Análise: Botafogo é letal no primeiro tempo, sofre com substituições na etapa final e segura vitória sobre o César Vallejo

14 comentários

Blog da Redação

Blog da Redação

Compartilhe

Análise: Botafogo é letal no primeiro tempo, sofre com substituições na etapa final e segura vitória sobre o César Vallejo
Vitor Silva/Botafogo

O pesadelo do segundo tempo do jogo contra o Athletico pela Copa do Brasil por pouco não voltou a assombrar o Botafogo. Em Trujillo, no Peru, o Glorioso enfrentou o Universidad César Vallejo pela Copa Sul-Americana e venceu por 3 a 2. Depois de abrir três gols de vantagem no primeiro tempo, o desempenho no segundo tempo foi abaixo do esperado e quase custou a vitória. As substituições de Castro durante o jogo para poupar jogadores importantes fragilizaram a equipe. Apesar do susto, os três pontos conquistados fora de casa levaram a equipe ao primeiro lugar a duas rodadas do final da fase de grupos.

O treinador Luís Castro manteve-se fiel ao discurso de lutar em todas as frentes, sem priorizar competições, e não quis saber de poupar titulares contra o lanterna do grupo. O tropeço da LDU ao empatar com o Magallanes na última terça-feira abriu a possibilidade de o Botafogo chegar à liderança do grupo A e poder jogar por um empate contra os equatorianos na próxima rodada, na altitude de Quito. Vencer o grupo garante a classificação direta para as oitavas de final, enquanto o segundo colocado disputa uma fase eliminatória contra um time oriundo da Libertadores.

Por isso, foram poucas as mexidas no time titular. Marlon Freitas entrou no lugar de Gabriel Pires, que ficou no Rio fazendo trabalho de recuperação. O treinador também trocou os dois pontas, escalando Gustavo Sauer e Victor Sá, com Junior Santos e Luis Henrique entre os reservas. No mais, força máxima na última linha de defesa e no ataque, com Eduardo e Tiquinho Soares. O centroavante chegou nesta quinta-feira a 555 minutos (sem considerar acréscimos) jogados apenas no mês de abril.

Análise Universidad César Vallejo x Botafogo

O Botafogo teve um início de jogo morno no Estádio Mansiche. Com mais posse de bola, mas sem conseguir imprimir a velocidade habitual na transição ofensiva para explorar os espaços oferecidos pela frágil defesa do César Vallejo. Os donos da casa aproveitaram impor o seu ritmo no jogo e conseguiram algumas descidas perigosas pelas beiradas do campo, especialmente com o extremo Jairo Vélez levando a melhor no duelo com Marçal. Os peruanos deram as primeiras finalizações da partida e chegaram com perigo aos 16 minutos em cabeçada do zagueiro Carlos Ascues.

Mas não demorou para o Glorioso fazer valer sua superioridade e expor o abismo que separa as duas equipes. Se faltava velocidade na troca de passes, o time mostrou que tem outras armas para atacar o adversário e criar situações de gol. O primeiro gol, aos 20 minutos, nasceu dos pés de um lançamento de Marlon Freitas. No Brasileirão, o volante registra uma média impressionante de 80% de acerto nos passes longos, com 2,7 lançamentos certos por jogo. Quando o César Vallejo não pressionou a posse de Marlon perto do círculo central, o volante leu a marcação desorganizada e lançou Victor Sá em profundidade. O ponta atacou o espaço criado pela movimentação de Tiquinho, dominou, cortou para o pé direito e bateu forte para abrir o placar.

Análise Universidad César Vallejo x Botafogo

Aos 30, foi a vez da bola parada alvinegra fazer mais uma vítima. Em cobrança de falta de Marçal, Adryelson atacou a área e subiu sem ser incomodado para cabecear no canto esquerdo do goleiro. Seis minutos depois, o Botafogo encaixou uma troca de passes rápida quando Victor Sá e Eduardo tabelaram e o ponta atropelou o marcador em velocidade, invadiu a área e rolou para Gustavo Sauer marcar o terceiro. Sauer foi o jogador que menos participou do jogo no primeiro tempo (apenas 12 toques na bola), mas apareceu bem para finalizar a jogada e aproveitou com oportunismo sua única finalização. Em quatro finalizações no primeiro tempo, a equipe marcou três gols.

Com o jogo resolvido nos primeiros 45 minutos, Castro pode fazer substituições para poupar jogadores importantes. E foram logo três mexidas no intervalo: mudança na dupla de zaga, com as entradas de Philipe Sampaio e Luis Segovia, além da entrada de Raí no lugar de Tchê Tchê. Com a entrada do meia, Eduardo recuou para atuar como um ‘oito’ na construção das jogadas.

O Botafogo voltou do intervalo no mesmo ritmo da metade final do primeiro tempo, com uma sensação de total controle do jogo. Sem a urgência pelo resultado, o time jogou sem pressão e conseguiu quatro finalizações logo nos primeiros 15 minutos do segundo tempo. No entanto, sem repetir o mesmo aproveitamento letal, os quatro chutes foram para fora. Aos 17 minutos, Eduardo foi o próximo a ser poupado e deixou o campo para a entrada de JP.

Aos 20 do segundo tempo, o César Vallejo diminuiu o prejuízo. Lançamento de Vélez nas costas de Philipe Sampaio e gol de Yorleys Mena. O zagueiro alvinegro não alcançou a bola pelo alto e também não manteve a formação em linha, dando condição de jogo para o atacante. No primeiro tempo, Mena apareceu duas vezes em impedimentos claros, mostrando pouca leitura de posicionamento em campo. O gol renovou a confiança dos peruanos, que tomaram as rédeas da partida e passaram a dominar o jogo.

A insegurança de Sampaio e Segovia junto à falta de combatividade no meio-campo cobraram um preço e o Botafogo ficou acuado em campo. Castro precisou fazer a primeira substituição por razão tática e não para poupar um jogador quando entrou com Júnior Santos no lugar de Gustavo Sauer. O objetivo era recolocar o time no jogo a partir da imposição física de Júnior pelo lado direito. Com poucos segundos em campo, o atacante não teve a oportunidade de participar do jogo quando o César Vallejo marcou o segundo.

Aos 32, Osnar Noronha atacou o espaço entre Di Placido e Sampaio, invadiu a área e surpreendeu Lucas Perri.

Os donos da casa se mandaram para o ataque e finalizaram dez vezes no segundo tempo (oito após os 20 minutos, quando marcaram o primeiro gol). A injeção de confiança empurrou o César Vallejo para frente e o Botafogo teve pouca resposta para as investidas dos peruanos. Ao perder o meio-campo e as alternativas de ataque em velocidade, jogadores como Victor Sá e Tiquinho pouco participaram do jogo depois dos 15 minutos da etapa final. No final, o Glorioso ainda escapou de sofrer o empate no último lance da partida em finalização de Mena que acertou a trave esquerda de Perri.

Análise Universidad César Vallejo x Botafogo

O Botafogo recebe o América Mineiro no próximo domingo (28), às 19h, no Nilton Santos. Na 19ª colocação com quatro pontos, o Coelho conseguiu sua primeira vitória no Brasileirão na última rodada, ao bater o Fortaleza por 2 a 1. Enquanto o vice-líder Palmeiras enfrenta o Atlético-MG em Belo Horizonte, o Glorioso joga com a possibilidade de abrir vantagem na liderança do campeonato.

Números do jogo: (Sofascore)

Posse de bola – UCV 49% x 51% BOT
Passes certos – UCV 305 (79%) x 345 (80%) BOT
Finalizações – UCV 15 (3 no gol) x 10 (3) BOT
Finalizações dentro da área – UCV 8 x 7 BOT
Grandes chances criadas – UCV 3 x 2 BOT
Grandes chances perdidas – UCV 2 x 0 BOT
Desarmes – UCV 15 x 16 BOT
Interceptações – UCV 10 x 9 BOT
Cortes – UCV 7 x 23 BOT
Cruzamentos – UCV 4/27 (15%) x 1/4 (25%) BOT
Bolas longas – UCV 32/72 (44%) x 26/66 (39%) BOT
Dribles – UCV 12/21 (57%) x 5/9 (56%) BOT
Disputas de bola vencidas – UCV 47 x 46 BOT
Disputas aéreas vencidas – UCV 10 x 15 BOT
Faltas – UCV 14 x 12 BOT
Cartões amarelos – UCV 1 x 2 BOT

Fonte: Redação FogãoNET

Notícias relacionadas