Salário em dia é obrigação, mas jogadores do Botafogo exageram em protesto ao punir quem não é culpado, como a torcida

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Salário em dia é obrigação, mas jogadores do Botafogo exageram em protesto ao punir quem não é culpado, como a torcida
Vitor Silva/Botafogo

* É direito de todo trabalhador receber salários, bonificações e premiações em dia. Se está prometido, tem que ser cumprido. Dito isso, os jogadores do Botafogo têm razão em estarem chateados e incomodados com os atrasos do clube. Porém, exageraram na forma em que escolheram protestar.

* Primeiramente, porque o protesto de não conceder entrevistas não pune apenas a diretoria: afeta também quem não tem qualquer culpa, como patrocinadores, imprensa e torcida. Os patrocinadores perdem em exposição, a imprensa perde personagens e a torcida perde ao ter menos informações e entrevistas sobre o clube.

* Segundo, o momento escolhido foi péssimo. O Botafogo conquistou uma grande vitória por 3 a 0 sobre o Brusque, talvez sua melhor exibição no ano, a repercussão seria toda de elogios, a torcida estava empolgada, o que aumenta o consumo de produtos do clube, seja em loja ou em programa de sócio-torcedor. Mas, em vez de falar sobre a atuação, a imprensa teve que passar a quinta-feira inteira falando do protesto.

* É um duro golpe também na credibilidade que o Botafogo busca recuperar no mercado. Há quanto tempo não se ouvia falar em salários atrasados no clube? Agora o tema volta à tona. O atraso, embora errado e injustificável, não é grande para os padrões do futebol brasileiro. Apenas três jogadores têm parte do salário (acima de R$ 60 mil) em aberto e 17 têm direitos de imagem pendente. Repetindo: não se justifica o atraso, todo trabalhador tem direito de receber em dia. Mas a situação é grave em vários clubes, Fluminense e Vasco mesmo já sofreram com isso recentemente e não se viu protesto. Até no Cruzeiro, onde o problema é bem maior, só foi haver manifestação quando já não há mais quase nenhuma chance de acesso.

* Certamente, além dos salários atrasados, pesaram promessas não cumpridas ou falta de previsões concretas por parte da diretoria. Ainda assim, os jogadores poderiam ponderar que tal protesto não é a melhor forma para cobrar. Colocaram um tema negativo no noticiário, frearam a empolgação da torcida e aumentaram a pressão às vésperas de sequência decisiva na Série B, com três jogos difíceis fora de casa (Goiás, Vasco e Ponte Preta, com Confiança no Rio antes do clássico). Caso os resultados não venham, passarão a ser ainda mais criticados.

* Salários atrasados e protestos têm relação com o resultado? Difícil cravar, mas nos períodos com manifestação em 2019 a maioria dos jogos foi com derrota, como citamos nesta matéria. Que ao menos o Botafogo mantenha o bom futebol dentro de campo, o espírito competitivo e a concentração, para conquistar o principal objetivo do ano, que é subir. Estamos com os jogadores, pela bela campanha de recuperação e pela vontade demonstrada na competição.

* Por fim, cabe cobrança à diretoria. Se os jogadores protestaram, ainda que de forma exagerada, é porque as obrigações do clube não foram cumpridas. Com a fase do Botafogo e a proximidade do acesso, faz-se urgente obter receitas novas e pagar o que é devido. Até mesmo o Vasco acabou de anunciar um patrocínio master de R$ 9 milhões. Ainda que as dificuldades sejam muitas, a responsabilidade maior em resolver a situação e conter esse princípio de incêndio é dos dirigentes alvinegros, para que o Botafogo tenha tranquilidade na reta final da Série B.

Fonte: Redação FogãoNET

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