O Botafogo comemorou muito no início do mês a volta ao Ato Trabalhista, o que representa o fim das penhoras e um grande alívio na crise financeira. Entretanto, o Alvinegro não terá vida fácil e terá que pagar R$ 200 milhões nos próximos dez anos. A informação não chega a ser uma novidade para o presidente Carlos Eduardo Pereira, mas só foi divulgada abertamente nesta quinta-feira pelo Ministério Público do Trabalho do Rio de Janeiro.

“Não é uma defesa do patrimônio do Botafogo, mas sim uma forma de garantir a manutenção dos contratos ainda vigentes, os direitos trabalhistas desses empregados e o pagamento das dívidas nos processos trabalhistas”, explica a procuradora regional Deborah Felix. Segundo ela, o bloqueio integral de todas as rendas do clube, além de provavelmente não ser suficiente para quitar todas as dívidas, poderia acarretar na extinção das atividades e consequente demissão de todos os trabalhadores.

O Ato Trabalhista permite que o Botafogo faça depósitos mensais relativo a um departamento do Ministério Público do Trabalho do Rio, que repassará a verba para os credores. A vantagem dessa forma especial de pagamento é que apenas uma parcela da verba do clube ficará comprometida com as dívidas, permitindo que ele continue administrando suas atividades esportivas e contratos vigentes, sem deixar de pagar os credores em processos judiciais.

Nos três primeiros meses, o Botafogo terá que pagar até o dia 15 a quantia de R$ 750 mil.  O valor sofre um reajuste a partir do quarto mês até chegar a R$ 1,8 milhão no último ano.

“Estamos convencidos de que o Botafogo possui condições de permanecer ativo, gerando riquezas, em que pese todo o endividamento atualmente existente. Com isso, ainda que em médio ou longo prazo, poderá satisfazer os créditos trabalhistas hoje consolidados preservando também os empregos e demais postos de trabalho, inclusive, gerando outros”, defendeu a procuradora.

O Ato Trabalhista é uma espécie de fila de credores que serão pagos de acordo com tempo de execução, obedecendo uma ordem. Assim, o Botafogo se livre das penhoras, que penhoravam 100% da renda do clube. No programa, o Alvinegro poderá pagar suas dívidas sem criar novos débitos por não ter acesso à verba anual.

Fonte: UOL