Análise: décimo clube da carreira, Botafogo pode ser a casa que Lucas Piazon procura

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Análise: décimo clube da carreira, Botafogo pode ser a casa que Lucas Piazon procura
Vitor Silva/Botafogo

Depois de uma década no futebol europeu, Lucas Piazon chegou para reforçar o Botafogo. O retorno do meia de 28 anos ao Brasil tem ares de um refazimento, uma busca de atingir um potencial jamais alcançado em sua trajetória de andarilho no velho continente. No Glorioso, também em reconstrução e carente de referências, Lucas pode encontrar o ambiente ideal para construir um vínculo duradouro com um clube.

Piazon foi comprado pelo Chelsea por 7,5 milhões de euros em 2011, sem sequer ter estreado como profissional no São Paulo, mas já com algum destaque nas seleções de base. No clube inglês não conseguiu encontrar seu espaço e viu ano após ano seu nome envolvido em negociações por empréstimo. Enquanto esteve sob contrato com os Blues, foram sete empréstimos para times de quatro países diferentes. Málaga, Vitesse, Frankfurt, Reading, Fulham, Chievo e Rio Ave. Por mais que tenha feito algumas boas temporadas, como no Vitesse em 2013/14, quando terminou a temporada com 11 gols e oito assistências, o jogador nunca conseguiu lugar no estrelado elenco do Chelsea.

Em entrevista ao jornal português “A Bola”, em 2019, quando de sua chegada ao Rio Ave, Lucas afirmou estar cansado de tantos empréstimos e que precisava sentir-se em casa em algum lugar. Em Portugal, fez uma boa temporada 2019/20, ajudando seu time a terminar na quinta posição, classificado para a Europa League. O treinador Carlos Carvalhal trocou o Rio Ave pelo Braga e pediu a contratação do meia brasileiro. Parecia, enfim, a redenção de Piazón no futebol europeu, depois de um bom desempenho em 2020/21, com oito gols e cinco assistências. Marcou, inclusive, um golaço sobre o Benfica que valeu o título da Taça de Portugal ao Braga. Contudo, na temporada atual, o jogador não foi capaz de dar sequência ao nível de atuações, perdeu a titularidade, disputou apenas 15 partidas (sete como titular) e não contribuiu com nenhum gol ou assistência. Seu último jogo foi no dia 23 de dezembro, na derrota do Braga para o Vizela pela Taça de Portugal.

Análise Lucas Piazon

Treinado por Carvalhal, Piazon atuou quase sempre como um meia-atacante aberto pela direita em um sistema 3-4-3. Em uma variação tática, jogou também como um meia interior no 4-3-3. A intensidade e a constante troca de posições cobrada pelo treinador exigia de Lucas participação em mais setores do campo, buscando um jogo associativo com os companheiros por dentro e abrindo um corredor para a subida do ala. Apesar de atuar pelo lado direito, o jogador não costuma buscar a linha de fundo para cruzamentos, jogando como um ponta construtor, que procura a faixa central para articular as jogadas. Os números ilustram como o meia vai pouco à linha de fundo, com média de 0,1 cruzamentos certos por jogo nas últimas duas temporadas (um a cada dez jogos).

Em sua carreira profissional, Lucas marcou 42 gols em 237 jogos. Por características, o jogador é bastante vertical, mas mesmo quando ataca a profundidade e pisa na área adversária, o passe é a primeira opção. Em sua primeira temporada pelo Braga, quando marcou seis gols no Campeonato Português, teve média de apenas 0,8 finalizações por jogo. O diferencial foi a excelente taxa de conversão de chutes em gols, na casa dos 26% (aproximadamente, uma a cada quatro finalizações terminaram em gol). O meia também é capaz de levar perigo em cobranças de falta.

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Lucas Piazon não é o jogador com o qual a torcida alvinegra sonha para a montagem de um time forte, mas é uma contratação justificável se for comparado às opções que o elenco oferece hoje. O meia chegou, vestiu a camisa 11 e deve, rapidamente, assumir a condição de titular. Em campo, caberá a ele deixar o fardo de eterna promessa para trás e mostrar que tem futebol para ajudar o Botafogo nessa nova fase do clube. Precisa mostrar que é capaz de manter a regularidade de boas atuações durante toda a temporada, aliando alta intensidade e aplicação tática, com todas as dificuldades que o insano calendário do futebol brasileiro reserva para 2022.

Fonte: Redação FogãoNET

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