Imagine você ser assaltado seguidas vezes e não ter direito mais sequer de registrar Boletim de Ocorrência? A grosso modo, essa é a relação atual do Botafogo com a arbitragem. Sob o rótulo de “chororô”, encampado por rivais e pela mídia (e já até absorvido por parte dos botafoguenses), o Botafogo parece ter perdido o direito ou a coragem de cobrar providências à CBF e à Comissão de Arbitragem.

Assim, vai sendo sendo prejudicado jogo sim, jogo também no Campeonato Brasileiro e nada muda. O técnico Jair Ventura diz que não comenta arbitragem, os dirigentes não aparecem, restam apenas e-mails enviados à CBF, que, a se imaginar pelo nível dos juízes e pelo tanto de reclamações no Brasil, já devem cair direto na caixa de spam.

Arbitragem voltou a prejudicar o Botafogo contra o São Paulo: Gatito defendeu pênalti inexistente

Arbitragem voltou a prejudicar o Botafogo contra o São Paulo: Gatito defendeu pênalti inexistente

Em 17 rodadas do Campeonato Brasileiro, o Botafogo teve erros contra em 11 (nem vamos contar o grotesco gol anulado de Rodrigo Pimpão contra o Sport na Copa do Brasil). Um número acima de qualquer justificativa. Não vamos entrar no mérito de quantos pontos o Botafogo poderia ter a mais no Brasileirão, porque cada erro poderia mudar totalmente os jogos. Você pode discordar de um ou outro, mas vamos a eles:

1ª Rodada: Grêmio 2 x 0 Botafogo
Pênalti não marcado sobre Roger e gol de mão de Luan

5ª Rodada: Santos 1 x 0 Botafogo
Em uma falta polêmica (para nós inexistente) de João Paulo, aos 50 minutos do segundo tempo Victor Ferraz fez o gol do jogo

6ª Rodada: Botafogo 2 x 2 Coritiba
Árbitro marca dois pênaltis de Carli em Rildo, o segundo inexistente

7ª Rodada: Vitória 2 x 2 Botafogo
Falta de Deivid em Arnaldo no início da jogada do primeiro gol da Vitória

9ª Rodada: Botafogo 3 x 1 Vasco
Gol do Vasco nasce em falta clara de Luis Fabiano em Igor Rabello

10ª Rodada: Botafogo 0 x 2 Avaí
Jornal “O Globo” apontou pênalti do goleiro em carrinho forte em Pachu, até hoje lesionado

11ª Rodada: Corinthians 1 x 0 Botafogo
Árbitro marca pênalti de Marcelo em falta cometida fora da área. Guilherme puxa contra-ataque e é puxado por Fágner, que não recebe o segundo cartão amarelo

12ª Rodada: Botafogo 1 x 1 Atlético-MG
Árbitro marca pênalti de Emerson Silva, em lance próximo e com o braço colado ao corpo

15ª Rodada: Atlético-PR 0 x 0 Botafogo
Emerson Santos é expulso por entrada de carrinho na bola e chute para longe. Lucho González dá carrinho forte, por trás, em Victor Luis que chegava ao ataque e não é expulso

16ª Rodada: Atlético-GO 1 x 1 Botafogo
Gol do Atlético-GO nasce após impedimento de Diego Rosa

17ª Rodada: Botafogo 3 x 4 São Paulo
Pênalti claro de Edimar (mão na bola) não marcado e pênalti inexistente marcado, de Joel Carli em Wellington Nem

“Ah, mas os árbitros erram a favor e contra todos”, eles dizem. A favor do Botafogo, apenas o gol de Rodrigo Lindoso contra o Sport (vitória por 2 a 1),  no qual a bola já ia entrar e resvalou nas costas de Roger, impedido. Outros argumentos pífios são “Ah, mas o Botafogo não jogou bem” (desde quando qualidade da atuação de um time define se a arbitragem deve acertar ou não?) ou “Não tem que falar de juiz, tem que contratar reforços” (qual a relação entre as frases?).

Fato é que, no Brasil, o que funciona é protestar e reclamar contra a arbitragem. Basta ver um rival que é favorecido de todas as formas, até com pênaltis anulados por terceiros, espernear publicamente o juiz a cada tropeço. Ou o líder Corinthians, através do técnico e do presidente, detonar os homens do apito após o gol ridiculamente anulado contra o Flamengo.

Ou o Botafogo entra nesse jogo, ou corre risco de continuar sendo garfado seguidamente, até chegar ao ponto em que reclamar não vai adiantar mais nada.