Análise: Enderson acha o arco que faltava para as flechas alvinegras e Botafogo vence o Confiança

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Blog da Redação

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Análise Botafogo x Confiança

Mais uma na conta! O Botafogo voltou a vencer no Nilton Santos em busca do acesso à Série A. Vitória de 1 a o sobre o Confiança com gol de Diego Gonçalves. O time sofreu com a falta de criatividade durante boa parte do jogo e só no segundo tempo, com substituições do treinador, chegou ao gol da vitória. O Glorioso chegou aos 59 pontos e já conta nos dedos de uma mão os pontos que faltam para voltar à elite do futebol brasileiro.

Lidar com a ausência de Chay foi o principal desafio para o Botafogo. Na Série B, o meia marcou oito gols e distribuiu sete assistências, tem média de dois passes decisivos por jogo e o melhor aproveitamento nos dribles (62%) entre os jogadores alvinegros. É ainda o segundo jogador em todo o campeonato que mais deixou seus companheiros em situação clara para marcar gols, o que ocorreu em nove vezes. Para além dos números, Chay é a referência técnica do time, passe de confiança em momentos de pressão, segura a bola e sofre faltas importantes para a organização ofensiva da equipe.

Sem o camisa 14, Enderson precisou fazer escolhas. Manter a estrutura tática já assimilada e que conduz o time nessa trajetória bem sucedida ou fazer ajustes e optar por jogadores mais talentosos que tem à disposição. Luís Oyama poderia ser uma opção para reforçar o meio-campo, formando uma trinca com Barreto e Pedro Castro. Outra alternativa seria a entrada de um segundo atacante, Rafael Moura ou Matheus Nascimento. Mas a escolha foi pela entrada de Luiz Henrique, que teve sua primeira chance como titular, e pela manutenção do sistema de jogo. O treinador também promoveu mudanças nas pontas, com as entradas de Ronald e Marco Antônio.

Análise Botafogo x Confiança

Com a bola rolando, o que se viu foi Luiz Henrique encostando no lado esquerdo para jogar com Hugo e Marco Antônio. Pela direita, com menos frequência Pedro Castro subiu para apoiar Ronald. A maior concentração de jogadores e consequente foco nas jogadas pela lateral esquerda isolou Ronald no lado oposto, gerando espaços e situações de um contra um, quando o ponta foi acionado em passes longos. Mas essa situação aconteceu poucas vezes, porque o Botafogo preferiu trocar passes curtos e valorizar a posse. Só que faltaram movimentações coordenadas para desequilibrar e surpreender a marcação. Aos 14 minutos, um ótimo exemplo desse tipo de movimentação. Depois de uma longa e paciente troca de passes no campo de defesa, Pedro Castro abriu com o lateral e arrancou para o ataque. Um bonito corta-luz de Navarro e o volante recebeu livre entre as linhas da defesa e achou Marco Antônio que por pouco não abriu o placar.

Na primeira metade da etapa inicial, o time sergipano, embora com as linhas baixas, marcando no próprio campo, teve as saídas em contra-ataque bem desenhadas, pronto para atacar os espaços às costas dos laterais. Aos poucos, o Botafogo tomou conta do jogo e controlou o meio-campo, ainda que apresentasse muita dificuldade para criar e finalizar jogadas de ataque. Além da chance aos 14 minutos, o time só conseguiu criar em lances de escanteio e faltas cruzadas na área. Foi já nos acréscimos que Ronald conseguiu espaço para uma arrancada e criou um lance de perigo.

Análise Botafogo x Confiança

Os 45 minutos iniciais terminaram com somente cinco finalizações do Botafogo. Uma única na direção do gol. O time conseguiu um índice alto de acerto nos passes (86%), fruto das trocas de passes curtos. Luiz Henrique foi quem mais arriscou e, por isso, quem mais errou passes. Em compensação, acertou três cruzamentos e ganhou quase 100% das disputas em que esteve envolvido. A atuação do meia foi discreta como a de todos os seus companheiros. Para não depender do acaso, algo diferente precisava ser apresentado no segundo tempo. Não necessariamente uma substituição, mas uma mudança de postura para encarar a defesa fechada do Confiança. Ainda que a vitória fosse o único resultado do interesse dos sergipanos na luta contra o rebaixamento, era pouco crível que partiriam para cima em busca dos três pontos.

Sem mudanças, o começo do segundo tempo foi uma continuação do cenário do primeiro tempo. O Confiança até teve um pouco mais a bola, mas sem criar nada a partir da posse. O Botafogo poderia se beneficiar do adversário ligeiramente mais propositivo e explorar o jogo em transição com a velocidade de Ronald, no entanto, continuou limitado por uma total falta de criatividade. Logo aos dez minutos, Enderson percebeu e fez alterações. Trocou Barreto por Oyama para tentar qualificar o passe e ter mais alternativas de lançamentos. Mudou também os pontas, com as entradas de Warley e Diego Gonçalves, titulares no último jogo.

Análise Botafogo x Confiança

E a jogada do gol saiu justamente dos pés desses três jogadores. O time não melhorou de imediato, mas passou a ser mais vertical. Por vezes, o Botafogo pareceu um time só de flechas, sem nenhum arco, ou seja, muitos jogadores atacando a última linha esperando um passe que ninguém era capaz de acertar. Oyama assumiu a função de ligação entre meio-campo e ataque, ora em arrancadas ora em sua especialidade, os lançamentos. Aos 29 minutos, o volante lançou Warley aberto na direita. Warley cruzou de primeira e encontrou Diego Gonçalves que escorou para as redes. Gol importante para o atacante que devia uma boa exibição desde que voltou de lesão. O gol premiou ainda as mudanças e a leitura de Enderson, que abriu mão de seu volante marcador que dá equilíbrio ao sistema defensivo ao perceber que o time precisava de um meia passador para o jogo fluir.

Depois do gol, o adversário foi para o ataque e o jogo melhorou para o Botafogo. Ainda assim, o time esteve longe de encantar, jogou nada mais que o necessário para conseguir os três pontos, mas é digno de destaque que novamente fez um jogo em que sofreu pouco na defesa. O Confiança criou uma boa oportunidade aos nove minutos do primeiro tempo, teve duas boas cobranças de falta e nada mais. A defesa segura é o ponto de segurança para que, mesmo quando o time não jogue bem, seja sempre competitivo e vença os jogos que precisa.

Análise Botafogo x Confiança

No domingo (7), às 16h, o Botafogo vai até São Januário enfrentar o Vasco. Se o Glorioso não brilha fora de casa, nos últimos cinco jogos como mandante o Cruzmaltino também não mostrou um desempenho empolgante, registrando duas vitórias, dois empates e uma derrota.

Números do jogo: (Sofascore)

Posse de bola – BOT 47% x 53% CON
Passes certos – BOT 323 (81%) x 369 (82%) CON
Cruzamentos – BOT 6/21 (29%) x 3/15 (20%) CON
Bolas longas – BOT 31/51 (61%) X 32/63 (51%) CON
Dribles – BOT 12/17 (71%) x 9/14 (64%) CON
Finalizações – BOT 12 (4 no gol) x 6 (1) CON
Finalizações dentro da área – BOT 10 X 2 CON
Chances claras – BOT 5 x 1 CON
Disputas de bola vencidas – BOT 50 x 47 CON
Disputas aéreas vencidas – BOT 16 x 18 CON
Desarmes – BOT 12 X 9 CON
Cortes – BOT 12 x 19 CON
Interceptações – BOT 18 x 8 CON
Faltas – BOT 14 x 14 CON

Fonte: Redação FogãoNET

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