A notícia do possível abandono da Série B do Campeonato Brasileiro, comunicado pelo Figueirense nesta terça-feira, agitou o futebol brasileiro. E como o time catarinense é administrado por uma empresa, a Elephant, o caso despertou grande interesse de torcedores do Botafogo, clube que trabalha para ter uma gestão profissional do Fogão a partir de 2020, depois do estudo encomendado pelos irmãos Moreira Salles.

Qual é a diferença entre os dois cenários? Quais são os erros evidentes cometidos pelo Figueirense que não podem ser repetidos, em hipótese alguma, pelo Botafogo nesta transição? A princípio, é de conhecimento geral que um rebaixamento no Brasileirão-2019 seria catastrófico para os planos do Glorioso. Mas há alguns outros pontos fundamentais a serem vistos e trabalhados pelos novos gestores.

No fim de agosto, quando o Figueirense foi derrotado por W.O. pelo Cuiabá e a crise estourou de vez, a situação foi amplamente debatida pelo podcast Corneta 7, conteúdo destinado a botafoguenses. Um dos convidados do episódio 17 foi Rodrigo Capelo, jornalista especializado em negócios do esporte do Grupo Globo, que apontou as principais distinções das duas propostas.

– A principal diferença é que os investidores que assumiram o Figueirense claramente não tinham condições financeiras para aguentar o tranco do início do projeto. Qualquer empresa, em qualquer setor, tem um período de maturação do negócio, em que você vai tomar prejuízo até fechar a conta, o “break even” (quando suas receitas são maiores que as despesas pela primeira vez). E só a partir disso que se começa a ter lucro e os investidores são remunerados. Por isso, é um tipo de negócio que deve ser feito com 15, 20, 30 anos de duração, porque é preciso tempo para recuperar aquele dinheiro. Só que, principalmente no caso de um clube de futebol, que precisa ser competitivo esportivamente, para chamar a atenção e destravar outras receitas e chegar à primeira divisão, olhando pelo ponto de vista do Figueirense, é preciso ter dinheiro na entrada para fazer o negócio girar. Esses investidores assumiram a responsabilidade de R$ 22 milhões em dívidas, isso está no balanço da Figueirense Ltda., mas não conseguiram dar conta, não estão conseguindo manter os pagamentos em dia. E, além disso, foram totalmente inaptos na relação com os jogadores, porque o presidente não desceu para conversar com os jogadores, mandou departamento jurídico. É um tipo de má relação que faz com que o Figueirense sofra um W.O., enquanto, na realidade, muitos outros clubes no país também têm salários atrasados, inclusive o Botafogo. Então todos esses outros clubes, conseguiram de alguma maneira, segurar um pouco a bronca dos jogadores e o Figueirense não. Então tem uma questão de má gestão – comentou Capelo.

O jornalista também fez alertas quanto à necessidade de existir realmente o aporte inicial de cerca de R$ 300 milhões, para o pagamento de dívidas de curto prazo, e das projeções não serem tão otimistas dentro de um cenário econômico delicado no Brasil. Mas tratou de tranquilizar o torcedor alvinegro logo em seguida.

– A boa notícia em relação a tudo isso é que, pelo menos em todas as conversas que tive com representantes da Ernst & Young e dirigentes do Botafogo, ninguém tem planos megalomaníacos para a Botafogo S/A. Por enquanto, tudo que a gente tem de perspectiva, acho que esses riscos não estão oferecendo grande perigo para o Botafogo.

Escute o podcast abaixo:

Fonte: Redação FogãoNET e podcast Corneta 7