* Franclim Carvalho segue fazendo experiências no Botafogo. Quando se acha que a fase de ideias e testes, natural na adaptação, já passou, o treinador encontra um novo experimento. Contra o Atlético-MG, foi a inacreditável formação com quatro volantes na Arena MRV, pelo Campeonato Brasileiro.
* O técnico já encontrou um esquema que deu mais certo e mais resultados: 4-3-3, com três volantes, dois pontas físicos e um centroavante. Os melhores jogos do Botafogo com ele foram assim. Mas parece que não é o que gosta, volta e meia quer mudar e se dá mal.
* O Botafogo de Franclim com quatro volantes não soube como se defender e deixou espaços generosos. Levou um gol com um atacante completamente livre na marca do pênalti, fora outras jogadas de perigo. E não teve qualquer força ofensiva.
* Um dos volantes, Newton, marcava como um auxiliar de lateral-direito. Quando o time tinha a bola, recuava para terceiro zagueiro. Ficou sem qualquer função. Parecia um jogador café-com-leite, deslocado para onde atrapalhasse menos. E não por culpa dele, mas do esquema.
* Como já havia Newton de primeiro volante, os outros não se sentiam tão obrigados a proteger. Cristian Medina combatia sozinho no meio, Danilo e Edenílson se revezavam entre ponta direita, meia direita e ataque. Matheus Martins já virou meia esquerda de vez. E Arthur Cabral, mal, ficava isolado no ataque. Um horror.
* Uma coisa é jogar com quatro volantes, assumir postura defensiva, marcar muito e ter alguma válvula de escape para buscar gols. Mas Franclim Carvalho quer que um time escalado assim seja ofensivo, que controle a posse de bola e que dite o ritmo. Não tem como.
* O que o campo grita, e o técnico parece não ouvir, é que Marçal tem que ter mais chances. E até ser titular no time muitas vezes. Ainda que Alex Telles seja o dono merecido da lateral esquerda. Se é para experimentar, que seja uma nova posição para Marçal.
* Davide Ancelotti encontrou: Marçal, como zagueiro pela direita, e ele correspondeu. Como passa a impressão que corresponderia também como zagueiro pela esquerda ou como volante. Martín Anselmi não deu moral, o colocou no time reserva, e assim ele se machucou em um clássico com o Fluminense.
* Mais do que função tática em si, Marçal dá alma e vida ao time. Corre, briga, fica indignado, puxa os companheiros para cima, fala com juiz, se posiciona perante os adversários. Tem liderança e identificação. Em pouco tempo contra o Atlético-MG, tentou de tudo e ainda cobrou o latereio que originou o gol de empate, de Arthur Cabral.
* É um exemplo do que o torcedor gosta de ver em campo. Em menor proporção, é o mesmo com Lucas Villalba, que Franclim parece não curtir tanto. O uruguaio entrou bem e ajudou contra o Racing, mas quem entrou contra o Atlético-MG foi Jordan Barrera. E mal.
*Villalba poderia ter sido usado no início no lugar de Edenílson e poderia ter entrado em vez de Barrera, era só colocar Montoro na esquerda. Mas o técnico tem seus preferidos (um deles, Joaquín Correa, parece ter caído para o fim da fila, felizmente). É torcer para que pelo menos Marçal passe a ser um deles.
* O empate contra o Atlético-MG, no fim das contas, não foi um resultado ruim. O problema está nos pontos deixados para trás contra Coritiba, Internacional e Remo. Agora, a água subiu. A zona de rebaixamento está apenas um ponto abaixo. Ainda que o Botafogo tenha um jogo a menos, o sinal de alerta está ligado.