espaços que a defesa dos paranaenses oferecia. A partir dos 20 minutos, o Coritiba equilibrou a posse de bola, mas também pouco criou.

Defensivamente, o time alvinegro se postou muito bem no primeiro tempo. Subiu a marcação, incomodou a saída de bola do Coritiba e recuperou bolas no campo de ataque. Barreto e Pedro Castro estiveram bem atentos para cobrir os espaços e acompanhar a subida dos jogadores da frente. As melhores jogadas de ataque do Alviverde foram pelo lado direito da defesa do Botafogo, com Igor Paixão levando a melhor sobre Daniel Borges na velocidade. Mas foram em chutes de fora da área que Diego Loureiro precisou trabalhar.

Competindo bem no jogo, o Glorioso abriu o placar aos 37 minutos. De um erro de passe, o time teve um lateral que Daniel Borges cobrou rapidamente. Chay conduziu, cortou para dentro e cruzou na medida para Rafael Navarro cabecear e marcar seu sétimo gol na Série B. O centroavante, que tem o futuro incerto e pode deixar o clube, mostrou mais uma vez sua importância para a equipe. Dessa vez, brigou menos e participou menos do jogo, mas se posicionou bem nas costas do zagueiro e aproveitou a chance que teve.

Análise Coritiba x Botafogo

Novamente, o Botafogo fez um bom primeiro tempo de jogo, sem brilho técnico – exceção feita ao lance do gol -, porém com ótima postura tática e muito competitivo em todas as áreas do campo. O desafio foi manter o nível de concentração e comprometimento tático durante os 90 minutos de jogo. A volta para o segundo tempo mostrou um Coritiba mais intenso, que conseguiu rodar a bola no campo ofensivo e fazer ela chegar nos jogadores de velocidade nas pontas. Começou, então, uma tentativa de pressão do time da casa a partir de uma chuva de bolas na área do Alvinegro.

Sem ter a bola, vendo Warley e Marco Antônio fora do jogo e os cruzamentos do Coritiba provocando erros na defesa, Enderson fez a leitura da situação e resolveu colocar Luís Oyama em campo, ainda no começo da segunda etapa. O volante entrou no lugar do lateral Jonathan Silva e compôs a linha de meio-campo pelo lado esquerdo. Warley foi deslocado para a lateral-esquerda e Marco Antônio voltou para o lado direito, por onde vinha atuando nas últimas partidas. A entrada de Oyama e as alterações táticas melhoraram o time. O meio-campo ficou mais encorpado e a marcação nas laterais foi reforçada. Chay também ganhou protagonismo, com menos responsabilidade defensiva e mais liberdade para cair pelos dois lados do campo.

Assim, o Botafogo freou o esboço de pressão que o Coritiba ameaçou e controlou um pouco mais a partida. De ambas as partes houve pouco jogo no segundo tempo, o que favoreceu o Glorioso. Os dois goleiros não precisaram fazer qualquer defesa nos 45 minutos finais. Depois de acertar o time, na reta final do jogo, Enderson fez substituições incomuns em seu trabalho no Botafogo. Pela primeira vez, deu chance a Ricardinho, que não jogava desde a derrota para o Sampaio Corrêa, no dia 26 de junho. Colocou ainda Ênio para jogar pelo lado direito, para não mexer no posicionamento de Oyama na esquerda. A entrada de Rafael Moura para atuar junto com Ricardinho trouxe alguma preocupação quanto a intensidade do time, mas ambos mantiveram o nível de desempenho.

Análise Coritiba x Botafogo

O Glorioso sustentou a vitória por 1 a 0 sem sofrer defensivamente. A vitória sobre o líder do campeonato, invicto como mandante até então, enche o time de moral para a sequência da competição. Chamou a atenção a entrega e maturidade tática do grupo alvinegro que soube limitar as melhores opções de ataque do adversário. Se não é possível cobrar um futebol mais plástico e com diferentes alternativas ofensivas, hoje o Botafogo tem um time organizado e comprometido para disputar a Série B e buscar o acesso.

Agora, o Botafogo vai ter mais de uma semana até a próxima partida. No sábado (4), o Glorioso viaja para mais um desafio fora de casa, contra o Remo, em Belém.

Números do jogo: (Sofascore)

Posse de bola – BOT 41% x 59% COR
Passes certos – BOT 224 (74%) x 349 (80%) COR
Cruzamentos – BOT 5/15 (33%) x 5/22 (23%) COR
Bolas longas – BOT 26/61 (43%) X 44/73 (60%) COR
Dribles – BOT 6/11 (55%) x 14/19 (74%) COR
Finalizações – BOT 11 (3 no gol) x 12 (3) COR
Finalizações dentro da área – BOT 4 X 4 COR
Chances claras – BOT 1 x 0 COR
Duelos ganhos – BOT 50 x 62 COR
Desarmes – BOT 11 X 17 COR
Cortes – BOT 20 x 9 COR
Interceptações – BOT 17 x 11 COR
Faltas – BOT 11 x 16 COR

Fonte: Redação FogãoNET

Notícias relacionadas