O mercado da bola está quente, mas os nomes até aqui falados no Botafogo estão longe de animar os torcedores. Fruto da realidade financeira, construída por anos de administrações ruins, com alguns dirigentes parecendo não ter o menor respeito pelo clube. Mas nem sempre foi assim. O Alvinegro já viveu seus momentos de ser o dono da grana na hora de comprar jogadores. Falo especialmente do fim da década de 80, início da de 90, quando o clube contava com Emil Pinheiro no comando.

Emil era um dos bicheiros mais ricos do país naquele período. Logicamente não vai nenhuma defesa de sua atividade, mas como dirigente do Botafogo, sempre trabalhou para que o Alvinegro tivesse de tudo, inclusive dando chapéus em rivais.

Lembro quando Renato Gaúcho e Bujica ficaram insatisfeitos no Flamengo e queriam deixar o clube, mas não encontravam “compradores” por conta do alto valor dos passes, na época fixados nas federações locais. Emil não teve dúvidas e os tirou da Gávea. A estreia, em um domingo chuvoso, foi contra o próprio Flamengo, um empate sem gols, mas com os torcedores alvinegros provocando os rivais.

FERNANDO MACAÉ FOI CONVENCIDO NO ALMOÇO

O Botafogo deu ainda dois chapéus históricos no Flamengo. O primeiro foi Fernando Macaé, habilidoso atacante que estava de saída do Bangu para a Gávea. Pela manhã foi apresentado no Flamengo, mas não assinou contrato, o que faria à tarde. Na hora do almoço passou em casa e lá estava Emil Pinheiro. O dirigente confidenciou como se deu a transação.

– Quer jogar no Botafogo meu filho? Te ofereço x – disse Emil, que havia levado inclusive flores para a esposa de Macaé como cortesia.

– Seria um prazer, mas já fui para o Flamengo – respondeu Macaé.

– Assinou contrato? – Perguntou Emil.

– Não – respondeu Macaé.

– Então você não foi ainda para o Flamengo. Assina aqui – disse Emil, que apresentou Fernando Macaé à tarde no Botafogo, para desespero dos dirigentes do Flamengo.

Naquele período Emil, de uma só vez, tirou do Bangu Paulinho Criciúma e Mauro Galvão, destaques na conquista do título carioca de 1989, que marcaria o fim do jejum. Há quem diga que a negociação foi uma perda de aposta de Castor de Andrade, então presidente do Bangu e que também era bicheiro.

DIAS FOI DO AEROPORTO PARA O BOTAFOGO

Carlos Alberto Dias era o grande nome do futebol paranaense em 1990, quando o Flamengo o trouxe ao Rio de Janeiro para assinar contrato. O clube da Gávea teria pago inclusive a passagem dele, segundo alguns jornalistas da época. Mas não mandaram representantes ao aeroporto.

Sabendo da chegada de Carlos Alberto Dias, Emil foi ao aeroporto já com o passe dele comprado e o levou para o Alvinegro. Quis o destino que sua estreia fosse em uma vitória de 2 a 1 sobre o Flamengo. Adivinha quem fez o gol que decretou o resultado? Tempos românticos do futebol brasileiro…

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