Se por um lado, o Botafogo está acostumado a ter desempenhos melhores do que a sua condição financeira indica ser possível, por outro, o ano de 2018 apresenta dificuldades peculiares.

Até o domingo, quando o alvinegro empatou em 2 a 2 contra o Cruzeiro, no Estádio Nilton Santos, pensava-se que ao menos uma vaga na Libertadores pudesse trazer uma renda a mais e atrair melhores jogadores para o clube. Sem a classificação, o planejamento para o próximo ano muda.

– No ano que vem nós vamos fazer uma reunião, vamos ver, a gente sabe que isso para o clube foi muito ruim financeiramente. Deixa de entrar mais dinheiro para o clube. Então vamos sentar e ver qual vai ser o planejamento, temos muitas perdas de jogadores saindo agora, precisamos recuperar jogadores para termos uma equipe competitiva ano que vem – disse o técnico Jair Ventura após empatar com o Cruzeiro.

Veja algumas dificuldades que o Botafogo enfrentará em 2018:

Finanças

O Botafogo terá mais despesas em 2018. O pagamento das parcelas pagas pelo clube no Ato Trabalhista vão aumentar e os descontos das parcelas mensais do ProFut irão diminuir. Com isso, o clube terá de gastar dezenas de milhões de reais a mais do que foi gasto em 2017.

Além disso, a não classificação para a Libertadores elimina uma fonte de renda importante para o clube em 2017: os pagamentos da Conmebol. Um atenuante é que o Botafogo jogará outro torneio internacional, a Sul-Americana. Embora menos relevante do que a Libertadores, a Sul-Americana também pode trazer uma boa receita, dependendo da campanha do time.

Patrocínio

Em novembro, em reunião em Brasília com o presidente do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira; o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia; e o presidente da Caixa Econômica Federal, Gilberto Occhi; ficou decidido que a Caixa renovaria o patrocínio em 2018. O valor, entretanto, só será decidido nas próximas semanas – e uma classificação para a Libertadores, naturalmente, faria com que o Alvinegro conseguisse um valor maior.

A menor exposição também atrapalha a busca por novos parceiros, algo que o clube busca há tempos. Dirigentes do clube justificam a dificuldade em conseguir novos patrocinadores falando sobre o mau momento da economia brasileira. Com o clube fora da Libertadores, os novos patrocínios ficam ainda mais difíceis, e o clube precisará cobrar menos dinheiro dos interessados.

Jogadores

Alguns atletas importantes em 2017 já estão fora, como é comum no fim de ano em qualquer clube. O centroavante Roger já acertou com o Internacional, o empréstimo do lateral-esquerdo Victor Luis termina este ano, assim como o do atacante Guilherme. Os dois últimos vão, a princípio, para Palmeiras e Grêmio, respectivamente, clubes que têm os direitos dos atletas.

Outros atletas que foram menos utilizados na temporada também estão de saída, como o zagueiro Renan Fonseca.

Alguns com contrato até dezembro/2017 têm renovação incerta. Airton, titular durante boa parte da temporada mas que não joga há seis meses por lesão, é um deles. O volante Dudu Cearense é outro. Também faz parte desse grupo o zagueiro Emerson Silva.

Fonte: Extra Online