‘Bancado’ pelo Corinthians, Emerson Sheik sairia se tivesse salários atrasados

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Existe risco de debandada?

Emerson Shiek: Doa a quem doer, tem que ser sincero. Falar a verdade. Eu, muitas vezes, me prejudiquei na carreira por falar o que penso. Se a lei me dá o direito, não vou mentir. Eu, Emerson, com família, mulher, filhos, sairia. Tenho família, contas a pagar. Mas olha bem: não fico induzindo a ficar ou sair. Isso é muito pessoal. Não posso dar minha opinião. Cada um tem sua própria vida.

Mas e você?

Minha situação é um pouco diferente. Eu recebo do Corinthians. O Corinthians me paga. E, assim, o dia que era para ser de alegria é o de maior tristeza. Eu sei que todo dia cinco o meu salário cai na conta. E aqui? Sei que a maioria aqui não. O Julio Cesar é meu amigo, um irmão. Fico pensando nos filhos dele, na mulher dele, na roupa, como estão se vestindo. E a dos outros? É f…

E o fardo? Está pesado internamente?

Hoje é sexta-feira. Mas cheguei ao clube na terça e estava um silêncio no vestiário. Pensei que fazia parte por causa da derrota para o Flamengo. Aí, cheguei na quarta e a mesma coisa. Comecei a não entender. Futebol não te dá muito tempo para chorar. Aí, eu liguei a minha caixa de som pensando que ia dar uma animada. Um jogador chegou perto, no meu ouvido… E, baixinho, disse: “Emerson, que bom que você chegou com essa energia toda. Eu não estou triste com a derrota para o Flamengo, mas porque a diretora do colégio me ligou para dizer que mais um mês da mensalidade venceu. E eu não sei mais o que falar.” Na boa, como faz para motivar? E quem entende de futebol sabe o quanto o vestiário é importante. Às vezes, ou muitas vezes, o atleta precisa que um dirigente venha e não minta. Só não pode se sentir abandonado. O Gottardo trouxe um pouco de esperança. Não que ele venha a ser o salvador, longe disso. Não tem a força de um presidente. Mas já é uma pessoa que está passando o que acontece aqui dentro para o presidente.

Fonte: Extra Online

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