Análise: nervoso e amarrado, Botafogo volta a jogar muito mal em derrota para o Avaí; desempenho preocupa

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Blog da Redação

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Análise Botafogo x Avaí

Nervoso e amarrado, o Botafogo foi derrotado pelo Avaí por 2 a 1 no Nilton Santos. Novamente, o time até mostrou um bom futebol nos primeiros minutos, mas caiu muito de produção e criou e finalizou poucas vezes a gol. O Glorioso agora foi ultrapassado pelo time catarinense e ocupa a terceira posição na Série B. Com 48 pontos, o time tem a mesma pontuação do Goiás, quarto colocado, e do CRB, primeiro time fora do G4.

O Botafogo chegou para o difícil confronto com o Avaí em meio a uma sequência de desempenhos instáveis. Nos últimos três jogos, o time perdeu para o CSA jogando mal, venceu o Sampaio Corrêa em atuação discreta e empatou sem gols com o Vitória em jogo de poucos destaques. Contra os catarinenses, o Alvinegro teve a chance de retomar o bom futebol em casa contra um adversário direto na luta pelo acesso. Infelizmente, o time não contou com o apoio vindo das arquibancadas por conta do preço dos ingressos e testes de Covid.

A escalação não trouxe novidades, apenas o retorno de dois titulares. Daniel Borges voltou à lateral-direita depois do desempenho fraco de Jonathan contra o Vitória. Joel Carli também retornou ao time titular após ser poupado e formou a dupla de zaga com Gilvan. O capitão jogou no lugar de Kanu, suspenso.

Análise Botafogo x Avaí

A partida começou equilibrada em alta rotação. Botafogo e Avaí imprimiram velocidade e intensidade desde os primeiros minutos. O Glorioso apostou na troca de passes e forte movimentação para tentar desequilibrar a boa compactação defensiva do adversário, que se fechou em um 4-5-1. Faltou Marco Antônio e Diego Gonçalves aparecerem no jogo, o que concentrou as ações pela faixa central do campo. Já os catarinenses exploraram muito bem as laterais, buscando sempre um jogador em velocidade pelas beiradas. E, com muita frequência, os atacantes levaram a melhor sobre os defensores alvinegros. Gilvan mostrou dificuldade na cobertura de Carlinhos na esquerda e trouxe insegurança ao sistema defensivo.

Mas o bom momento inicial do Botafogo durou pouco. A falta de jogadas com os pontas logo tornaram o time muito previsível e preso à marcação avaiana. Enderson Moreira tentou mudar: primeiro, trouxe Barreto para ajudar na saída de bola e liberou Oyama para avançar e se juntar aos homens de frente. Nos últimos jogos, o camisa cinco tem mostrado problemas para jogar conduzindo a bola pelo centro do campo e tem acumulado erros e desperdícios de posse de bola. Definitivamente, a melhor função do volante é jogando à frente da linha de três, ajudando na rotação da posse de bola e com espaço para usar sua boa qualidade nos passes longos.

Depois, o treinador inverteu o posicionamento de Marco Antônio e Diego Gonçalves. Sumidos em campo, os dois participaram pouco do jogo coletivo da equipe. Ambos jogam melhor abertos pelo lado esquerdo, por onde tanto a capacidade de drible quanto a de finalização são potencializadas. Com os dois fora da partida, Chay ficou sozinho e foi alvo fácil da marcação e Rafael Navarro pouco tocou na bola. Na maior parte das jogadas ofensivas, os jogadores alvinegros estiveram em inferioridade numérica. Algumas das poucas jogadas de destaque surgiram de lançamentos, inclusive, a de um gol de Marco Antônio anulado por poucos centímetros.

Análise Botafogo x Avaí

Dessa forma, o Botafogo foi para o intervalo com uma única finalização no primeiro tempo, enquanto o adversário chutou cinco vezes. Detalhe que nenhuma dessas finalizações foi na direção do gol. O Alvinegro teve dois escanteios e cedeu dez ao Avaí. Embora tenha sido uma primeira etapa tecnicamente fraca dos dois lados, o time catarinense foi mais feliz na execução de sua proposta de jogo. O desempenho ruim do time poderia indicar a possibilidade de alterações por parte de Enderson, mas a escolha do treinador foi por manter os 11 titulares.

O começo do segundo tempo indicava que nada mudaria, mas o futebol sempre reserva as suas. Na sequência de duas bolas paradas, o Botafogo chegou ao gol aos três minutos. Primeiramente, uma falta levantada para a área que a zaga desviou para escanteio. Chay cobrou o escanteio na primeira trave e Diego Gonçalves atacou a bola que ainda tocou no zagueiro e terminou no fundo das redes. O time ainda tentou aproveitar a empolgação e pressionar o adversário, porém o jogo voltou a configuração anterior.

O gol não abateu o Avaí, que subiu a marcação e incomodou muito a saída de bola. Aos 16 minutos, em jogada pelo lado direito da defesa alvinegra, Jean Cléber recebeu e teve todo o tempo do mundo para dominar, levantar a cabeça e cruzar a bola para o meio da área. Gilvan errou o tempo de bola e subiu em branco. Diego Loureiro, que esperou a definição do companheiro, não conseguiu chegar na bola e o cruzamento virou um gol. O erro pode ser compartilhado entre os dois jogadores mais inseguros do elenco, embora o zagueiro mereça maior responsabilidade.

Aos 25, as primeiras substituições no Botafogo. Enderson mexeu nos jogadores que menos funcionaram durante o jogo. Warley entrou no lado esquerdo no lugar de Diego Gonçalves e Rafael, mais uma vez, entrou como meia na vaga de Marco Antônio. As substituições não tiveram qualquer efeito imediato no futebol do time e o Avaí seguiu melhor em campo. Aos 33 minutos, agora pelo lado esquerdo, os catarinenses foram mais uma vez na linha de fundo, Diego Loureiro espalmou o cruzamento para o meio da área e Bruno Silva virou o jogo no rebote.

Imediatamente, o treinador colocou Luiz Henrique e Rafael Moura nos lugares de Chay e Navarro, que tocou somente 19 vezes na bola e distribuiu míseros oito passes no jogo. Ênio também veio para o jogo no lugar de Daniel Borges, deslocando Rafael para a lateral. Se o Botafogo já tinha problemas para jogar coletivamente as mudanças desorganizaram de vez a equipe, que reagiu muito mal aos gols sofridos e mostrou um nervosismo sem explicação. Não houve jogadas a não ser esticadas para Rafael Moura entre dois ou três zagueiros. O Avaí esteve sempre mais próximo do terceiro gol que o Botafogo de conseguir o empate.

Análise Botafogo x Avaí

Melhor mandante do campeonato, o desempenho no Nilton Santos foi o que carregou o time até o G4 e ainda mantém o Botafogo entre os favoritos ao acesso. Por isso, a derrota e, sobretudo, o desempenho muito fraco preocupam para as rodadas finais. A maneira de jogar do Enderson que fez o time arrancar e emendar vitórias em sequência parece ter sido estudada pelos adversários e a equipe tem encontrado muitas dificuldades para encontrar novas soluções. Preocupam também as atuações ruins de Diego Loureiro e Gilvan. A volta de Gatito não pode ser antecipada, por isso, uma volta de Douglas Borges ao gol deve ser discutida. Douglas não falhou tantas vezes quanto Diego antes de perder a vaga. Quanto a Gilvan, existe pouco a ser feito. Sem Lucas Mezenga, o zagueiro deve voltar a jogar quando Kanu ou Carli não puderem atuar. Gilvan tem sido o elo mais frágil do time quando entra em campo.

O Botafogo agora se prepara para outro confronto direto. Na próxima sexta-feira (8), às 19h, vai receber o CRB no Nilton Santos. O time alagoano ocupa a quinta posição e vem de empate no clássico local contra o CSA.

Números do jogo: (Sofascore)

Posse de bola – BOT 51% x 49% AVA
Passes certos – BOT 308 (80%) x 272 (75%) AVA
Cruzamentos – BOT 3/15 (20%) x 3/23 (13%) AVA
Bolas longas – BOT 26/58 (45%) X 41/78 (53%) AVA
Dribles – BOT 9/13 (69%) x 11/16 (69%) AVA
Finalizações – BOT 5 (2 no gol) x 10 (3) AVA
Finalizações dentro da área – BOT 4 X 7 AVA
Chances claras – BOT 0 x 1 AVA
Disputas de bola vencidas – BOT 64 x 53 AVA
Disputas aéreas vencidas – BOT 22 x 19 AVA
Desarmes – BOT 11 X 10 AVA
Cortes – BOT 16 x 12 AVA
Interceptações – BOT 8 x 9 AVA
Faltas – BOT 13 x 23 AVA

Fonte: Redação FogãoNET

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