Carlos Eduardo Sangenetto
23/11/2017
Rio de Janeiro (RJ)

Nelson Mufarrej é o candidato da situação para a eleição no Botafogo, que acontece neste sábado (25/11). Membro do grupo político Mais Botafogo, ele se aliou ao atual presidente Carlos Eduardo Pereira, que agora concorre como vice da chapa, para comandar o clube até 2020. Apesar da atual gestão navegar em mares considerados tranquilos, principalmente pelo equilíbrio nas contas e pelos resultados surpreendentes no futebol nos últimos dois anos, alguns pontos despertam a curiosidade, desconfiança e até insatisfação por parte de sócios e torcedores.

O Boletim do C.E tocou em alguns destes assuntos. Como Nelson trabalha sua imagem após fazer parte da polêmica passagem do ex-presidente Mauricio Assumpção? Por que preferiu não debater com seu adversário nesta reta final de campanha? E o que dizer sobre a notável proximidade com políticos alvinegros como Marcelo Crivella e Rodrigo Maia? As respostas para estas e outras perguntas você pode ver abaixo nesta entrevista exclusiva com o blog do FOGÃONET.

Nelson Mufarrej no Conselho Deliberativo do BotafogoNelson Mufarrej é o candidato da Chapa Ouro para presidência (Foto: Satiro Sodré/SSPress/BFR)

– Você foi presidente do Conselho Fiscal do ex-presidente Mauricio Assumpção e, por isso, parte dos torcedores possuem um olhar desconfiado sobre sua candidatura. Como você trabalha esta situação para ganhar credibilidade límpida para comandar o Botafogo?

Minha credibilidade é límpida, pois todos sabem que no período em que fui presidente do Conselho Fiscal exerci meu mandato com honestidade e transparência. Os problemas da gestão do Maurício Assumpção ocorreram no segundo mandato. Nesta ocasião eu era tão somente conselheiro, integrante do Conselho Deliberativo e como tal sempre combati os desmandos cometidos. Nunca me faltou coerência e clareza de propósitos. O torcedor do Botafogo não tem motivos para desconfiança. Nunca me servi do Botafogo. Nunca fui remunerado pelo clube. Tenho um passado e um presente limpos. Podem confiar.

– Os partidários da oposição disseram que a Chapa Ouro não quis fazer um debate dias antes da eleição. Isso é verdade? Trata-se de uma estratégia de campanha? Caso proceda a informação, você não acredita que isso pode “pegar mal” com eleitores, sócios e torcedores?

O debate faz sentido com quem tem propostas. A oposição não tinha sequer candidato há dois dias de encerrar o prazo para a composição de uma chapa. Apresentaram uma peça de cenografia. O trabalho realizado é nossa melhor propaganda e as nossas propostas de continuidade e aprimoramento estão sendo apresentadas com clareza aos eleitores. Temos um projeto de reconstrução em andamento e a chapa de oposição só apresenta um discurso vazio. Confiamos no discernimento dos sócios do Botafogo.

– Alguns jogadores estrangeiros foram contratados nos três anos em que Carlos Eduardo Pereira presidiu o clube. Muitos deles, não vingaram no clube, com exceção de Gatito, Carli e até o atacante Navarro. O Mufarrej reconhece alguns erros no mapeamento do mercado sul-americano? Como acertar mais e errar menos?

A escolha por jogadores estrangeiros se deu em função das altas pedidas dos jogadores brasileiros e falta de recursos do Botafogo. Claro que existem risco embutido nessa negociação, o que inclui a adaptação do atleta e até o esquema de jogo do treinador. Nosso setor de inteligência sempre opinou, assim como a comissão técnica. Os acertos renderam muito bem. Nossos profissionais estão sempre se aprimorando para errar menos.

Nelson Mufarrej no Estádio Nilton SantosMufarrej quer continuar acertando no comando do Botafogo (Foto: Vitor Silva/SSPress/BFR)

– Uma das maiores críticas dos torcedores do Botafogo está direcionada ao vice-presidente de comunicação do clube, que muitas vezes utilizou, de forma insatisfatória, as redes sociais para respondê-los. Como você vê esse atrito digital? Marcio Padilha segue no cargo em seu mandato?

Quando assumimos o clube a torcida estava com baixa estima e grande revolta. Aos poucos fomos resgatando o orgulho do botafoguense e com os resultados em campo o Padilha pôde mostrar seu valor deslanchando vários projetos, como é o caso do sócio-torcedor que passou de aproximadamente 8.000 em 2014 para quase 40.000. O Conselho Diretor deverá se manter dentro do espírito de continuidade do trabalho.

– A proximidade com o prefeito Marcelo Crivella e o deputado Rodrigo Maia, ambos botafoguenses, também desperta a curiosidade do torcedor alvinegro. Como é esta relação política? Você acredita que o Botafogo pode colher frutos do estreitamento destes laços?

Acima de tudo são botafoguenses. Não falamos de política e não participamos de nenhuma atividade política, até porque existe uma proibição estatutária clara. Eles são participativos como torcedores. São grandes colaboradores.