Do otimismo ao fim do sonho: os bastidores da negociação entre Botafogo e Zahavi

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Eran Zahavi
Reprodução/Instagram (@eranzahavi)

A negociação com Eran Zahavi foi a maior novela da temporada no Botafogo. E olha que a chegada de Luís Castro, com a participação do Corinthians, também deu o que falar. O israelense, no entanto, ficou com a medalha de ouro nessa disputa particular. No início da “Era Textor“, o centroavante não era a prioridade, visto que Cavani tinha a preferência do empresário norte-americano.

Após a recusa do uruguaio, o Botafogo, de maneira geral, entendeu que Zahavi seria o diferencial técnico do clube nesta primeira temporada. O foco virou todo para ele, que passou a ser o plano A sem qualquer concorrência. A negociação foi intermediada pelo empresário Marcos Leite, que mantinha contato direto com o jogador. Além dele, apenas Textor mantinha conversas.

As negociações foram difíceis desde o início. Zahavi mostrou ter personalidade forte e várias vezes deixou claro como se via em uma possível chegada ao Brasil. “Quem é o melhor atacante do Brasil? Hulk? Pode ser. Mas eu não posso receber menos que o Gabigol”, disse em uma dessas conversas.

A parte financeira foi definida rapidamente. Receberia 4 milhões de euros (cerca de R$ 22 milhões) pelo tempo de contrato – até o fim de 2023. Dividindo pelos 18 meses, o vencimento ficaria na casa dos R$ 1,2 milhão. E foi depois disso que a novela começou.

Zahavi fez inúmeros pedidos ao Botafogo. Lugar para morar, segurança, que também seria seu motorista, e até a chegada do seu compatriota Omer Atzili, meia que defende atualmente o Maccabi Haifa, de Israel. A indicação seria para facilitar a adaptação da sua família, que teria pessoas conhecidas no Rio de Janeiro.

O Alvinegro, no entanto, não embarcou. O scout do Crystal Palace e o departamento de futebol do Botafogo entenderam que Atzili não tinha condições de defender o clube. Apesar de uma técnica apurada, sua competitividade foi definida como nula e vetou o avanço das negociações.

A invasão ao centro de treinamento, de fato, atrapalhou a negociação. O jogador questionou a situação no mesmo dia e ficou receoso que isso pudesse voltar a ocorrer. Nesse mesmo dia ele disse sim ao Maccabi Tel Aviv e chegou a assinar o contrato. Seu empresário, no entanto, entendeu que não deveria entregar o documento ao clube e o segurou por algumas horas.

Foi tempo suficiente para que Zahavi ligasse para ele arrependido, dizendo que queria defender o Botafogo. Foi nesse momento que ele deu o “sim” para o Alvinegro. Uma primeira versão foi enviada para o jogador, que pediu ajustes. Um novo documento foi enviado na noite da última quinta-feira.

Mesmo com o documento em mãos, a resposta definitiva não chegava, o que mostrava que uma dúvida ainda pairava no ar. Sua esposa não tinha a mesma empolgação em vir para o Rio de Janeiro. O Botafogo já estava pronto para comprar as passagens e enviar ao israelense, mas esse passo nunca foi dado. A família falou mais alto e o sonho do Alvinegro chegou ao fim.

Instagram do FogãoNET (@fogaonet)

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