Campeão brasileiro em 1995, o Botafogo foi convidado para um torneio dificílimo em 1996: a 50ª edição do Troféu Tereza Herrera. Os outros participantes eram: Juventus (campeã da Liga dos Campeões e do Intercontinental em 1996 e tricampeã italiana), o Ajax (campeão da Liga dos Campeões e do Intercontinental em 1995) e o Deportivo La Coruña (anfitrião, atual campeão do torneio e campeão da Copa do Rei em 1995). Pelos rivais já dá para ver o tamanho da conquista do Botafogo, que foi eternizada por outro detalhe, como lembramos hoje no “Esse dia foi fogo!“.

“Bicho” caprichado

Antes da competição, o presidente alvinegro Carlos Augusto Montenegro fez um trato com os jogadores.

– A premiação do Tereza Herrera, que tem o troféu mais bonito, era U$ 80 mil. O Montenegro quando viu que estavam Ajax, La Coruña e Juventus, falou: “Se vocês ganharem, a premiação é de vocês, já podem rachar, quero é pagar vocês”. No fundo ele não acreditava que iríamos ganhar, mas avisamos que aquele dinheiro seria nosso – contou o lateral-direito Wilson Goiano, em entrevista dada ao jornalista Fabiano Bandeira.

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Virada do Botafogo na semifinal

Nas semifinais, a Juventus aplicou uma impiedosa goleada de 6 a 0 sobre o Ajax, enquanto o Botafogo venceu o La Coruña de virada por 2 a 1 (gols de Bentinho e Túlio Maravilha), no dia 8 de agosto de 1996.

Campeão com a camisa do La Coruña

Após o La Coruña vencer o Ajax por 2 a 0 na disputa de terceiro lugar, Botafogo e Juventus se enfrentavam na grande decisão, no Estádio Riazor. Mas havia um problema: os dois times têm camisas parecidas, listradas em preto e branco. Como os italianos não toparam mudar de uniforme, o Glorioso teve que improvisar: jogou de short preto do Botafogo e camisa listrada em azul e branco do La Coruña. Ali o título começou a ser conquistado.

– A Juventus estava irredutível, não queria trocar de camisa. O Donato, do La Coruña, sugeriu que jogássemos com a deles. Botamos a camisa do La Coruña primeiro e a do Botafogo por cima na entrada. O Antônio Rodrigues teve uma boa ideia, falou para saudar com a camisa do Botafogo e jogar para a torcida, para ganhar os espanhóis. Quando a torcida do La Coruña viu que estávamos com a camisa deles, o estádio veio abaixo, parecia que estávamos no Caio Martins. Torceram por nós o tempo inteiro, isso nos deu muita força para conquistar aquele título. Foi uma das coisas que só acontecem ao Botafogo, é típico da história do clube – relembrou Wilson Goiano.

No jogo, o Botafogo esteve quatro vezes atrás do placar, mas conseguiu buscar o empate no tempo normal e na prorrogação, com gol de Túlio Maravilha no último lance: 4 a 4. O artilheiro marcou três vezes. Nos pênaltis, brilhou a estrela de Wágner, que pegou as cobranças de Di Livio e Amoruso e viu Jugovic bater para fora. O Fogão perdeu um, mas fez três, o último em um chute esquisito de Souza, e se sagrou campeão do Tereza Herrera de 1996.

FICHA TÉCNICA
BOTAFOGO 4 (3) x (0) 4 JUVENTUS (ITA)

Estádio: Municipal de Riazor, na Espanha
Data: 10/08/1996
Público: 10.000 (estimado)
Árbitro: Antonio Jesús López Nieto (ESP)
Cartões vermelhos: Torricelli e Montero (JUV) e Otacílio (BOT)

GOLS: Vieri, 23/1ºT (0-1); Túlio, 6/2ºT (1-1); Amoruso, 30/2ºT (1-2); França, 31/2ºT (2-2); Amoruso, 5/1ºTP (2-3); Túlio, 15/1ºTP (3-3); Amoruso, 12/2ºTP (3-4); e Túlio, 15/2ºTP (4-4).

Pênaltis: Botafogo 3-0 Juventus (Wilson Goiano, Gottardo e Souza)

BOTAFOGO: Wágner, Wilson Goiano, Wilson Gottardo, Grotto e Jefferson; Souza, Otacílio, Marcelo Alves (Marcos Aurélio) e França (Zé Carlos); Sorato (Mauricinho) e Túlio Maravilha. Técnico: Ricardo Barreto.

JUVENTUS: Peruzzi, Ferrara, Torricelli, Porrini e Montero; Jugovic, Di Livio e Deschamps; Vieri (Boksic), Del Piero (Amoruso) e Padovano (Ametrano). Técnico: Marcello Lippi.

Fonte: Redação FogãoNET e Canal do Fabiano Bandeira