Finalizado o estudo encomendado à Ernst & Young, que analisou profundamente a situação financeira do Botafogo e apontou soluções para mudanças na gestão do futebol do clube, os irmãos Moreira Salles divulgaram na tarde desta sexta-feira uma entrevista para explicar as principais dúvidas de sócios e torcedores botafoguenses sobre o futuro do clube.

Haverá aporte financeiro nos próximos meses? A família participará da gestão do futebol do Botafogo? Como será a relação com o novo CT? Leia abaixo:

1 – Qual o posicionamento que o estudo apresentado hoje para a diretoria do BFR concluiu em relação a situação financeira atual do clube e quais são as soluções apontadas? 

O estudo que encomendamos à Ernst & Young teve a duração de cinco meses e oferece um diagnóstico bastante preciso da situação financeira do Botafogo, esclarecendo a dimensão do problema de dívidas do clube. Essa análise também apresenta a sugestão de novo modelo de administração, que aponta um caminho possível para a recuperação financeira do clube.  É preciso entender que esse projeto é, como o nome indica,  um estudo – e não uma proposta acabada.

É apenas um primeiro passo que pode, no caso de haver interesse do clube, suscitar uma análise mais aprofundada. Não existem atalhos possíveis, nem soluções de curto prazo.

2 – Como será a captação de parceiros aptos a contribuir financeiramente para implementação do estudo? Já conversaram com outros botafoguenses dispostos a ajudar nesse processo?

Nesse momento, o nosso compromisso com o Botafogo se encerra com a entrega do estudo. Mais adiante, no caso do clube angariar o interesse de um amplo grupo de botafoguenses interessados na recuperação do BFR, poderemos eventualmente apoiar iniciativas concretas de investimento que nos pareçam sensatas e razoáveis, sustentadas em critérios claros de viabilidade econômica e uma boa gestão corporativa.

3 – Está previsto algum aporte financeiro imediato, após a aprovação do estudo pelo conselho e pela diretoria?
Não.

4 – Pretendem indicar o gestor do departamento do futebol profissional, caso seja confirmada a separação do futebol do clube social? Como será escolhido esse gestor?

Não temos projetos políticos pessoais em relação ao Botafogo. Não pretendemos, nem saberíamos como gerir um clube de futebol.

5 – O estudo muda algo no planejamento das obras do CT ou aponta novos investimentos para a base?

Temos especial apreço pelo trabalho da base, conduzido por seu diretor Manoel Renha. Com uma situação administrativa mais equilibrada, podemos pensar no futuro em participar da criação de um modelo de formação de atletas para o clube.

No caso específico da base, pensamos que o esporte de alto rendimento e a educação de qualidade são complementares, e não excludentes. Apostamos no esporte como um instrumento fundamental para a formação ética e pessoal, e o desenvolvimento integral dos jovens atletas,  possibilitando crescimento em todas as frentes: profissional, econômico e social. Foi nesse sentido que foi adquirido o Lonier, ponto de partida para um futuro CT da base do clube.

6 – O que os torcedores podem esperar caso o estudo seja aprovado pelo conselho e pela diretoria? Como os botafoguenses poderão também contribuir com a reconstrução do Botafogo?

Nossa intenção não é determinar o destino do Botafogo,e sim de oferecer opções. Somos torcedores do Botafogo, e queremos o melhor para o clube. Acima de tudo, não queremos ser donos do clube, ou administrá-lo. Nossa única intenção ao contratar a E&Y foi entregar ao Botafogo, nesse momento tão crítico, um roteiro realista dos caminhos possíveis a serem percorridos. A partir daí, caberá ao clube, e aos seus torcedores, definir o seu futuro.

Fonte: Redação FogãoNET