Foi um vexame. Um ano que tinha tudo para ser mágico acabou de forma ridícula, desastrosa. A torcida do Botafogo, que abraçou a equipe durante praticamente toda a temporada, termina 2017 cuspindo marimbondos, e com toda a razão. A vaga na Libertadores, que parecia questão de tempo, escorreu pelos dedos nos acréscimos da última rodada do Campeonato Brasileiro.

E não foi com o empate contra o Cruzeiro que perdemos a vaga. O Botafogo liderou boa parte do returno, mas nos últimos dez jogos só conseguiu duas vitórias. Um desempenho ridículo. Em casa, sofreu nos últimos meses derrotas para Atlético-GO, Atlético-PR e Vitória. Isso sem contar aquelas derrotas ridículas para São Paulo e Avaí no Nilton Santos. Uma coisa pavorosa.

Chapecoense comemora a vaga para a Libertadores-2018

Chapecoense começou 2017 sem time, jogou 79 partidas em 2017 e terminou na frente do Botafogo


“Pagamos o preço de jogar 110% durante todo o ano”, esquivou-se Jair.
As desculpas são ainda piores. O elenco do Botafogo não era dos piores, não. Tanto que muitas peças hoje estão sendo cobiçadas por outros grandes clubes. As saídas de Sassá e Camilo para as chegadas de Marcos Vinicius e Brenner foram por decisão da diretoria, em conjunto com a comissão técnica.

A Chapecoense destrói qualquer argumento de Jair, Antônio Lopes e dos jogadores. Desde quando dar 110% pode servir de desculpa? A Chape, que não tinha presidente, não tinha comissão, não tinha jogadores, terminou o Campeonato Brasileiro na nossa frente. Jogou a Libertadores como nós jogamos, só não foi para o mata-mata por um erro administrativo. Mas fez 79 jogos, contra 73 do Botafogo em 2017.

“O Botafogo tem um orçamento inferior aos demais adversários”, lembrou Jair algumas vezes. Menor que a Chapecoense? Terminar atrás do Vasco, que estava brigando para não cair e que todos sabem que não tem dinheiro? Classificar-se para a Libertadores tendo oito vagas (ou nove, se o Flamengo conquistar a Sul-Americana) não é nada demais. Deveria, sim, ser uma obrigação.

Torcida do Botafogo (FOTO: Vítor Silva/SSPress/Botafogo)

Que o elenco de 2018 não brinque com o Botafogo (FOTO: Vítor Silva/SSPress/Botafogo)

Aí vem o nosso professor e diz que classificar o Botafogo para duas Libertadores seguidas é como escalar o Everest. Essa declaração só apequena o Botafogo. Aliás, esse grupo de jogadores fez o possível para apequenar o Botafogo no final. O mimimi desnecessário de Roger sobre o pagamento de sua cirurgia é uma prova disso. Vá para o Internacional, seja feliz e nos deixe em paz!

Em tempo, não defendemos a saída de Jair. Acreditamos que o Botafogo agora precisa ter calma, porque 2018 será um ano de pouquíssimos recursos financeiros. É importante manter o treinador, manter uma espinha dorsal na medida do possível com jogadores que queiram jogar aqui e reforçar-se com bons valores, boas apostas. Não será um ano simples.

Antônio Lopes, elogiado aqui anteriormente, deixou a desejar também nesta reta final na gestão do grupo. E agora vai precisar se virar para montar um elenco decente para o ano que vem. O Botafogo é gigante, apesar de muitos se esforçarem para apequená-lo. Nós, apaixonados, que damos tudo sem ter nada em troca, vamos continuar aqui, torcendo, gritando, pagando nosso sócio-torcedor e cobrando um trabalho mais profissional. Chega de passar por sofrimentos e vergonhas desnecessárias!

Saudações alvinegras!