Há um mês tendo em mãos o projeto da Ernst & Young para a criação de uma empresa com o objetivo de gerir o futebol, o Botafogo trabalha silenciosamente antes dos próximos passos. Um grupo de 13 alvinegros é responsável pela discussão do tema. Ficaram estabelecidos os mercados para busca por investidores: Europa, China e Oriente Médio.

A ideia é tentar captar recursos de quem está acostumado a atuar no ramo. O trabalho no momento passa pela estruturação dos canais de acesso aos potenciais investidores para a Sociedade de Propósito Específico (SPE), a nova empresa que tocaria o futebol. A Botafogo S/A ficaria responsável por gerir ativos como direitos econômicos de jogadores, o Estádio Nilton Santos e toda propriedade relacionada ao futebol por 30 anos. O clube social seguiria nos moldes atuais.

O valor dos pacotes a serem oferecidos aos investidores não é considerado exorbitante. A ideia inicial é particionar a captação. Uma parte do montante seria para cobrir as dívidas de curto prazo do clube. Outra, por exemplo, seria alocada para equalizar o cenário atual, bancando o time para evitar rebaixamentos e, por consequência, perda abrupta de receitas. Mais adiante, haveria pagamento ao clube de royalties em cima de resultados financeiros às custas da marca Botafogo.

À EY, contratada pelos irmãos Moreira Salles para desenvolvimento do projeto, foi solicitada uma versão em inglês da apresentação feita ao presidente Nelson Mufarrej e outros nomes da diretoria, em 26 de julho.

Conselho do Botafogo deve aprovar

Pelo que se discute internamente, os nomes escolhidos para definir os rumos do projeto dentro do clube não serão os responsáveis por “vender o peixe” alvinegro lá fora. A ideia é acionar botafoguenses com experiência no mercado financeiro e também intermediários com bom trânsito no exterior.

Por ora, não há reuniões agendadas no exterior. As conversas seguem no âmbito do clube. Os encontros do conselho diretor são plataformas para trazer o tema à tona. Entre os 13 responsáveis por discutir o assunto estão o presidente Nelson Mufarrej, o vice geral Carlos Eduardo Pereira, o ex-presidente Carlos Augusto Montenegro, além de vice-presidentes da gestão atual, como Luiz Felipe Novis (finanças), Ricardo Rotenberg (marketing e comercial) e Paulo Mendes (relações institucionais).

A criação da SPE ainda precisa ser aprovada pelo Conselho Deliberativo alvinegro. Quem transita na política alvinegra vê poucas chances de que a proposta seja rejeitada.

Se a burocracia impedir que até dezembro todos os passos para a criação da SPE sejam cumpridos, mas já houver investidores, é possível transmitir, via procuração, os poderes da gestão do futebol alvinegro a quem for bancar o projeto. É como se houvesse um novo presidente e representante junto às entidades, como a CBF.

Fonte: O Globo Online