Com atletas sem contrato, basquete do Botafogo corre risco de acabar: ‘Seria um retrocesso de oito anos’, diz Léo Figueiró

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Por FogãoNET

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Botafogo celebra o título da Liga Sul-Americana de Basquete
Rodrigo Lopes/Consubasquet

Campeão da Liga Sul-Americana no ano passado e classificado para a Champions Americas, o basquete do Botafogo não está garantido para a próxima temporada. Em entrevista ao Canal do TF nesta sexta-feira, o técnico da equipe, Léo Figueiró, revelou que o contrato dos jogadores se encerrou nesta quinta-feira, e o dele mesmo termina hoje.

Com vários meses de salários atrasados, o Botafogo tenta manter o bem-sucedido projeto ativo. Gláucio Cruz, diretor de Esportes Gerais, tem mantido conversas com outros membros da diretoria no sentido de que o time de basquete não seja desmontado. O próprio Léo Figueiró revelou ter conversado com Durcesio Mello, candidato à presidência, sobre a importância da continuidade do projeto.

Nem eu, nem o basquete está garantido. A realidade é essa. Estão se mexendo, tentando viabilizar. O Gláucio Cruz principalmente está tentando equacionar isso, mas não existe garantia nem de time, essa é a verdade. Numa das conversas que tive com o Durcésio falei que ou a gente constrói o basquete agora, ou depois das eleições não vão ter time de basquete – explicou Léo, lamentando um possível fim do projeto:

Não jogar essa temporada seria um retrocesso de oito anos no basquete, na minha cabeça. Estamos colocando tijolinho por tijolinho, mas parar agora e derrubar tudo vai ser uma coisa desastrosa.

‘Parece que o Botafogo tomou um susto quando foi campeão’

Ex-atleta do Botafogo, onde começou com apenas 14 anos de idade, Léo Figueiró defende que o basquete pode caminhar com as próprias pernas, criando receitas para se sustentar e ainda contribuir com um maior movimento na sede social, gerando mais recursos. Sobre o título da Liga Sul-Americana, o treinador exaltou o feito e disse que teve a impressão que nem as pessoas de dentro do clube esperavam o sucesso.

– Ganhamos um título que o Botafogo não ganhava há meio século. Vamos disputar um torneio que pode nos levar a um Mundial. Isso não é qualquer coisa. Parece meio duro o que vou falar, mas às vezes parece que o Botafogo levou um susto quando foi campeão, que não estavam levando fé. E a dimensão disso hoje em dia, de estar numa Champions. Coloquei um vídeo nessa semana de Botafogo x Milan em 1968 (veja abaixo). Você imagina hoje jogar uma final na Europa, seria uma coisa histórica – afirmou.

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CONFIRA OUTROS TRECHOS DA ENTREVISTA:

Atletas e a pandemia

“O contrato dos jogadores acabou ontem, meu contrato acaba de hoje para amanhã. Conversamos sempre semanalmente pela internet, me preocupo muito com eles nessa pandemia, é muito difícil para um atleta ficar preso dentro de casa, tem risco de depressão, síndrome do pânico. Ontem tivemos uma reunião.”

Basquete x futebol

“O carro-chefe do clube com certeza é o futebol e é uma ignorância qualquer um querer competir com o futebol. Como temos um departamento comercial único, é muito complicado, as coisas vão ser direcionadas para o futebol, é uma coisa óbvia. A questão é colocar pessoas para trabalhar, pensar ideias. As escolinhas podem ser mais ativadas, a integração com o torcedor pode ser maior, a questão dos uniformes… Tem que meter a mão na massa. Se a gente ficar parado…”

Sair da caixinha

“Tem uma frase no Botafogo que eu odeio é a “No Botafogo, tudo é difícil”. Tudo é difícil até o dia que você faz diferente. Se continuar fazendo a mesma coisa, vai dar o mesmo resultado. Mas se começar a sair da caixinha, tem receitas que podem vir. Se fizer um trabalho bom de base, se faz um contrato de formação, quando o garoto se transfere para a Europa você pode ser ressarcido em até 200 vezes o gasto na formação, como prevê a Lei Pelé. É tudo a médio e longo prazo.”

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Orçamento do basquete

“Creio que nosso gasto por ano seja entre R$ 4 milhões e R$ 4,5 milhões. Quem mais gasta no Brasil gasta R$ 10 milhões, R$ 12 milhões… Gastamos um terço de vários times que estão acima. A Unifacisa tem uma folha maior que a nossa, o Minas também, por exemplo. Nossas contratações são pontuais, não temos gordura no orçamento, é tudo muito pensado. Não podemos errar.”

Torcida do Botafogo

“O torcedor me presenteou com um momento que nunca vou esquecer na minha vida, e foi numa derrota. Quando perdemos a semifinal para o Flamengo no Oscar Zelaya no primeiro ano de NBB, no quarto jogo, o Flamengo quis comemorar dentro da quadra e a torcida do Botafogo não deixou. Começou a cantar “Não se compara”, cantaram com tanta força, foi tão arrepiante, que ninguém esquece. Perguntei aos jogadores: “Que time sairia aplaudido após ser eliminado pelo maior rival?” Foi um reconhecimento do que aquele time havia resgatado. Ficamos em 4º lugar.”

Assista ao vídeo com a entrevista com Léo Figueiró:

Fonte: Redação FogãoNET e Canal do TF

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