Análise: Botafogo supera Brasil-RS e gramado terrível para voltar a vencer fora de casa em jogo brigado

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Blog da Redação

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Análise Brasil-RS x Botafogo

Foste herói em cada jogo, Botafogo, por isso que tu és o campeão da Série B de 2021. Depois de garantir o acesso na última rodada, o Glorioso conquistou o título na tarde de domingo. E a conquista não poderia chegar em outra situação, senão com a luta que se tornou a marca do time desde a chegada de Enderson Moreira. O time bateu o Brasil de Pelotas por 1 a 0, gol de Diego Gonçalves, e jogou boa parte do segundo tempo com um jogador a menos.

O confronto colocou frente a frente os dois pólos da tabela. O Botafogo líder em busca do título contra o lanterna e já rebaixado Brasil. Para aproveitar esse cenário favorável e voltar a vencer fora do Rio de Janeiro, o que não acontecia desde a vitória sobre o Remo, no dia quatro de setembro, Enderson Moreira escalou o que teve de melhor a sua disposição. Para a partida, o treinador perdeu Chay, Hugo e Pedro Castro por causa de lesões. Nos seus lugares, entraram Barreto, Carlinhos e Warley. Dessa forma, Marco Antônio foi deslocado para a faixa central para executar a função de articulação do ataque alvinegro.

Análise Brasil-RS x Botafogo

O Botafogo teve dificuldades no começo do jogo. Além do Brasil, o calor e o gramado também jogavam contra. O campo ruim atrapalhou a troca de passes e a fluidez do jogo alvinegro. O aproveitamento de passes certos oscilou entre 68% e 73% durante o primeiro tempo, bem abaixo da média de 79% do time no campeonato. Com o jogo curto e de movimentações rápidas emperrado, a bola longa virou a principal opção de saída de bola. O capitão Joel Carli tentou sete lançamentos e acertou dois nos 45 minutos iniciais. As bolas levantadas na área também se tornaram uma arma, sobretudo devido a grande quantidade de faltas que o time gaúcho cometeu. Em uma dessas faltas cobradas para a área, Carlinhos bateu, Navarro ajeitou bonito e Diego Gonçalves abriu o placar.

A bonita assistência e o gol de Diego Gonçalves foram o ponto alto de um primeiro tempo de baixíssima intensidade e pouco futebol. O Botafogo foi para o intervalo com 40% da posse de bola e viu o Brasil de Pelotas crescer no jogo e arriscar algumas finalizações. Em um jogo que pouco passou pelo meio-campo alvinegro, Marco Antônio foi peça nula. Maior responsável pela criação do time, o meia acertou apenas seis passes na etapa inicial. Pelo lado esquerdo, Carlinhos e Diego conseguiram, ao menos, combinar algumas jogadas e sofrer faltas que terminaram em cruzamentos para a área. Já na direita, quando não contou com o apoio de um dos volantes, Warley jogou mais isolado e também participou pouco do jogo.

Se a dupla de volantes formada por Pedro Castro e Oyama foi um dos principais destaques do Botafogo nas últimas rodadas, a entrada de Barreto poderia indicar uma mudança na forma do time jogar, ou ainda sinalizar uma sobrecarga em cima de Oyama no trabalho de ligação e organização do meio-campo. Mas Barreto, apesar das limitações técnicas quando comparado aos dois companheiros, não se absteve de jogar. O volante participou da saída de bola, apareceu no ataque como suporte aos pontas e foi o jogador com mais toques na bola (35) na primeira etapa, a maior parte no campo de ataque. Isso indica que Enderson gostou de ver o time com dois volantes mais participativos, que apoiam e oferecem mais alternativas ofensivas, e espera que Barreto se adapte nessa função.

Análise Brasil-RS x Botafogo

Sem substituições, o Botafogo tentou reencontrar o ritmo e a intensidade, perdidos depois do gol. No entanto, os erros de passe continuaram impossibilitando o melhor desenvolvimento do futebol e o time seguiu dependente dos cruzamentos. A primeira boa chance surgiu com Carli em uma cobrança de escanteio aos 11 minutos. Na sequência, contra-ataque do Brasil, Oyama falhou no corte e Barreto cometeu falta por trás na entrada da área. Depois de análise do VAR, o juiz expulsou o volante por destruir uma chance clara de gol. A expulsão foi um castigo para o jogador que fazia uma apresentação sólida. A não interferência do VAR em um toque de mão na área do adversário, apenas dois minutos antes da falta cometida por Barreto, irritou bastante os jogadores alvinegros.

Romildo entrou no lugar de Marco Antônio para recompor o meio-campo e reforçar a marcação sobre um adversário que, mesmo com muitas limitações, procurou exercer alguma pressão para buscar o empate. O Botafogo continuou sem conseguir imprimir velocidade na transição para articular jogadas de ataque. Enderson apostou na individualidade de Ronald para conseguir puxar contra-ataques no lado direito. Aos 34 minutos, o Glorioso criou o lance mais perigoso no segundo tempo em uma jogada que pouco usou durante o jogo, o pivô de Navarro. O centroavante dominou, atraiu a marcação de dois adversários e tocou para Diego Gonçalves que invadiu a área e chutou cruzado para fora.

Análise Brasil-RS x Botafogo

O desempenho da equipe neste domingo não pode desconsiderar o gramado que torna muito difícil qualquer tipo de jogo baseado em toque de bola. Ainda assim, mais uma vez o Botafogo não jogou bem, mesmo antes da expulsão. Contudo, mais uma vez o time não foi batido mesmo jogando abaixo do que pode. Por isso, voltamos a exaltar a competitividade e a força defensiva que Enderson conseguiu construir com esse grupo e são a marca do título conquistado com uma rodada de antecipação. Para 2022, será preciso mais, pois o nível técnico do futebol praticado na Série A é muito superior. Além de reforços, Enderson vai precisar encontrar formas de fazer esse time mais criativo. Mas isso é para o ano que vem. Agora, é hora de comemorar o título conquistado em uma arrancada impressionante que tornou o time dominante no campeonato.

O adversário na última rodada da Série B será o Guarani, no próximo domingo (28), às 16h. O Bugre, quarto colocado no início desta rodada, virá ao Nilton Santos tentar estragar a festa alvinegra em busca da vitória para buscar também o acesso à primeira divisão.

Números do jogo: (Sofascore)

Posse de bola – BOT 40% x 60% BRA
Passes certos – BOT 160 (65%) x 306 (78%) BRA
Cruzamentos – BOT 5/19 (26%) x 5/16 (31%) BRA
Bolas longas – BOT 24/67 (36%) X 40/78(51%) BRA
Dribles – BOT 2/6 (33%) x 6/14 (43%) BRA
Finalizações – BOT 12 (2 no gol) x 13 (5) BRA
Finalizações dentro da área – BOT 6 X 5 BRA
Chances claras – BOT 2 x 0 BRA
Disputas de bola vencidas – BOT 56 x 50 BRA
Disputas aéreas vencidas – BOT 17 x 16 BRA
Desarmes – BOT 23 X 13 BRA
Cortes – BOT 16 x 11 BRA
Interceptações – BOT 7 x 13 BRA
Faltas – BOT 15 x 17 BRA

Fonte: Redação FogãoNET

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