Ah, o trabalho de Jair Ventura é fantástico… É incrível como o Botafogo com tão poucos recursos conseguiu chegar tão longe… Isso tudo é verdade. Mas a coisa desandou. Aquele Botafogo vibrante, contagiante da Libertadores ficou para trás. É nítida a queda, retratada nas três derrotas seguidas dentro de casa. A vaga no G-6, antes praticamente certa, parece escorrer pelos dedos.

Faltam três rodadas para o Campeonato Brasileiro acabar, e é preciso pulso para que a coisa não desande de vez. O trabalho de Antônio Lopes, que já foi elogiado aqui neste blog, precisa aparecer nessas horas, somado aos esforços da diretoria. Gerenciar crises é fundamental – e, pelo que a imprensa publicou hoje, já tem insatisfação com atraso de bicho, demora por renovações… É preciso ter tato para saber lidar com o grupo nas horas que as coisas não ocorrem como o planejado.

João Paulo - Botafogo x Atlético-GO (FOTO: Vitor Silva/SSPress)

Só João Paulo jogou contra o Atlético-GO (FOTO: Vitor Silva/SSPress)

E é aí o ponto que queremos chegar. Tem que haver cobrança. Não é porque o Botafogo tem um orçamento baixo, um elenco enxuto, que todos ali serão imunes de críticas. Jogador de futebol que não sabe conviver com crítica não tem espaço. Só em time pequeno. A bronca da torcida é totalmente compreensível. É inaceitável perder pontos assim e com um futebol tão pobre.

A torcida está vaiando? E sem razão? Ora, peraí… O cara sai de casa, pega a condução, um calor dos infernos, paga ingresso, vai chegar tarde em casa para ver aquilo e querem que aplauda? Bruno Silva, um dos nossos maiores expoentes em boa parte da temporada no quesito raça, pôs tudo a perder com aquele gesto. Tem que ter cabeça fria. Se vai embora, é melhor sair então.

O Botafogo precisa de jogadores focados e que entendam o espírito alvinegro. Precisam ter consciência da história gigante que representam. Vestir essa camisa não é para qualquer um. Não é uma mera formalidade, não. É preciso ter respeito e responsabilidade. Que o gesto de Bruno Silva seja recriminado e punido pela diretoria. Um pedido de desculpas pela rede social apenas não cola. Tem que ser mais.

‘Queremos raça!’

O desespero de ver um futebol tão pobre contra o lanterna deixou a torcida irritada. Gritos de “queremos raça” ecoaram. Sinceramente, acho que raça não é o maior problema. Os caras estão lutando. A questão maior é o desgaste físico de uma temporada que já começou puxada em janeiro e a falta de alternativas para furar equipes fechadas dentro de casa.

Como só temos mais um jogo no Nilton Santos, esse é um problema que terá que ser resolvido em 2018 mesmo. Agora não tem mais tempo. E isso pede reforços. Contra o Atlético-GO, Jair tinha apenas Leo Valencia (que merece mais chances, é um erro do nosso treinador insistir com Marcos Vinicius) e o limitadíssimo Vinicius Tanque para mudar o jogo. Muito pouco.

É torcer para conseguir bons resultados contra São Paulo e Palmeiras e fechar em casa com vitória contra um Cruzeiro de férias. E continuar torcendo para que a sorte esteja do nosso lado, com nossos rivais tropeçando seguidamente. É inadmissível perder a vaga para uma Chapecoense ou um Bahia – clubes com orçamentos ainda menores que o do Botafogo. Com tanta vaga e tanto time ruim, o Botafogo não pode ficar fora do G-7.

Saudações alvinegras!