O jornalista Juca Kfouri publicou, na tarde desta terça-feira, uma nota de esclarecimento do empresário João Moreira Salles em seu blog no UOL Esporte a respeito da auditoria que tem sido feita com o irmão Walter Salles com o objetivo de profissionalizar o futebol do Botafogo a partir de 2019.

Os irmãos Moreira Salles negam a compra do Glorioso e dizem que ser dono de um time de futebol chega a ser até “constrangedor”. Eles reforçam que o padrão de gestão dos clubes brasileiros fracassou e, por isso, estudam a melhor forma de reestruturar o modelo atual, que está em vigor em General Severiano.

Para reforçar que não serão donos da equipe de futebol, João Moreira Salles, quem assina a carta, cita o bilionário russo Roman Abramovich, que tornou-se proprietário do clube inglês Chelsea em julho de 2003.

Veja a íntegra da carta abaixo: 

Caro Juca,

Muito obrigado pela referência generosa ao Waltinho e a mim na coluna que você publicou ontem, e que só agora li.

Escrevo para esclarecer que não estamos analisando a compra do Botafogo.

E isso por várias razões.

Para falar de apenas uma delas: embora seja procedimento corrente em várias partes do mundo, nem eu, nem Waltinho, nos vemos na figura de alguém que compra um time e se torna dono dele.

Só digitar a frase já parece absurdo, para não dizer constrangedor.

Time é coisa coletiva, não mercadoria de um torcedor só, ou de dois.

Por outro lado, está claro que o atual modelo de controle e gestão dos clubes brasileiros fracassou, e que é preciso estudar novas formas de estruturá-los.

É com isso, e apenas com isso, que Waltinho e eu estamos comprometidos.

Ao cabo do trabalho que estamos financiando (com total anuência do clube), o Botafogo conhecerá maneiras alternativas de organizar a sua existência legal, seja se tornando uma empresa, seja virando uma fundação sem fins lucrativos, quem sabe amparado por um fundo patrimonial.

Caberá então ao Botafogo escolher o seu caminho.

Independentemente do desfecho, Waltinho e eu não seremos proprietários de coisa alguma.

Não temos vocação para Abramovich.

Forte abraço, e bom fim de ano

João