Análise: sem Chay, sem festa. Falha gritante e pouca criatividade marcam derrota do Botafogo para o Operário

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Blog da Redação

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Diego Loureiro em Operário x Botafogo | Série B do Campeonato Brasileiro 2021
Reprodução/Premiere

No dia do aniversário de 117 anos, não teve presente. O Botafogo encarou o frio, a chuva e o Operário, no Paraná, e saiu derrotado por 1 a 0. Uma falha clamorosa de Diego Loureiro foi determinante para o placar. A derrota freou a arrancada alvinegra e deixou o time na décima posição da Série B com 25 pontos, a quatro do G4.

Com a confiança obtida pela sequência de vitórias, Enderson Moreira tem optado por mexer o mínimo possível na equipe de um jogo para o outro. Na falta de treinos, por causa do calendário apertado, as partidas são usadas para entrosar o grupo, corrigir posicionamento e, eventualmente, testar alternativas. Para o confronto contra o Operário uma alteração foi forçada: Chay precisou ser poupado devido a dores musculares. Sem outro jogador no elenco capaz de executar a mesma função do camisa 14 na criação de jogadas, a escolha do treinador foi por adiantar Pedro Castro e colocar Luís Oyama para formar a dupla de volantes com Barreto.

Análise Operário x Botafogo

Apesar da chuva forte, o gramado suportou e o jogo foi bem disputado desde os primeiros segundos. Por característica, as duas equipes buscaram o jogo rápido pelas laterais e o gramado molhado foi um convite para as finalizações de fora da área. Mas o início do jogo reservou uma situação nova para o Botafogo do Enderson, que pela primeira vez sofreu um gol e saiu atrás no placar. Luís Oyama tentou acelerar por dentro no meio-campo, errou o passe e depois a antecipação. O Operário saiu em velocidade pela esquerda e Daniel Borges não conseguiu chegar na marcação de Thomaz e diminuir o espaço para dificultar o cruzamento. Por fim, a falha crucial da jogada foi a saída em branco de Diego Loureiro que deixou o gol vazio para Paulo Sérgio concluir de cabeça.

Sem Chay em campo, o time perdeu drasticamente em mobilidade e capacidade de improviso. A movimentação e o jogo apoiado que o atacante proporciona é fundamental para colocar os pontas em situação de um contra um, o que potencializa o futebol de Marco Antônio e Diego Gonçalves. Jogando mais à frente, Pedro Castro não consegue entregar o mesmo trabalho de aproximação nas duas laterais e acaba atuando como um segundo atacante, junto a Navarro, de costas para o gol e pouco acionado. Essa dificuldade do meia em atuar adiantado foi vista algumas vezes com Chamusca.

Na maior parte do primeiro tempo, a marcação alta do time paranaense incomodou muito a saída de bola alvinegra. Ainda assim, o Botafogo teve mais posse de bola no primeiro tempo (60%), registrou 83% de acerto nos passes e finalizou 12 vezes a gol. Todos esses números foram superiores à média do time com Enderson nos últimos quatro jogos, mas as jogadas mais perigosas surgiram da jogada mais explorada pelo time: os lançamentos que cruzam o campo explorando a amplitude no lado oposto. Daniel Borges encontrou Guilherme em profundidade na esquerda logo no começo do jogo e o lateral cruzou para Navarro que parou na boa defesa de Simão. Aos 34 minutos, foi a vez de Barreto inverter para Marco Antônio no lado direito e o ponta, sem querer, carimbou o travessão na tentativa de cruzamento. O Glorioso ainda tentou uma blitz no final da primeira etapa e chegou com perigo em cruzamentos que obrigaram o goleiro a trabalhar.

Análise Operário x Botafogo

Na volta do intervalo, Enderson tirou Guilherme para colocar Hugo. Depois da boa jogada no início, o lateral pouco participou do jogo e sofreu bastante com a pressão de Pimpão sobre ele. O Operário baixou as linhas de marcação e procurou se defender no próprio campo, postado em duas linhas de quatro. Com a chuva persistente, o gramado passou a mostrar alguns pontos de acúmulo de água, o que deixou o campo ainda mais pesado e difícil de jogar com passes curtos. Depois de 18 minutos de uma posse infértil, sem conseguir finalizar, com as jogadas terminando em cruzamentos sem destino certo, Rafael Moura veio para o jogo para dar mais presença de área ao time.

Contudo, além da dificuldade em construir em um campo pesado e contra uma defesa fechada, o baixo aproveitamento nos cruzamentos foi uma barreira para o Botafogo conseguir chegar ao gol pelo alto. Daniel chegou pouco ao ataque e Marco Antônio, isolado, foi peça nula na etapa final. As substituições também não deram certo. Hugo errou todos os cruzamentos que tentou. No segundo tempo, o time tentou 15 cruzamentos e acertou apenas três. Com pouca movimentação no seu entorno, Matheus Frizzo não conseguiu contribuir na distribuição da bola. Matheus Nascimento sofreu com o campo pesado. Rafael Moura pouco tocou na bola.

Análise Operário x Botafogo

Da mesma forma que a sequência de vitórias guardava espaço para críticas sobre o desempenho em alguns momentos para conter a euforia, a derrota nas condições em que ocorreu não é uma tragédia. O craque do time não jogou, o gol do adversário saiu em uma falha individual atípica e a equipe teve algumas boas chances de gol, sobretudo no primeiro tempo. Houve ainda um lance de possível pênalti não marcado no final do jogo. O Glorioso continua precisando encontrar outras formas de atacar que não sejam com base em bolas longas ou lampejos individuais do Chay.

O Botafogo volta a campo no domingo para enfrentar o Brasil de Pelotas no Nilton Santos. O time gaúcho é o lanterna do campeonato e não vence há cinco jogos.

Números do jogo: (Sofascore)

Posse de bola – BOT 63% x 37% OPE
Passes certos – BOT 361 (82%) x 178 (68%) OPE
Cruzamentos – BOT 8/29 (28%) x 5/13 (38%) OPE
Bolas longas – BOT 26/58 (45%) X 23/55 (42%) OPE
Dribles – BOT 14/21 (67%) x 6/13 (46%) OPE
Finalizações – BOT 15 (5 no gol) x 12 (3) OPE
Finalizações dentro da área – BOT 7 X 6 OPE
Chances claras – BOT 0 x 3 OPE
Duelos ganhos – BOT 65 x 60 OPE
Desarmes – BOT 16 X 21 OPE
Cortes – BOT 11 x 36 OPE
Interceptações – BOT 11 x 13 OPE
Faltas – BOT 16 x 18 OPE

Fonte: Redação FogãoNET

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