Carlos Eduardo Sangenetto
23/11/2017
Rio de Janeiro (RJ)

Profissionalizar o Botafogo. Essa foi, sem dúvida, a principal promessa de campanha do candidato à presidência Marcelo Guimarães nos últimos dois meses. O oposicionista do Futuro Alvinegro reconhece alguns valores e conquistas da gestão atual do clube, como a aquisição do novo centro de treinamento na Zona Oeste do Rio de Janeiro, mas também aponta falhas que, segundo ele, não poderiam ser cometidas, como os altos salários pagos para os jogadores estrangeiros Montillo e Canales.

Líder do departamento de marketing no mandato do ex-presidente Mauricio Assumpção, Guimarães também criticou a postura pública agressiva do “voluntário político” Marcio Padilha à frente do setor, que necessitaria de um executivo sênior para ser “potencializado”.

Com uma chapa montada às pressas e, por isso, não despertando grande atenção dos rivais do pleito do próximo sábado (25/11), Marcelo conversou com o Boletim do C.E sobre os já citados e outros temas relevantes às vésperas da decisão nas urnas eletrônicas. Veja abaixo!

Marcelo Guimarães é candidato a presidente do BotafogoGuimarães quer profissionais renomados e experientes à frente dos negócios do Botafogo (Foto: Reprodução/Youtube)

1 – Assim como seu adversário nesta eleição, você também participou da gestão do ex-presidente Mauricio Assumpção, comandando o departamento de marketing. Como você trabalha a associação da sua imagem durante uma gestão polêmica para que não comprometa a confiança dos seus eleitores e torcedores?

Eu fui diretor de marketing no primeiro mandato do ex-presidente e me orgulho do trabalho que fiz. Fui reconhecido pelo mercado, pela imprensa e, principalmente, pela torcida. Não me incomoda ser associado ao primeiro mandato do ex-presidente. O mesmo não sei se ocorre com o Mufarrej, candidato a reeleição do grupo político Mais Botafogo, que foi presidente do Conselho Fiscal do primeiro mandato do ex-presidente Maurício e Conselheiro até o último dia do segundo mandato.

2 – Você disse que quer reeditar a “geral” no Nilton Santos, estabelecendo preços muito baratos para o torcedor. Tal promessa de campanha deixou alvinegros e até a chapa de situação um pouco incrédulos, já que o pacote de sócio-torcedor para o Setor Norte já é muito econômico e vantajoso para jogos da temporada. Como viabilizar preços ainda mais populares?

Compreendo a dificuldade de entender a nossa proposta, ainda mais o Mais Botafogo. Imaginar que um casal, terá que se comprometer a pagar R$ 400 em 10 meses para ir aos jogos e julgar que isso está acessível as classes populares é um profundo desconhecimento de nossa realidade. Quero destinar uma área do nosso estádio para a venda no varejo. As classes populares foram afastadas dos estádios. Vou colocar um setor a R$ 5, vendido no varejo. Quero que o auxiliar de pedreiro, o jovem de classes menos favorecidas, o auxiliar de serviços gerais, que nunca vão poder se comprometer a pagar um programa mensal, e são tão botafoguenses como todos nós, possam ir a um jogo, quando tiver uma sobra eventual no orçamento.

3 – Profissionalizar o Botafogo é uma das suas principais promessas de campanha. Como distribuir gestores gabaritados no mercado em importantes departamentos do clube com um orçamento apertado? É possível adequar a remuneração destes profissionais à realidade financeira de General Severiano?

Com os R$ 560 mil mensais pagos para o Montillo, ótimo caráter, mas que já não jogava bola em bom nível desde sua passagem pelo Cruzeiro e os R$ 250 mil mensais pagos pelo Canales, tudo estaria resolvido já nessa temporada. A decisão é sobre o modelo e discordamos frontalmente dele. Esse modelo que promoveu coisas como anúncios de descontos de secador em nossa camisa.

4 – Você elogia os atuais profissionais de marketing do Botafogo, dizendo que o clube está bem servido com uma nova geração. Dito isso, quais seriam as mudanças que deveriam ser feitas para alcançar resultados ainda melhores? Vai mexer no time que está ganhando?

Verdade, o marketing foi ao longo desse mandato muito criticado, muito em função da atitude pública do voluntário político que dirige o setor (Marcio Padilha). Ataca torcedores, bloqueia sócios, inclusive me caluniou em duas postagens, assunto que está registrado e será lembrado depois das eleições. De fato conheço a maioria dos jovens que estão por lá, porque trabalhei com eles e admiro muitos deles. O bom trabalho das redes sociais, por exemplo, tenho certeza que é de inteira responsabilidade deles. Mas falta um executivo. Não consigo entender como podem acreditar que um voluntário, que não tem uma trajetória no marketing e tenha outra atividade, possa potencializar o departamento. Sonho em rever meus amigos, dar-lhes um plano de carreira. Estimular o potencial de cada um deles e colocar na equipe, um profissional sênior, moderno, que será a referência para todos.

Marcelo Guimarães já comandou o departamento de marketing do Botafogo (Foto: Divulgação/Futuro Alvinegro)

5 – O CT do Botafogo foi um grande legado na gestão CEP, que apesar das suas críticas, também teve pontos positivos. Caso assuma a presidência, qual seria o grande herança de Marcelo Guimarães para a história do clube? É possível superar tamanha conquista da atual diretoria? Como?

Primeiro eu queria agradecer sinceramente a Família Moreira Salles por ter decidido investir nesse projeto. Projeto que será pago durante 30 anos, portanto perpassará por vários mandatos. Tenho respeito pelo Carlos Eduardo, mas discordamos de questões que nos distanciaram na linha do tempo. Ofereci ajuda, inclusive por escrito, e nunca fui chamado, nem em nome dos 20% dos votos que tive na última eleição. O atual presidente profere um mantra, que acabou virando verdade, que pegou o clube no pior momento da nossa história. Essa afirmação chega a ser um desrespeito. Nas décadas de 80 e 90, não tínhamos nem sede. Já não tivemos bola para jogar. No primeiro jogo da Era Bebeto de Freitas, o time jogou com camisa comprada em um armarinho. Já ficamos sem sede, sem campo, o presidente despachava debaixo da piscina cheia de goteiras.

Claro que o Carlos Eduardo pegou o clube muito depreciado, em termos financeiro e de imagem em especial. Os dois últimos anos do ex-presidente Mauricio, quando o Mufarrej era conselheiro dele, foram um desastre. Mas também pegou o clube com: o Estádio Olímpico, o Caio Martins, uma sede náutica de padrão internacional totalmente reformada, o remo campeão brasileiro, a base formando jogadores em boa escala, uma sede social funcionando, o palacete reformado, a Puma como fornecedora de uniforme, um programa de sócio-torcedor em funcionamento, verbas bloqueadas, sendo liberadas de tempos em tempos. E ainda o Profut e outro programa federal de apoio aos clubes por via da Caixa Econômica.

Quero primeiro não me reeleger, coisa que o ex-presidente defendeu e agora dissimula com essa inversão de papeis. Depois montar uma estrutura profissional vencedora, uma empresa eficiente e rentável, prestando serviço ao nosso amado clube, além de conquistar um título de grande expressão para o futebol. Aliás, estruturar definitivamente o futebol, com gestores campeões e com perfil de liderança. Consolidando assim, um arranjo moderno e eficiente incluindo aí o novo CT. Tudo sem esquecer das obrigações que hoje são decantadas como grandes conquistas, a de cumprir os contratos e agir com inegociável responsabilidade fiscal e financeira.