Pitacos: desafios do Botafogo passam por Luís Castro entender Campeonato Brasileiro e, agora, pela parte psicológica

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Blog da Redação

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Elenco em Botafogo x Avaí | Campeonato Brasileiro 2022
Reprodução/Premiere

* Contratar um técnico estrangeiro gera um desafio: ele entender o cenário local, seu próprio time e os adversários. É necessário, na maioria das vezes, um tempo de adaptação. Em dois meses e meio de Botafogo, Luís Castro já teve esse tempo, ou pelo menos parte dele. Imaginava-se que já estaria melhor ambientado. Mas, ao que parece, ainda não está.

* É preciso frisar que aqui não defendemos a mudança do treinador neste momento. Castro é inteligente, tem conhecimento de futebol e pode agregar bastante ao Botafogo. Entende a parte teórica, a estrutura, a criação de uma filosofia para o clube. O que está pesando é a prática e a urgência por resultados.

* Aqui vão alguns exemplos sobre ainda não conhecer totalmente o futebol brasileiro: deixar Willian livre no jogo contra o Corinthians, não reforçar a marcação sobre Igor Paixão, do Coritiba, jogar de peito aberto contra o Palmeiras no Allianz Parque, oferecer espaço para o jogo reativo de Jair Ventura contra o Goiás e permitir a posse de bola de controle de Eduardo Barroca na partida contra o Avaí.

* É público que Barroca gosta da posse de bola, de “ter o porrete”, não necessariamente para atacar, às vezes só para não ser atacado. Seu time tinha troca de passes, mas não tinha agressividade nem velocidade no ataque. Mesmo assim, o Botafogo de Luís Castro não adiantou a marcação, não pressionou, não gerou desconforto ao adversário. Com bastante espaço para jogar, teve bons momentos no primeiro tempo e poderia ter aberto o placar, só que Douglas Friedrich sempre vira uma mistura de Neuer e Courtois contra o Botafogo.

* Luís Castro tem demorado a reagir nos jogos. E, quando reage, certas vezes é mal. Como Vinícius Lopes ir para a lateral e Chay para a ponta diante do Avaí. O Botafogo não joga conforme o adversário, não muda sua forma de atuar, não tem alternativas para mudar as partidas. E isso cobra um preço.

* Outro problema que o treinador precisa corrigir rapidamente é tentar usar os jogadores onde se sentem mais confortáveis. Não querer adequar aos atletas ao seu esquema e pronto. Daniel Borges é um lateral de construção, pode fazer linha de três defensiva e ajudar na saída de bola. Luís Oyama está sobrecarregado como primeiro volante e está mal, vai melhor como segundo homem, mais à frente, podendo ser mais dinâmico e construtivo. Chay é meia-atacante, joga por dentro, próximo ao atacante, cria oportunidades. Às vezes se desloca para os lados, mas não é ponta. Nem volante. Vinícius Lopes é ponta, não lateral.

* O próprio Patrick de Paula raras vezes foi utilizado como primeiro volante, posição em que mais se destacou no Palmeiras, por dar equilíbrio, ter controle da bola, bom passe, lançamento e finalizações. Obviamente, entra na questão de o jogador querer mais, ter mais vontade. Situação que também se aplica a Tchê Tchê, que está longe do que já apresentou um dia.

* É preocupante que o Botafogo teve 12 reforços na primeira janela “para aumentar o nível da equipe”, mas apenas três estiveram em campo como titulares contra o Avaí. Nos últimos jogos, o Alvinegro tem sido a herança do time que conquistou a Série B (que perdeu jogadores importantes) mais base e alguns reforços. Apenas Gatito Fernández, Victor Cuesta e Tchê Tchê, dos que iniciaram o jogo, estão habituados à Série A. O próprio Luís Castro não está.

* Um novo desafio que vai sendo criado é o da parte psicológica. O time vai perdendo jogos e confiança, leva um gol e não se encontra mais. A torcida fica impaciente, com razão, e vaia. E o buraco, do qual a equipe tem que sair, vai aumentando. Daí a importância de jogadores fortes mentalmente, daí vem nosso pedido por chances para Joel Carli. Faltam liderança e personalidade em campo.

* O Botafogo pegou os três times que subiram da Série B junto com ele e perdeu. Goiás e Avaí são bem frágeis, eram jogos para ganhar, até com certa facilidade. Agora, terá pela frente três adversários mais prontos e da parte de cima da tabela: São Paulo, Internacional e Fluminense. Uma exigência maior. Que ao menos sirva para Luís Castro perceber que é hora de fortalecer sua defesa, ser mais reativo e competitivo. Fórmula que deu certo contra Ceará e Flamengo. E que parece ser a indicada para o momento alvinegro.

Fonte: Redação FogãoNET

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